sexta-feira, 29 de junho de 2012

ROMARIA DE TRINDADE - GOIÁS



Aleixo e Regina, em Córdoba, Es, 22.09.11.
As romarias reproduzem a história da peregrinação do povo de Deus que teve início com a partida de Abraão em busca da Terra prometida, passando 40 anos de caminhada pelo deserto.
Revivendo esse acontecimento cristão, desde a descoberta do medalhão, há mais de 169 anos, os devotos do Divino Pai Eterno saem de vários lugares e um só destino: o Santuário  da Basílica do Divino Pai Eterno, um lugar de paz para onde eles vêm para alcançar suas graças e fazer seus louvores; enfim, chegar à Terra Prometida no coração do Pai.
Carro de Boi de romeiros em Trindade.
O dia da grande festa é o primeiro domingo do mês de julho de cada ano. Durante os nove dias, que antecedem o grande dia de festa, são celebradas missas, novenas, encontros com jovens, casais, carreiros do Divino Pai Eterno, isto é, a procissão dos carros de boi,  foliões, tropeiros e muito mais. Também são atendidas milhares de confissões e realizados centenas de batizados nessa época de intensa fé religiosa em Trindade.

Rodovia dos Romeiros, em Trindade, GO.
Hoje resolvemos ir até lá para observar os festejos e fazer uma oração no santuário da igreja. Mas iremos de carro. Na adolescência costumávamos fazer o trajeto a pé com um grupo de colegas e amigos. Alguém fazia uma promessa e a turma o acompanhava com  a animação da juventude!
Ao retornar, prometo descrever com maiores detalhes...

quinta-feira, 28 de junho de 2012

DIA A DIA NA SHAMBALLA


Júnior, Clélia, Regina e Aleixo, no Pinguim,
em Ribeirão Preto.
Nosso dia a dia na Shamballa anda muito agradável. Gosto bastante do clima frio das manhãs e noites. Aleixo hoje me disse que sabe por que os ovos de galinha são os mais vendidos! Parece que elas são as únicas aves que cantam depois de botar. Ri muito, mas concordei que a propaganda é a alma do negócio, mesmo galináceo!
Estamos empenhados nos preparativos para as visitas julinas. Os netos ficam de férias e os filhos devem vir passar alguns dias conosco. 

Aleixo e Regina, na Shamballa.
Recebo diariamente a visita de um beija-flor escuro e miúdo aqui na janela do escritório. Este pé de hibisco está todo florido e ele passa  muitas vezes para minha alegria. As bougainvilles e as turbérgias também estão floridas, assim como a roseira da Helga e a da Mãe Francisca. Esta é de rosas brancas pequenas, em cacho, mas os botões são cor de rosa!  A murta maior está cheia de flores que perfumam todo o nosso jardim!
Lu, Teteu, Juju e Thor, herdeiro da Bettina.
O técnico da Sky veio tentar instalar um novo ponto no chalé do bosque. Não cabe todo mundo na casa e nos dividimos assim nas férias. Planejo ainda uma festa julina, com fogueira, fogos coloridos e quitandas próprias. Quero assar batatas doces e milho na brasa e mostrar aos netos e sobrinhos netos um pouco de nossa infância remota! Aproveitaremos para comemorar os aniversários dos cancerianos próximos...
Ontem a Renata veio almoçar com as crianças, mas demorou pouco, porque usava o carro da Clélia que tinha outros compromissos. Na hora da partida, Vivi não queria voltar para casa e se escondeu debaixo de uma das camas! Eu a procurei muito antes de descobrir seu esconderijo. Lembrei-me de minhas artes semelhantes, na infância!
Fábia e Aline Melo, no congresso médico
da Florida.
Fábia terminou o internato em Saúde Coletiva em Lagoa Formosa. Ela disse que apesar do excesso de trabalho, foi um dos melhores períodos de sua vida de acadêmica na área médica. Praticou muito e sabe que adquiriu bastante experiência em emergência e urgências médicas.
Agora ela terá férias e no próximo semestre deve ser interna da Santa Casa de Patrocínio, em Minas Gerais. 
Daqui a um ano, vamos à sua colação de grau que deve acontecer no Palácio de Cristal, em Uberlândia. Mas, neste mês de julho, ela, Vaíte e Frederico estarão aqui conosco!
Breno, cara do pai - Gustavo!
Este ano quero dar um pulo até Trindade aproveitando a sua festa tradicional de romaria. Farei uma oração no Santuário da Matriz do Divino Pai Eterno. Afinal, tenho ido a Aparecida, SP. E visitei Fátima, em Portugal. É justo prestigiar também a nossa região que não fica nada a dever aos outros centros religiosos.

terça-feira, 26 de junho de 2012

VISITANDO MARCO E IONE


Aleixo, Regina, Ione, Clélia, Júnior e
Marco, em Ribeirão Preto, 24.06.12.
Estivemos visitando meu irmão Marco Antônio que reside com sua família em Ribeirão Preto. Marco está de recuperando de uma enfermidade e fizemos uma surpresa para eles. 
Júnior, Clélia, Aleixo e eu saímos bem cedo de Goiânia, almoçamos no caminho e estivemos toda a tarde na companhia da Ione e do Marco. 
Não é fácil conciliar a disponibilidade de um grupo! Clélia está com hospedes em casa e não dispunha de muito tempo. O Júnior pode ser avô a qualquer momento novamente. Pollyanna está no nono mês e ele tampouco  podia se ausentar por longo período.
Ione e Marco sempre nos recebem muito bem em Ribeirão Preto e é muito agradável trocar as novidades.
Na casa de Marco e Ione Araujo. 
Ione me prometeu escrever algumas histórias vividas ao lado de mamãe para eu inserir no blog e também enviar-me algumas fotos que selecionei de seu álbum.
O GPS nos guiou certinho ao endereço deles. É ótimo poder contar com as modernas tecnologias nestes casos!
Clélia quis rever o local onde já viveu por algum tempo e também sugeriu uma visita ao Pinguim que acatamos com gosto!
Júnior, Clélia, Aleixo e eu no Pinguim!
Pensamos retornar imediatamente uma vez que contávamos com um bom carro e éramos quatro motoristas, mas acabamos desistindo e  dormindo no caminho! No domingo cedo retornamos com calma, não sem antes parar no Zebu para comprar os deliciosos doces mineiros!
Encontramos tudo em harmonia na nossa Shamballa depois do prazeroso convívio familiar do final de semana!

terça-feira, 19 de junho de 2012

ÁRVORES DA MINHA INFÂNCIA


Regina e Aleixo, no Rio, em 19.05.12.
Eu tenho uma espécie de afinidade com o reino vegetal. Preciso da presença das plantas no meu contexto. Desde bem pequena gosto de jardinagem. Mesmo quando morei em pequenos espaços, senti necessidade de cultivar plantas em alguns vasinhos. 
Houve uma época em que realmente acreditava ser a Regina dos dedos verdes. Meu amor pelas plantas costuma surtir bons resultados e sou agraciada com sua beleza e perfume!

Acácia Imperial ou Chuva de Ouro.
Creio que parte é influência de minha infância. Meus irmãos e eu nascemos e crescemos em uma casa com jardim e quintal grandes. Eram muitas árvores ao redor. Dentre tantas, lembro-me especialmente de duas acácias ou chuvas de ouro sempre floridas em nosso jardim.

Amoreira de minha infância.
No quintal, as duas mangueiras que meu pai plantou juntas anos antes da chegada das crianças. Nela aprendemos a subir em árvores e a desfrutar a delícia das mangas extremamente doces.  Sob suas copas generosas, tínhamos sempre sombra para as nossas brincadeiras diárias. E era ali perto que papai organizava as nossas festas juninas que jamais esqueceremos.
Havia um pé de amora na vizinhança. Ficava em um lote vago na esquina  da rua cinco com a viela que chamávamos de Taguatinga. Ele era enorme e eu sempre fui doida por amoras. Enquanto estava carregada, estávamos por lá, provando as frutas docinhas e vermelhas.
Algodão no pé.
Nos finais de semana, nós íamos à casa de minha avó Madalena, na antiga Vila Coimbra. Era quase uma espécie de passeio ao campo, porque havia poucas casas próximas. Vovó tinha um pé de algodão em seu quintal e eu era apaixonada por aquele arbusto.  Eu adorava observá-la pegar o algodão e enrolá-lo de maneira a usá-lo em suas rendas de bilro.
Árvore da Shamballa.
Hoje temos inúmeras árvores à nossa volta. Elas cresceram muito desde que mudamos para cá. Quando precisamos cortar alguma, eu sofro bastante, mesmo planejando tudo antes e plantando outras para substituí-las.
Tenho especial ligação com os jatobás e os angicos. Numa delas, os periquitos fazem ninho aproveitando a casa de cupim. Posso apreciar sua alegria e ouvir o canto dos filhotes atuais que voam de uma árvore para outra.
Mas gosto muito das arvores menores como as bananeiras, pitangueiras e outras fruteiras.
Periquitos da Shamballa.
Aleixo me falou de um grande jequitibá de sua infância na fazenda de seu avô. Era muito alto e imponente. Nenhuma outra árvore podia se comparar àquela, pois era muito grossa e reta em direção às nuvens. Não tinha galhos ao longo de seu tronco, apenas uma copa ampla como se fosse um pinheiro gigante.
Afinal, pertencemos à geração que se encantou com a leitura do livro – Meu Pé de Laranja Lima... Atestado de antiguidade, não é?

sábado, 16 de junho de 2012

CAFÉ COM PROSA NA SHAMBALLA



Aleixo, Regina e Brasigóis Felício, em
nosso café com prosa,  na Shamballa.
Recebemos a visita de nosso amigo poeta – Brasigóis Felício – e pudemos desfrutar de um café com prosa nesta ensolarada manhã da Shamballa! Ele veio nos trazer um convite e juntos programamos novos encontros futuros.
Adoramos conversar com ele! Sua presença nos traz boas inspirações e a prosa flui prazerosamente. Aproveitamos para falar da Austrália onde mora uma de suas filhas e acabamos lembrando os sonhos de amor da adolescência.
Desde sempre, o Amor é a instância que comanda a vida. Segundo Aristóteles, o Amor é a força que une os quatro elementos da natureza, o fogo, a terra, a água e o ar; é a força que move as coisas,  que as conduz e as mantém unidas.

Amaro e seu cão Dionísio que não gosta
de vinho, mas cansado, parece bêbado! 

Platão argumenta que o Amor é a falta, a insuficiência e a necessidade; é o desejo de adquirir e possuir o que não se possui, é o interesse incorporado à alma.

Freud entende o Amor como a especificação e sublimação de uma força instintiva originária, a libido, que tende a se manifestar desde os primeiros instantes da vida humana.

Camões diz que “Amor é fogo que arde sem se ver e ferida que dói e não se sente...”

Shakespeare diz “duvida da luz dos astros, de que o sol tenha calor, duvida até da verdade, mas confia no meu amor”. 
Chácara Shamballa - nosso lar goiano
Enfim, o Amor romântico inspirou os deuses e os mortais e sempre agradecerei aos céus ter tido a bênção de me apaixonar um dia! Sentimento de transcendência, plenitude, êxtase, sentido para a vida! Infinito, enquanto dura!

Aleixo nos relatou dois de seus frustrados sonhos de amor. Um deles justificou o seu retorno às raízes, depois de haver imigrado para a Austrália. Brasigóis e eu também rememoramos, a três, as nossas jovens experiências amorosas. A simples lembrança daquele sentimento mítico ainda é capaz de nos iluminar interiormente!  

Árvore Abricó de Macaco, fotografada
no Largo do Machado, no Rio.

Concordamos que quando duas pessoas cruzam o olhar e esse olhar é avassalador estamos diante do ponto chave da paixão. Eros surge no momento em que duas pessoas se reconhecem e se olham de uma forma nunca antes contemplada, resultando desse olhar novos desejos e novos afetos.

Então, inicia a descoberta de si mesmo e do outro e a gente começa desenhar castelos de sonho, apesar de normalmente a relação não se estender por muito tempo, uma vez que nessa fase não permitem longos compromissos.

Bettina, Astro, Kei-Ra - nossos labradores.
Vivenciam-se os momentos de paixão e de doce irresponsabilidade. O tempo pára e o mundo deixa de girar, pois é tempo de amar. Por vezes, esse estado é mantido ao longo da vida ou volta a ser vivido mais tarde, criando um estado de euforia e plenitude pouco comum na maturidade.

Na maior parte das vezes, guardam-se as memórias do amor adolescente na gaveta dos afetos e eternizam-se os tempos em que a ternura foi debruada com sorrisos, palavras doces, beijos longos e molhados trocados em noites de lua cheia, quando tudo era possível no paraíso do sonho!
Lane, Edilene, Áurea, Regina e Lei, no
Shopping do Pão, 01.04.12. 
Ainda bem que hoje, compreendendo a visão junguiana do amor romântico, sabemos que, tanto para o homem quanto para a mulher, en­xergar realisticamente o amor romântico é uma tarefa ímpar.

É algo que nos força a ver não apenas a beleza e o potencial contidos no amor romântico, como tam­bém as contradições e as ilusões que trazemos conosco em nível inconsciente. 
As jornadas heroicas costumam nos conduzir a vales desconhecidos e a confrontos difíceis, mas, se perseverarmos, certamente, nós alcançaremos um novo estágio de conscientização!

sexta-feira, 15 de junho de 2012

LEMBRANÇAS DA FAZENDA NUSS


Casa da Família Nuss,  em 1960
A primeira infância do Aleixo transcorreu na fazenda de seu avô materno, no município de Itaperuna, bem perto de São João do Paraíso, na região noroeste do Rio de Janeiro.  As mais antigas lembranças do menino Aleixo estão ligadas à vida na fazenda de João Nuss.
Ao redor da residência, numa área de uns 15 mil metros quadrados, havia toda espécie de facilidades necessária ao bom funcionamento da vida no campo. Fruteiras, secador de café, arroz etc. Três tulhas grandes para depósito de grãos e guarda de equipamentos, montarias, entre outros utensílios.
Avós do Lexin - Benedecta e João Nuss
Ele lembra-se da varanda na casa grande de onde ele via diariamente os terreiros de café cercados pelo muro de taipa. A casa era bem grande, em torno de oito dormitórios, três grandes salões, banheiro e cozinha enormes.
A residência era cercada de flores de todos os tipos, cada uma floria em determinada época. Assim, sempre havia flores rodeando o casarão e, de longe, todos sentiam o perfume das rosas e muitas outras flores.
Além do ribeirão, começava um morro coberto de escura e misteriosa mata virgem que, na sua imaginação, constituía um fantástico ninho de onças e índios.

Imagem de São João do Paraíso, R. J.
Lexin - apelido de infância - era um menino inquieto, arteiro, de alma aventureira. Estava sempre inventando alguma coisa, descobrindo os arredores sem temor. Sua irmã Lourdes o acompanhava em muitas brincadeiras. Ela me disse que Aleixo não a poupava, mas ela estava sempre junto, apesar das judiações sofridas.
Era um hábito, naquele tempo, as crianças brincarem com sabugos de milho que se transformavam em bonecos; chuchus com pernas de palitos eram cavalos e porquinhos, finca; faziam bodoques, atiradeiras ou estilingues, arco e flecha; brincavam com bolas de gude que tinham que acertar nos buracos feitos na terra.
 Tias: Maria, Lourdes, Francisca, Joaquina,
 Conceição, Leonor, Dolores.
Tios: Chico, Máximo, Antônio.


A caça era muita praticada. Muitos bichos, como tatu, lagarto e outros serviam de alimento. Pescava-se também, geralmente de anzol e tarrafa, mas no riacho mergulhava-se para pegar peixes nas tocas.
Era certo encontrá-lo explorando o terreiro de café, a mata próxima, vê-lo no pomar comendo frutas de todos os tipos ou pescando com peneira, no ribeirão próximo.  
Descreveu-me a elegância de suas tias. Usavam vestidos clássicos, cuidadosamente enfeitados com rendas, bordados, casinhas de abelhas, nervuras, ajour, botões cobertos de tecido por elas, prendadas costureiras. Ele acredita que elas copiavam os modelos de revistas européias, mas elas mesmas o confeccionavam.
Tias do Aleixo:  Leonor,
 Dolores e Francisca.
João Nuss dividiu as três fazendas em vida, evitando despesas com futuro inventário. Na época contratou um agrimensor e procedeu a divisão com justiça e sabedoria entre os 13 filhos.  Seu pai – Silvio – recebeu dois pedaços distintos, uma vez que não era possível tirar toda a gleba junta. Portanto, ele ficou com uma parte próxima da escola e outra lá embaixo.
Emociona-me participar do relato da memória de fatos acontecidos cerca de seis décadas atrás! Segundo os cálculos do Aleixo, isto teve lugar no período de 1945 a 1952! 

quarta-feira, 13 de junho de 2012

DOIS GAVIÕES NA SHAMBALLA



Aleixo e Regina, no riacho da Shamballa.
Frequentemente eu vejo dois gaviões passando por aqui. Passam voando pelo pátio e, então, pousam no alto das árvores. Às vezes, estou na rede, outras, lá fora, cuidando das plantas ou dos animais. Não sei se são sempre os mesmos, mas já comeram alguns filhotinhos de peru e de galinha... De longe, eu os vejo pardos, com as pontas das asas em tom mais claro.
Minha miopia não permite detalhes, mas sei que são animais magníficos. Penso nos seus bicos aquilinos, em seus olhos de águia! 
Gavião visualizado na chácara.
Posso imaginar suas garras fortes, segurando suas presas, enquanto seus bicos as dilaceram. Uma vez, uma dessas aves comeu meus canários na sacada de um apartamento goianiense!
Aqui, quando eles passam voando, pode-se sentir a sua força e a sua imponência na maneira como estendem suas asas e planam a despeito do vento.
Creio que os gaviões personificam uma grande combinação de qualidades da criação, aquela que poucas podem superar: liberdade e força. Neste pequeno canto do mundo goiano, perto do riacho e do bosque de Shamballa, eles são soberanos, voam acima de todos os outros, senhores de seus apetites. 
Apolo contribui para iluminar meus dias
na Shamballa!
Algumas vezes já corri ao encalço de meu papagaio Apolo, temendo um ataque mortal! 
Alguém me contou que uma senhora que morava em apartamento da cidade tinha um tucano de madeira em sua varanda. E, várias vezes, um desses dois gaviões o atacou, num voo rápido sobre a vítima putativa, tantas que a obrigaram a colocar uma rede na varanda!
Sabe-se que o delito putativo ocorre quando o agente considera erroneamente que a conduta realizada por ele constitui crime, quando, na verdade, é um fato atípico; só existe na imaginação do sujeito – neste caso, o gavião caçador de tucanos de madeira! 
Matheus e Thor, 10.06.12.
Ontem, peguei um pássaro de resina verde que canta por meio de pilha. Juliana o havia retirado do suporte e eu o trouxe à mesa da varanda para ajustá-lo. Apolo o enxergou de seu poleiro e fez posição de guerra, ameaçando atacá-lo com seus grunhidos bélicos! Ri muito!
Ali, no telhado da casa percebi o gavião que comia a lagartixa que tinha acabado de matar.
Sorri, enquanto pensava que com toda essa liberdade e com toda essa força, o magnífico predador comia apenas uma lagartixa com a sua imponente agressividade...
Bettina, Astro e Kei-Ra, após o banho.
Aleixo deu  banho nos três labradores e os prendeu no pátio. Hoje é dia de levá-los ao hospital veterinário para a avaliação anual. Planejamos esterilizar a Bettina que teve problemas nas três gestações. Na última, sobreviveu apenas um dos filhotes – Thor – agora com quatro meses.

terça-feira, 12 de junho de 2012

NOSSO DIA DOS NAMORADOS


Regina e Aleixo, há 10 anos, Pirinópolis.
A história do dia dos namorados no hemisfério norte começou  com um dia de jejum  em homenagem a São Valentim. A associação com o amor romântico veio após o final da Idade Média, quando o conceito de amor romântico foi formulado.
Sabe-se que o bispo Valentim lutou contra as ordens do imperador Cláudio II, que havia proibido o casamento durante as guerras, acreditando que os solteiros eram os melhores combatentes. Valentim, além de continuar celebrando casamentos,  casou-se secretamente, apesar da proibição do imperador.
Aleixo e Regina, no Rio, 25.01.12.
A prática foi descoberta e Valentim foi preso e condenado à morte. Enquanto estava preso, muitos jovens lhe enviavam flores e bilhetes dizendo que ainda acreditavam no amor. Ao aguardar o cumprimento da sua sentença na prisão, ele se apaixonou pela filha cega de um carcereiro e, milagrosamente, devolveu-lhe a visão.
Antes da execução, Valentim escreveu uma mensagem de adeus para ela, na qual assinava como Seu Namorado ou De seu Valentim.
Regina e Aleixo, em Goiânia, 2003.
Considerado mártir pela Igreja Católica, a data de sua morte - 14 de fevereiro - também marca a véspera das lupercais, festas anuais celebradas na Roma antiga em honra de Juno, deusa da mulher e do matrimônio e, de Pan, deus da natureza. Um dos rituais desse festival era a passeata da fertilidade, em que os sacerdotes caminhavam pela cidade batendo em todas as mulheres com correias de couro de cabra para assegurar a fecundidade.
Regina e Aleixo, em Londres, set. 2010.
No Brasil, a data é comemorada no dia 12 de Junho por ser véspera do  Dia de Santo António, santo português com tradição de casamenteiro. A data provavelmente surgiu no comércio paulista, quando o comerciante João Dória trouxe a ideia do exterior e a apresentou aos comerciantes.
A comemoração expandiu pelo Brasil, amparada pela correlação com o Dia de São Valentim que, como se sabe, nos países do hemisfério norte, ocorre em 14 de fevereiro e é utilizada para incentivar a troca de presentes entre os apaixonados.
Regina e Aleixo, neste dia dos namorados.
Aleixo e eu comemoramos o dia dos namorados no nosso dia a dia! 
Mas a gente não fica imune ao contexto e hoje também celebramos gratos à nossa união de troca, de crescimento conjunto, em todos os sentidos, namoro embasado em amor genuíno e com a bênção do cósmico! Gosto de ser romântica!

segunda-feira, 11 de junho de 2012

PODA DAS ÁRVORES E LEMBRANÇAS


Juju e Matheus, neste feriado, na Shamballa.
Desde quinta-feira que começamos a poda das árvores da chácara. Aleixo e Luís começaram o trabalho. Logo,  Otávio chegou de Brasília e  trouxe também o Pedro Henrique para ajudar. As crianças adoram movimento e todos nós  acompanhamos cada galho ou árvore derrubada com curiosidade e até preocupação, às vezes. Elas são tão grandes e podem nos surpreender ao serem cortadas! Só retiramos o que causava risco à casa, pela proximidade!

No domingo, as crianças sempre vão embora chorando. Quando eles saem sentimos o vazio de seu movimento animado.
Aleixo segurando a cobrinha desacordada 
Comentei com Aleixo que só agora estou me sentindo de volta ao lar. O ultimo mês foi bastante movimentado, eventos sociais, viagens, visitas, mas tudo bastante prazeroso. Descansando na rede enquanto a banheira enchia, Aleixo  lembrou de me contar que havia uma vaca que detestava seu avô - João Nuss - que morava na fazenda, na região da Capivara, conforme relatei anteriormente. 

Sempre que a vaca o avistava, tentava persegui-lo. Ela não se importava com o Aleixo,mas, um dia, ele usou o chapéu do avô. Naquele dia, ela avançou para pegar o Aleixo que teve que fugir e passar rápido por baixo do arame farpado. 

Aleixo, Regina, Luciana e Juju, na
festa do colégio em BSB.

O chapéu caiu durante a fuga e ele conseguiu se safar, apesar de se ferir na cerca. Aliviado, do outro lado, percebeu a vaca pisando o chapéu e bufando. Na realidade o que  ela perseguia era o chapéu e não o avô  João Nuss...

Aleixo relatou também que tinha apenas uns três  anos e ainda tinha a cabeleira grande, cachos dourados avermelhados que só foram cortados depois dos quatro anos devido a uma promessa feita por sua mãe, extremamente devota.  Dona Joaquina sempre o alertava para ficar longe da cacimba... 
Aleixo, Otávio e Luis cortando uma
das árvores, em 10.06.2012.
Um belo dia, ele foi visitar os trabalhadores que estavam do outro lado do córrego, onde ficava a cisterna. Um dos trabalhadores  - Abelardo- verificou que ele desceu em direção ao córrego e não apareceu do outro lado.  Interrompeu seu trabalho e foi verificar o que havia acontecido. Chegou a tempo de salvá-lo. Ele estava quase morrendo afogado, só se viam os cabelos boiando no poço. A salvo, foi devolvê-lo para sua mãe. Inquirido sobre a razão de ter pulado na cacimba, respondeu que queria ver se era fundo mesmo...
Lu, crianças e Thor!
E apareceu um filhote de jararaca no patio da Shamballa na sexta-feira. Claro, que eu quis registrar a visita peçonhenta... Ah, na quinta, minha comadre Helen, veio com o Marcos, Dona Nair e meu afilhado Lucas nos visitar! Pena que desta vez não coincidiu de ele brincar com o Matheus. São quase da mesma idade! O filhote da Bettina - Thor - que dei para a vizinha ficou aqui e as crianças adoraram brincar com ele!
E quero planejar um festinha julina, na Shamballa! Aproveitaremos para cantar parabéns para  a turma de queridos cancerianos. Rita Barbugiani puxa o cordão...

quinta-feira, 7 de junho de 2012

CARAMBOLAS E PERU AMIGO



Luciana, Otávio, Regina, Matheus, Juliana
e Aleixo, em BSB, 03.06.12.
Adoro carambola e desde ontem tomo o suco que o Aleixo preparou para nós. Creio que provei carambola pela primeira vez quando acompanhei minha mãe e Dona Maria Antonieta a Uberaba para elas visitarem o Chico Xavier. Depois paramos em Monte Alegre, de Minas, para visitar a família Alessandri e ali vi a primeira caramboleira no quintal da família.
De sabor agridoce, com coloração variando do verde ao amarelo, dependendo do grau de maturação. Hoje, sei que ela é rica em sais minerais como cálcio, fósforo e ferro e contendo vitaminas A, C e do complexo B. 
A carambola é considerada uma fruta febrífuga que serve para combater a febre, antiescorbútica porque serve para curar a doença escorbuto que é carência de vitamina C e que se caracteriza pela tendência a hemorragias e, devido à grande quantidade de ácido oxálico, estimulador do apetite.
Caramboleira com flores e fruta na Shamballa.
Dizem que seu suco pode ser usado para tirar manchas de ferro, de tintas e ainda limpar metais. Sua casca é utilizada como antidisentérico, por possuir alto teor de tanino, cujo poder adstringente pode prender o intestino. A carambola  é uma fruta de quintal, pois seu cultivo não é feito em escala. Ela é produzida essencialmente em sítios, quintais, granjas e pomares como o da Shamballa.
A caramboleira começa a produzir frutos em torno de quatro anos de existência, dando em média duzentos frutos, podendo durar de cinquenta a setenta anos. A fruta é linda e parece uma estrela quando cortada e tem cinco gomos.
Meus sobrinhos netos - gêmeos paulistanos.
Gosto de colocá-la nas saladas, mas ela pode ser consumida ao natural ou no preparo de geléias, caldas, sucos e conservas. Cortada em fatias e deixada no fogo brando com açúcar, fica quase da mesma consistência e sabor do doce de ameixa-preta. Na Índia e na China são bastante consumidas como sobremesa, assim como as flores e os frutos verdes, que são utilizados nas saladas.
Pessoas portadoras de insuficiência renal não podem comer carambola, pois esta fruta possui uma toxina natural que não é filtrada pelo rim destas pessoas, ficando retida no organismo e atingindo o cérebro, podendo levar inclusive, à morte. Os sintomas de intoxicação são crise de soluços, confusão mental, convulsões e coma. Portadores de diabetes devem consultar o médico antes de comer, pois podem sofrer de insuficiência renal e não saber.
Meus netos na Shamballa, 07.04.2012.
A carambola foi introduzida no Brasil em 1817, sendo plantada em praticamente todo o território brasileiro. É muito popular na região do nordeste brasileiro.
Ontem, ao final da tarde, choveu como nos dias anteriores. A diferença é que acabou a energia e me aconcheguei no sofá da sala pensando que perderia a novela das 18h que adoro. O telefone tocou no quarto e fui atender. Era a Helen e conversamos um pouco marcando possível encontro aqui na Shamballa.
Aleixo voltou com a lanterna nas mãos. Já havia acendido velas antes e ligou para a CELG para reclamar a falta de energia. 
Aleixo e Regina na pedra do Arpoador.
Perguntei o porquê da lanterna e ele me confidenciou que ao fechar o galinheiro percebeu algo estranho e ao iluminar os galináceos, descobriu o galo dormindo sob a asa do peru. Rimos muito! O peru não costuma ser tão condescendente com o colega, mas, certamente, no escuro, o confundiu com uma das peruas... Estamos sempre nos surpreendendo com a natureza em nosso dia a dia...
Bem, a luz não voltou e mudamos a programação. Um sarau de prosa a dois e boa leitura, tudo à luz de vela... Bastante romântico na energia especial de nossa Shamballa!
E, hoje, Aleixo aproveitou a ajuda do nosso diarista Luis César para podar as árvores da chácara... De vez em quando temos que fazê-lo ou sumimos no meio do bosque...

terça-feira, 5 de junho de 2012

LIVRO MENOS ABERTO

"A vida é maravilhosa se não se tem medo dela." Charles Chaplin

Aleixo e Regina, em Londres, 31.08.10.
Medo é um sentimento universal, antigo e necessário à sobrevivência! De certa forma, ele é um dos sentimentos que permitiram à espécie humana multiplicar-se e dominar o planeta! Aprendemos a ter medo do que pode nos afetar de maneira prejudicial! Esta é uma forma natural de nos proteger de algo desconhecido ou já conhecido e que nos é repassado por meio das experiências coletivas.
Desde os tempos mais remotos, o homem detinha seus medos. Sentia medo quando saía à caça com a preocupação de não se tornar a própria caça, das inúmeras invenções que, como tudo, contêm também seus riscos, das reações adversas da natureza, entre outros.
Isabel Nuss é filha do Aleixo.
Portanto, medo é um sentimento que se faz presente em nossas vidas, um mecanismo de defesa diante de situações desconhecidas e até mesmo causado por experiências traumáticas. Ele é ativado para nos proteger de situações semelhantes e novas!
Somos frutos da família, da sociedade, enfim, do nosso contexto. Aprendemos com as pessoas próximas e com suas experiências pessoais. Por meio delas também aprendemos a ter nossas reações diante da vida e dos fatos, assim como nos ensinaram o certo e o errado em suas concepções aprendidas em seu meio e sua época.
Vovó Clélia e os netos gêmeos!
O medo é um sentimento particular de cada indivíduo com o seu ambiente e pode ser aprendido ou assimilado. Mas ele não pode ser exagerado ou não  poderemos realizar nada. Tenho atendido muitas pessoas com fobia social e imagino o sofrimento vivido por alguém que tenha que enfrentar isso! Um terapeuta amigo me disse, uma vez, que muita gente se acomoda por medo e fica apenas sobrevivendo, temendo ousar novos voos.
Joãozinho, Zezé, Aleixo e o chapéu
desta fotógrafa amadora.
Mas nunca fui muito medrosa! Detive poucos medos ao longo de minha existência. Creio que meu único medo que ultrapassou os parâmetros da normalidade foi o de água funda. Quando decidi enfrentá-lo, fiz um curso de natação depois de séries de outras tentativas frustradas  e consegui aprender a nadar para a sobrevivência, levando oito aulas para ter coragem de soltar a borda da piscina e ousar boiar!
Agora, o temor reinante é o de exposição nas redes sociais. Tenho sido constantemente alertada sobre os perigos que corremos e acabei diminuindo as publicações com muitos detalhes pessoais.
Casal 26, no Rio, 28.05.12.
É uma pena, preferia que minha vida fosse um blog aberto! Todavia, sei que temos que aprender a lidar com o medo... Saber identificá-lo e administrá-lo nos parâmetros da realidade para não vivermos dentro de uma sociedade em pânico! Por isso, optei pelo livro menos aberto...