domingo, 11 de março de 2012

SERRA DA CANASTRA EM MINAS

Aleixo e Regina, deixando as curvas
mineiras, pelas retas goianas, 11.03.12.
Além da Estrada Real por que passamos diversas vezes em nossas andanças, ladeamos também a Serra da Canastra, em alguns trechos da viagem. A Serra da Canastra é uma cadeia montanhosa localizada no centro-sul do estado de Minas Gerais.

Ela está a cerca de 300 quilômetros de distância da capital mineira, Belo Horizonte; e a cerca de 350 km, de São Paulo. O Parque Nacional da Serra da Canastra é um dos mais importantes parques nacionais brasileiros, criado em 1972.

A natureza  ao vivo na Serra da Canastra.
Ali se encontra a nascente do rio São Francisco. Previsto com uma área inicial de 200 mil, o Parque Nacional, soube que só se efetivou em uma área de 71.525ha. Isto até hoje é causa de muito conflito na região, devido à intenção de o IBAMA desapropriar o restante da área originalmente prevista. O parque é administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade.


A Serra da Canastra tem o formato de um baú, daí a origem do nome, pois canastra é um tipo de baú antigo. A cachoeira Casca d'Anta com aproximadamente 186 metros de altura é um dos principais atrativos do Parque, saindo de um corte natural da Serra de aproximadamente 144 metros, ou seja, a altura da Serra chega a 330 metros. O Rio São Francisco nasce 14 quilômetros antes desta sua queda principal.

Mais uma imagem da Serra da Canastra.
O Parque protege um cenário de rara beleza, sua vegetação de transição entre a borda da Mata Atlântica e o início do Cerrado, com predominância de Campos de Altitude que abrigam inúmeras espécies da fauna e da flora do cerrado, como o lobo guará, o tamanduá-bandeira, o veado-campeiro, diversos gaviões e espécies ameaçadas de extinção como o pato mergulhão e o tatu-canastra.

A água é o fator preponderante no parque. Suas centenas de nascentes surgem em função da umidade que a rocha fria absorve do ar, principalmente no período da noite.


Cachoeira da Serra da Canastra. 
A paisagem mineira é muito bonita. É gratificante ao espírito o passeio por suas rodovias, atualmente em ótimo estado de conservação.  Escolher uma estrada principal pode agilizar o percurso da viagem, mas se podemos conhecer novas paisagens, por estradas secundárias, vale à pena, mesmo com tantas setas cobrinhas indicando as curvas nas montanhas mineiras!

sábado, 10 de março de 2012

ESTRADA REAL


Aleixo e Regina percorrem a estrada real. 
Nas últimas três semanas, nós viajamos pelos estados de Goiás, Minas e Rio de Janeiro. Em vários pontos vemos placas de identificação com o nome de Estrada Real. O circuito antes usado pela coroa há mais de dois séculos, agora passa a ser explorado turisticamente.
A Estrada Real foi criada pela Coroa portuguesa no século XVII com a intenção de fiscalizar a circulação das riquezas e mercadorias que transitavam entre Minas Gerais - ouro e diamante - e o litoral do Rio de Janeiro - capital da colônia, por onde saíam os navios para Portugal.


Placa de Identificação da
Estrada Real.
Como era proibido se fazer o trajeto por outra via, o caminho foi usado por imperadores, soldados, mercadores, músicos, aventureiros e intelectuais, que, além de produtos, carregavam ideais, como o de se transformar o Brasil em uma república independente.
Foi por esse motivo, como também para servir de exemplo para a o resto da população que partes do corpo de Tiradentes foram expostas em pontos estratégicos da Estrada, após seu esquartejamento. Naquele tempo a liberdade de ideias ainda não existia.

De qualquer forma, a grande movimentação e importância da Estrada Real fizeram nascer, ao longo dos seus 1.200 km, inúmeras vilas, povoados e cidades. Certamente, com o fim desse ciclo econômico e com a industrialização, o caminho ficou por muito tempo adormecido, o que ajudou na sua conservação e possibilitou hoje o surgimento de vários projetos de recuperação para explorar seu potencial turístico.

Imagem da Estrada Real que percorremos.
Atualmente a Estrada Real é formada por 177 municípios, sendo 162 em Minas Gerais, oito no Rio de Janeiro e sete em São Paulo. A união desses destinos reúne inúmeros atrativos para uma longa viagem. São construções coloniais, igrejas, museus, reservas ecológicas, esportes de aventura, estações de águas minerais, culinária mineira e, principalmente, nossa história. Estivemos visitando alguns destes espaços, conforme relatos anteriores. 

Outra imagem de trecho da Estrada Real.
Mas a Estrada não nasceu com toda essa extensão. Na realidade, foi a união de três caminhos surgidos em momentos diferentes que deram origem ao que ela é hoje: o Caminho Velho, o Caminho Novo e a Rota dos Diamantes. Como só os maiores aventureiros se arriscariam em fazer todo o trajeto de uma só vez, é melhor conhecermos uma a uma. É o que Aleixo e eu estamos fazendo!

sexta-feira, 9 de março de 2012

SANTA JULIANA

Regina, em Nova Iguacu, bairro do Tinguá.
Viajamos parte do dia e resolvemos parar em Santa Juliana, MG. Gostamos muito de um hotelzinho chamado Recanto, no qual nos hospedamos. A cidade é pequena, mas bem cuidada, acolhedora. As pessoas são muito simpáticas e aproveitei para saber sobre a cidade que tem o nome de minha neta. Interessante, pois passamos por outra cidade mineira chamada Mateus, meu outro neto brasiliense.

Cidade de Santa Juliana, em Minas Gerais.
Este povoado surgiu com a passagem dos bandeirantes pela localidade. Aqui eles encontraram um ribeirão e em suas proximidades um casebre de família humilde, cuja mulher tinha o nome de Juliana e o apelido de Santa. Assim, os bandeirantes deram esse nome ao ribeirão.
Devido à padroeira - Nossa Senhora das Dores - e ao Ribeirão, o povoado nascente recebeu o nome de Dores de Santa Juliana. Por volta de 1842 se deu a construção da Capela de Nossa Senhora das Dores e, devido à excelência das terras, que se prestam admiravelmente à agricultura, a localidade foi se desenvolvendo rapidamente.

Recanto - Hotel e Restaurante
em Santa Juliana.
O Distrito de Dores de Santa Juliana foi criado em 15 de novembro de 1875, mas em 1936, o distrito passa a se chamar Santa Juliana, tornando-se cidade em 17 de Dezembro de 1938.

O município tem se destacado na produção de batatas. Santa Juliana também produz soja e milho. Há, ainda, a plantação de cenoura, alho e cana-de-açúcar. Não fica muito distante de Uberlãndia e Araguari que conhecemos há muito tempo. Agora sairemos para uma caminhada na praça na esquina. Ali fica a igreja matriz que parece muito bonita! Adoro rezar nos templos vazios, em horas sem culto...

EXPERIÊNCIAS E COMPREENSÃO

"A Experiência Humana Mais Importante é a da Compreensão"  John Garrigues

Regina na casa de madeira do Hotel Cupim.
Sabemos que precisamos acumular experiências ao longo de nossas existências, visando ao nosso crescimento espiritual. Todavia, o que todo ser humano precisa mesmo é compreender essas experiências.  E a  nossa compreensão surge pelo contraste, pela comparação, pelo raciocínio, pela reflexão e, sobretudo, pela percepção de que toda a vida é idêntica, assim como pela percepção da lei que abrange toda a vida em seu sentido mais amplo. E quero continuar vivendo de maneira simples, buscando o entendimento de cada oportunidade...

Aleixo e Regina, em 09.03.2012.
Dormimos no Hotel Cupim, conforme relato anterior. É um hotel antigo e deve ter tido seus dias de glória, porque conta com uma estrutura maravilhosa, porém deixando a desejar em relação à sua manutenção. Soube que eles recebem grupos, dispõem de salão de convenções, internet, várias opções de lazer, em seu estilo de hotel fazenda. 

Hotel Cupim, na BR 040, MG.
O hotel é estilo rústico, mas muito amplo e esteticamente agradável. Seus funcionários são deveras atenciosos.  Seu nome deve-se à quantidade de cupins integrantes da paisagem local. Pertence a um grupo e tem posto de gasolina, lanchonete, loja de conveniência, nos arredores do hotel.

Rodamos mais um pouco pelas Minas Gerais. Acabamos mudando o roteiro planejado como acontece frequentemente. A  paisagem das estradas secundárias é belíssima, mas as pistas estreitas e com curvas acabam gerando maior tensão, sobretudo na co-pilota! Ao final da tarde, vamos parar em um cidade que a gente ainda desconheça.

quinta-feira, 8 de março de 2012

REFLEXÂO DOS VIAJANTES



Regina e Aleixo junto com  Tia Leonor,
em sua fazenda em Itaperuna.
Ao deixar Itaperuna, tínhamos a boa sensação do dever cumprido. É muito bom reencontrar os familiares depois de tanto tempo. Percebemos o contentamento grato de alguns que vivem um pouco isolados na Capivara, região em que se encontram as propriedades dos familiares que optaram por permanecer no campo. Qualquer visita é um acontecimento no seu dia a dia, quebra de rotina.
Outros estão na cidade, mas vivem a época dos limites em termos de locomoção  e respondem carinhosamente ao receberem um pouco de atenção. Esta troca é energética e saudável. Refletindo sobre cada quadro familiar, vimos como, no momento, a gente está bem! 

Aleixo ladeado pelos sobrinhos -
Rodrigo e Rafael.
Logo deixamos o Estado do Rio. Percorremos estradas até então desconhecidas por nós, no trajeto inicial. Boas  estradas, pouco movimentadas, muito verde nas elevações ao longo  do caminho. Pastos infinitos, curvas infindáveis. Na sinalização, abundavam as setas cobrinhas!

Passamos por Muriaé, Miraí, Cataguazes, Barbacena, Astolfo Dutra, Lavras, Cristiano Otoni, Lafaiete, entre outras tantas cidades.

Entre Barbacena e Lavras vimos uma cidade chamada Alfredo Vasconcellos. Quero perguntar se ela pertence ao meu amigo terapeuta. Ele também deve saber o gentílico do lugar com seu nome!

Escola fundada pelo pai do Aleixo  na
região da Capivara. 
Vamos voltar devagar, procurando conhecer novos espaços. Esta noite resolvemos pernoitar em um hotel chamado Cupim, na BR 040...Nome curioso, não é?

CONVIVÊNCIA COM FAMILIARES

Regina, Rodrigo, Marília, Rafael e Aleixo.
Aprende a ceder a favor da felicidade alheia. Quem não sabe tolerar não aprende a amar.Os teus familiares são as tuas lições imediatas.Sem paciência, o menor problema adquire proporções imensas.Não agridas verbalmente aqueles que convivem contigo.A gentileza abre portas há muito tempo cerradas. Não transformes o teu lar em cadinho esfogueante de aflições voluntárias. Torna mais aconchegante o teu ninho doméstico. Seleciona os assuntos de teus diálogos familiares. A família é o teu primeiro compromisso com Deus. “Vigiai e orai”, de Carlos A. Baccelli.

Tia Lourdes e Aleixo, em 07.03.12.
Aleixo saiu de casa aos 13 anos. Queria estudar, ganhar mundo e seu pai o levou para a casa de familiares no Rio de Janeiro. Seu avô João Nuss o advertiu à saída que tomasse cuidado para não virar mais um bandido carioca. O pessoal do interior do Rio – os fluminenses –  identificam-se bastante com os mineiros vizinhos e  tinham verdadeiro  horror  da má fama do carioca à época. Ele diz que sempre se lembrou das palavras do avô ao longo de sua vida.

Ele estudou, trabalhou muito. Tinha sede do estrangeiro e viveu grande parte de sua vida  no exterior. Mas sempre fez questão de voltar às origens, de visitar os parentes e todos reconhecem sua qualidade. Onde quer que a gente vá, é muito bem recebida por todos.  Mesmo porque alguns nunca saíram do local e gostam de ouvir as novidades.

Felipe e Marília, no enlace, 1986.
Mas sei que é mais fácil este tipo de convivência a distância. O dia a dia é o verdadeiro exercício de crescimento para o ser humano.

Ontem à noite visitamos a Tia Lourdes que nos pareceu melhor desde a última vez que aqui estivemos. Ela teve um AVC e sua fala foi atingida. Articula sons dificilmente identificados, mas pareceu-nos bem  cuidada e alegre em seus limites. Ela reconheceu o Aleixo e manifestou estar feliz com a nossa visita!

Depois visitamos a cunhada do Aleixo. Marília Bauer foi casada com seu irmão Felipe, mas ficou viúva cinco anos depois. Ela optou por criar os filhos, sozinha.  Rodrigo e Rafael tinham quatro e dois anos respectivamente. Ela é professora aposentada atualmente.

Minha cunhada Lu Nuss, junto
ao irmão Felipe, em 1986.
Fomos mesmo à fazenda do Tio Homero. Da última vez, Tia Leonor me presenteou com uma bela orquídea que floresce lá na Shamballa. Ela estava sozinha com a sua funcionária. Ela está bem, cuidando dos joelhos por meio de fisioterapia, algumas vezes na semana.  

Tio Homero tinha a ido a Italva e não pudemos esperá--lo. Mas tia Leonor nos mostrou os álbuns da família e copiamos algumas fotos preciosas. Imaginem que Tio Homero foi cadete na segunda guerra e continua ativo, saudável, trabalhando com muito mais de oitenta anos!

 

quarta-feira, 7 de março de 2012

HISTÓRIA DE ITAPERUNA


Regina na casa da árvore no sítio de
Antônio João e Maria Sandra. 
Estivemos fazendo as últimas visitas em Italva, tendo almoçado na casa de João Muniz e Ana Lúcia Nuss, primos do Aleixo. João do Bruno, como é conhecido, tem sido vereador por quatro pleitos. Agora, sua esposa é pré candidata a prefeita e nós nos comprometemos de estar aqui para sua posse em janeiro, com a bênção do cósmico. Eles são muito simpáticos e mais uma vez fomos muito bem acolhidos pelos familiares. Visitamos também Dedê e esposa, Lena e Valério, Elenir e Valmyr. Ficamos encantados com seu filho caçula – Emmanuel.
Elenir, Aleixo e Valmyr, em Italva. 

De Italva a Itaperuna são cerca de 50 km de carro. Antes da chegada dos primeiros colonizadores de origem europeia, a região era habitada por índios puris. A partir do século XVI, a região foi ocupada por bandeirantes e aventureiros que demandavam a baixada pelos afluentes da margem esquerda do Rio Paraíba do Sul. A atividade econômica predominante, a partir de então, foi a criação de gado, que se desenvolveu em fazendas de grandes extensões.

Aleixo, Regina e os primos: Dedê e Dilma. 
Por volta de 1830, entretanto, instalou-se aqui o desbravador José de Lannes Dantas Brandão. Ele teve iniciativas que passaram a atrair população para o núcleo pioneiro do futuro município. Lanes chegou à região após sua deserção da milícia do exército. Em 1834, ele se estabeleceu num lugar que foi denominado Porto Alegre. Pelos serviços de colonização, foi perdoado pelo governo, no entanto, em 1852, veio a ser morto por seus escravos.


Casa original da família Nuss, em 1960.
A partir do final do século XIX, com o advento da economia cafeeira, a colonização se efetuou de forma rápida e uniforme. Em 24 de novembro de 1885, o Decreto 2 810 elevou a Freguesia de Nossa Senhora da Natividade de Carangola (um dos primeiros nomes da cidade) à categoria de Vila de Itaperuna, levando esse nome por ser passagem para se chegar à Pedra do Elefante, localizada em Carangola, no estado de Minas Gerais.

Imagem da cidade de Itaperuna.
Em 1887, foi criada a freguesia de São José do Avaí, nome em homenagem às armas brasileiras na Guerra do Paraguai. Foram doados quinze alqueires de terra para patrimônio dessa vila pelo senhor Jaime Porto. A povoação foi elevada à categoria de vila em 1887, com a denominação de São José do Avaí, favorecida pela posição geográfica de fácil acessibilidade a Campos dos Goytacazes, reforçada posteriormente pela ligação ferroviária. A cidade teve o núcleo inicial em torno da linha da estrada de ferro, à margem esquerda do Rio Muriaé. Hoje, ambos os lados do rio estão ocupados pela malha urbana.
Cremilda, Totonho, Aleixo e Dalva, em
 06.03.2012.
A área experimentou crescimento regional, concomitante à ampliação de sua importância administrativa e, em 1889, foi elevada à categoria de cidade, com o nome de Itaperuna. Em 10 de maio de 1889, foi feita a primeira eleição para a câmara dos vereadores, sendo a vitória dos republicanos, que tomaram posse no dia 4 de julho do mesmo ano, sendo, portanto, a primeira câmara republicana do país, em pleno regime monárquico, regime esse que viria a ser desbancado pelo marechal Deodoro da Fonseca em 15 de novembro desse mesmo ano. Em 6 de dezembro de 1889, foi a vila de São José do Avaí transformada em município de Itaperuna, sendo criada sua respectiva comarca. 
Aleixo, Cássia, Ana Lúcia, João e Regina. 
O desenvolvimento da economia cafeeira na área foi responsável pela concentração de atividades comerciais e de serviços na cidade de Itaperuna, que passou a desempenhar funções de centro sub-regional do nordeste fluminense. A cultura cafeeira foi um grande destaque na economia da cidade por mais de quatro décadas, tornando-a, em 1927, a maior produtora nacional.
O declínio da atividade cafeeira fez com que a região passasse a sofrer fortes efeitos regressivos. A pecuária de corte desenvolveu-se, então, voltada para o abastecimento dos grandes matadouros e frigoríficos, desenvolvendo-se, posteriormente, a produção leiteira, estimulada pela presença da fábrica de leite em pó Glória na sede municipal.

Alfredo e Mercedes Nuss,
na década de 50.
A área municipal, atualmente, não abrange a mesma base territorial da época da criação, que se estendia aos atuais municípios de Laje do Muriaé, Natividade e Porciúncula, porém sua importância permanece na região. Do território original do município de Itaperuna, foram desmembrados os seguintes municípios: Bom Jesus do Itabapoana, em 1938, Natividade e Porciúncula, em 1947, e Laje do Muriaé, em 1962, ficando Itaperuna com seu atual contorno.

Já estamos bem acomodados em Itaperuna e daqui a pouco visitaremos os dois sobrinhos do Aleixo, filhos de seu falecido irmão Felipe, além de outros familiares. Conseguimos fotos incríveis, verdadeiras relíquias da  família Nuss!