sábado, 18 de agosto de 2012

CAMINHADA NA LAGOA


Aleixo e Regina, na Lagoa.
Saímos para uma caminhada ao redor da Lagoa Rodrigo de Freitas nesta manhã. Sei que no início da ocupação da cidade do Rio de Janeiro, esta área era chamada de Jardim da Gávea e englobava os atuais bairros da Gávea, Jardim Botânico e Lagoa. Aqui havia propriedades rurais, latifúndios em que se cultivava a cana-de-açúcar.
Após a chegada da Família Real na colônia, em 1808, houve a necessidade de se construir uma fábrica de pólvora para proteger a cidade de prováveis invasões francesas. Essa foi edificada nos arredores da Lagoa Rodrigo de Freitas. 
Aleixo e Regina perto da Fonte da Saudade.
Em virtude da decadência do ciclo da cana, na metade do século XIX, as antigas fazendas tornaram-se chácaras. Na época, a cidade era dividida em freguesias e a ocupação residencial se intensificou quando a Rua São Clemente foi aberta e quando os bondes de burro alcançaram a Freguesia da Gávea, a futura Zona Sul carioca. 
Aleixo com as araras na Lagoa.
Uma das histórias peculiares do bairro é a da Fonte da Saudade. Essa fonte ficava localizada no fim da primitiva praia da Lagoa por onde Aleixo e eu caminhamos hoje. Na passagem do século XIX para o século XX, as lavadeiras portuguesas que atendiam às famílias abastadas de Botafogo se reuniam em torno da fonte lavando as roupas e compartilhando as saudades de sua terra natal. E esta professora de literatura não poderia esquecer que a personagem João Romão de O Cortiço, de Aluísio de Azevedo, morava ali perto! 
Lagoa Rodrigo de Freitas, agosto, 2012
As reformas urbanísticas realizadas trouxeram o saneamento básico à região e a sua urbanização. Na década de 1920, o local nobre ganhou a Avenida Epitácio Pessoa, que circunda a orla da lagoa. Nela, foram construídas mansões da elite carioca, além do Jóquei Clube Brasileiro. 
Nos anos 1970, algumas construtoras aterraram ilegalmente a Lagoa que perdeu grande parte de sua área original. Posteriormente, houve a proibição de outras modificações na linha do espelho d’água do reservatório, além da restrição de construções na área. 
Outra imagem da Lagoa.
Após muitas tentativas, a Lagoa foi parcialmente despoluída e, ao mesmo tempo, o bairro começou a ser um dos redutos da vida noturna da cidade. Agora se percebe a revitalização da Lagoa, cuidada com preocupação ecológica. 
Paramos à sombra por instantes para admirar araras em um bar rústico, ao ar livre, com o chão forrado de serragem. Defronte, o imenso espelho d´agua da lagoa com a visão do Cristo Redentor ao alto! Beleza de cartão postal ao vivo!

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

NA REGIÃO DOS LAGOS


Aleixo e Regina, em Saquarema, 15.8.12.
A gente percebe a magia da região dos lagos e da Costa do Sol quando vê os primeiros moinhos de vento que constituem a marca registrada da localidade. Então, podemos vislumbrar dezenas de praias e lagoas belíssimas, uma após a outra. Um roteiro perfeito para quem gosta de sol, vento, mar, esportes aquáticos como o skite surf, wind surf, encontrar gente bonita e boa comida. A beleza da paisagem justifica o fato de o Rio de Janeiro ser o único cenário tombado como patrimônio da humanidade!
Casal na Pousada da Tia Tatá, em Búzios
Vimos restaurantes de qualidade internacional e uma intensa vida noturna, apesar de não ser este o nosso interesse primordial. Também observamos uma das mais belas regiões da costa brasileira. Totalmente ensolarada durante mais de 300 dias do ano e com praias extensas e indescritivelmente belas.
Atravessamos a ponte Rio Niterói em direção a Itaipu que é um bairro da cidade e praia famosa. Passamos por um local maravilhoso que nem constava do mapa, mas com condomínios de luxo à beira mar e aparente qualidade de vida chamado Caboinhas. 
Aleixo e Regina, em Rio das Ostras.
A seguir, nós nos dirigimos para Maricá, Jacomé e  almoçamos em Saquarema. Lá visitamos a mesma igreja de Nossa Senhora de Nazaré onde Aleixo e eu estivemos há mais de dez anos.
Rumo a Búzios, passamos por Bicuíba e Araruama. Ali vimos enormes lagoas que se confundem com o mar.
Resolvemos ficar em Búzios e selecionamos uma pousada agradável perto da Praia da Tartaruga e no Portal da Praia da Ferradura. Jantamos nunca cantina italiana próxima. Estivemos também na Orla  Bardot que nada fica a dever à Riviera italiana. O lugar ficou famoso depois da passagem da atriz Brigite Bardot que residiu no lugar, na década de sessenta.
Na volta resolvemos passar por Rio das Ostras e São Pedro da Aldeia. Visitamos a famosa Casa da Flor. A casa da Flor foi construída espontaneamente por Gabriel Joaquim dos Santos, entre 1912 e 1985, com materiais recolhidos de lixos domésticos e refugo de construções do local.
Aleixo e Regina, na Casa da Flor.
Em 1987, com o objetivo de preservar e divulgar a casa e o trabalho de Seu Gabriel, foi  criada a Sociedade de Amigos da Casa da Flor, hoje Instituto Cultural Casa da Flor, uma entidade civil sem fins lucrativos.
A construção da casa iniciou em 1912. Após um sonho do artista,  a partir de 1923, ela passou a ser acrescida, aos poucos, com objetos encontrados no lixo, cacos de cerâmica, de louça, de vidro, de ladrilhos e de outros objetos considerados imprestáveis para o uso, tais como: lâmpadas queimadas, conchas, pedrinhas, correntes, tampas de metal, manilhas, faróis de automóveis. Todo esse conjunto foi combinado de maneira a compor flores, folhas, mosaicos, cachos de uvas, colunas e esculturas fantásticas, fixados dentro e fora da casa.
Regina e o Senhor Valdevi, em São Pedro
da Aldeia, 16.08.2012.
A Casa da Flor já foi documentada e filmada por meio de iniciativas no sentido de enaltecimento e conservação de seu valor cultural. A obra constitui arquitetura orgânica e surreal.
A professora e pesquisadora Amélia Zaluar, que conviveu com o artista durante oito anos (1978 - 1985), escreveu uma monografia sobre a Casa da Flor, intitulada “A Casa da Flor – Tudo caquinho transformado em beleza”.
Ali conversamos com Valdevi, sobrinho do artista, que cuidou dele até sua morte e hoje ajuda na manutenção dessa obra de arte.
Ficamos apaixonados por Rio das Ostras e pretendemos voltar aqui outras vezes. 

domingo, 12 de agosto de 2012

CHEIRO DA FELICIDADE SONHADA


Regina, no Rio,
em 12.08.2012.
Neste dia dos Pais, Aleixo e eu almoçamos no Aipo Aipim e saímos satisfeitos com a refeição e a receptividade local. Ao atravessar a rua do cinema Roxy, eu divisei a bela imagem azul do mar de Copacabana, ao fim do quarteirão à minha esquerda.
Parei por um instante infinito. Comecei a sentir o mesmo cheiro de felicidade que experimentei no mês de março, em 69, quando estivemos hospedadas, por uns dias, na casa da Dezinha e do Zezinho, em Ipanema. 
Divina, na década de 60.
Éramos três jovens sonhadoras – Divina, Lazita e eu. Na época, a gente não sabia, mas o filme do resto de nossas vidas estava apenas começando neste palco da Cidade Maravilhosa.
Que sensação de felicidade misteriosamente romântica, eu senti, então!  Nós, a exemplo dos adolescentes de qualquer idade, acreditávamo-nos especiais e preparadas para conquistar nossos sonhos!
Tampouco, sabíamos, mas eu me casaria daí a poucos meses. Divina, no ano seguinte, quando esta sua amiga irmã já morava em São Paulo.
É que o operador divino tinha acelerado a projeção do filme de nossas vidas e a gente mal havia se dado conta... Tantos outros filmes se desenrolavam paralelamente e de modo célere, mudando valores, costumes, crenças, projetos e tantas outras coisas no planeta...
Regina, Divina e o neto Luis Gabriel, 2004.
Ida à lua... Descoberta da pílula... Inúmeras quebras de tabus...
E, diferente dos contos de fada, em que os envolvidos casam-se e são felizes para sempre, a partir de então, começamos a desfolhar as páginas da história desta nossa existência terrena... Com alegrias e tristezas, acertos e desacertos, batalhas em todos os sentidos, tantas buscas, perdas e ganhos, experiências múltiplas, muitas realizações mescladas à fé e à esperança, sempre renovadas em nossas vidas reinventadas a cada dia!

sábado, 11 de agosto de 2012

VIAGEM A ITAGUAÍ


Aleixo e seu primo Saulo Merlim.
Aleixo fez contato com um primo paterno   e ele nos convidou para visitá-lo em Itaguaí. Nunca havia ouvido sobre esta cidade situada a cerca de 70 km da capital, logo após o município de Santa Cruz. Assim, quis pesquisar sobre o local.
O território no qual está instalada a cidade de Itaguaí foi desbravado no século XVII, pelos índios Jaguaremenon. A tribo dos Y-tingas se desenvolveu, prosperou e passou a rechaçar a presença dos jesuítas, gerando vários conflitos. Num deles, um pequeno índio de dez anos foi ferido e preso por futuros brasileiros, sendo batizado com o nome de José Pires Tavares.
Aleixo, Arthur, Regina, Analy, Saulo
e Leda.
Tavares cresceu entre os futuros brasileiros, mas sempre pensou em defender seu povo. Quando fez trinta anos, já casado com uma índia, embarcou rumo a Portugal buscando uma carta de proteção para aldeia Y-tinga, junto à Coroa Portuguesa. Foi recebido no Paço Real pela rainha Dona Maria I.
Os futuros brasileiros que sabiam da alta chance de o indígena conseguir a proteção régia não perderam tempo. Atacaram a aldeia durante sua viagem, não distinguindo sexo ou idade. Os sobreviventes foram amarrados a barcos com furos e lançados ao mar, morrendo todos afogados.
Vista de Itaguaí.
José Tavares retornou de Portugal juntamente com o Conde de Resende tendo como ordem da Rainha dona Maria I que fossem restituídas as terras dos indígenas. José Pires ainda reivindicou a posse efetiva das terras indígenas em 1804, tendo em vista a possível arrematação do Engenho de Taguay localizado dentro destas. Morreu em 1805. O Engenho de Taguay foi arrematado por proprietários, entre eles Antônio Gomes Barroso, primeiro alcaide-mor de Itaguaí. Mesmo com esse fato, os nativos ainda permaneceram ali por algum tempo.
Itaguaí nos anos 50.
Após a barbárie, foi fundada pelos colonos a Vila de Itaguaí, que passou a ser uma rota de viagem padrão para os viajantes para São Paulo e para as Minas Gerais, o chamado Caminho do Ouro, devido ao terreno pouco acidentado e transitável durante todo o ano, com poucos alagadiços e com bastante água para os animais.
Por volta de 1725, iniciou-se a construção desse caminho que ligava o Rio de Janeiro a São Paulo com o objetivo de encurtar a viagem exaustiva e perigosa que era feita por mar, de Paraty ao porto do Rio, pois habitavam na Ilha Grande uma enorme quantidade de corsários que assaltavam as embarcações que por ali passavam. Isto quase sempre representava prejuízos à Coroa Portuguesa.
Imagens de Itaguaí - Cidade Porto
No século XIX, na famosa viagem na qual seria proferido o Grito de Independência do Brasil, Dom Pedro I parou na vila para pernoitar, alimentar e saciar seus cavalos. O local hoje se chama Praça Dom Luís Guanela e situa-se próximo à Igreja Matriz de São Francisco Xavier.
Em 1844, foi fundado o distrito de Seropédica, cujo nome deriva da sericultura - criação do bicho da seda. Foi o início da primeira Fábrica de Tecidos de Seda do Brasil.
Depois da Independência do Brasil, Itaguaí desenvolveu a sua agricultura, sendo, em tempos diversos, o maior produtor de milho, quiabo, goiaba, laranja e banana, no Brasil. Recebeu inicialmente o uso de trabalho escravo de negros, que foi gradualmente substituído por mão de obra estrangeira, mais especificamente de japoneses, em 1838 e, em menor número, de alemães. Ainda hoje, é uma das maiores colônias japonesas do estado do Rio de Janeiro.
Regina e a prima Analy,
 também professora.
Em 1938, começou a ser construída a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, no distrito de Seropédica, utilizando as instalações de uma antiga fábrica de seda.
Até a década de 1950, a má admistração pública gerou diversos problemas sociais, resultando em surtos recorrentes de malária, cólera e outras doenças erradicadas das cidades vizinhas. Tal fato trouxe má fama à cidade, que ganhou o apelido de Município Abandonado.
Saulo Merlim.
A partir da década de 1960, a cidade começou a se industrializar com a construção de fábricas como a Ingá Mercantil (zinco), a Nuclep (material termonuclear) e de outras empresas no Distrito Industrial de Santa Cruz. Em 1960, o distrito de Paracambi foi emancipado da cidade e, em 1995, o distrito de Seropédica também se separou. Muitas partes do município também foram perdidas para Mangaratiba e para a cidade do Rio de Janeiro.
Na década de 1970, a cidade passou a ter ligação mais fácil com o litoral com a construção da Rodovia Rio-Santos.
Itaguaí, hoje, é um município em grande crescimento. A Companhia Siderúrgica do Atlântico, que fica em Santa Cruz, bairro do Rio vizinho à cidade, promete dinamizar a economia local, além dos investimentos no Porto de Itaguaí. Novos portos privados, como o Porto Sudeste com investimentos de mais de R$ 2 bi estão por se instalar na cidade, além de estaleiros civil e militar. A marinha brasileira pretende construir submarinos em Itaguaí, inclusive atômico, em parceria com o governo francês e estabelecer ali uma base naval.
Aleixo e Regina no lar goiano.
Na história recente, são destaques os problemas advindos da falida fábrica de zinco Ingá Mercantil, cujos dejetos químicos abandonados causam graves problemas ecológicos. A compra do terreno da Ingá Mercantil pela siderúrgica Usiminas promete dar fim a esse passivo ambiental.
O primo do Aleixo é o Saulo Merlin, filho da irmã  do Seu Sílvio – Laurinda - que Aleixo nem conheceu pessoalmente. Meu marido conviveu bastante com Saulo quando veio morar no Rio, na adolescência. Depois, tomaram rumos diversos e se reaproximaram graças aos  recursos das redes sociais. 
Meus netos brasilienses.
Hoje, eles lembraram acontecimentos da juventude e riram muito das peças que pregavam em um vizinho português. Segundo o Saulo, Aleixo era o mentor intelectual das diabruras que aprontavam! Disse-me, ainda, que Aleixo adorava sair bem vestido e costumava engraxar os próprios sapatos antes de sair de casa. 
Como meu enteado Arthur passou pelo Rio antes de ir encontrar a mulher e filha em Natal, nós aproveitamos para visitar Itaguaí e conhecer os parentes, aceitando o amável convite para o almoço do sábado.  Fomos brindados com um delicioso churrasco com direito a pão de alho. Também, banana assada, suco de cajá e doce de laranja, das frutas colhidas no quintal. Leda e Analy, esposa e filha do Saulo,  são uma simpatia e gostamos muito  da refeição familiar com boa prosa.
Na ida fomos  de carro pela Avenida Brasil, mas, no retorno, optamos passar pela Barra e curtir a bela paisagem marinha. Erramos o trajeto a princípio e tivemos oportunidade de chegar à famosa siderúrgica local.


quarta-feira, 8 de agosto de 2012

CRIANÇAS E SUAS LEITURAS DE MUNDO


Juliana e Matheus na chácara da avó
Ontem lembramos algumas colocações das crianças precoces da atualidade e do passado, conforme o ambiente em que vivem. Minha neta Juliana de três anos foi colocada na cadeira de pensar, sob a ameaça da mãe, depois de longo discurso recheado de bons conselhos maternos.  
– Juliana, não saia desta cadeira até que eu o permita!
Geraldo, Regina, Aleixo, Cida, Giuliana
e Tia Dolores em Nova Uguacu.
Ela ficou lá em silêncio por algum tempo. Depois, levantou-se junto com a cadeira e começou a circular pelo ambiente sob o olhar atento do irmão de oito anos. Luciana ouviu o barulho e veio repreendê-la, questionando a sua desobediência.
Ela respondeu prontamente.  - Você me disse para não sair da cadeira e eu não saí, estou andando com ela!
Leitões antes da castração.
Matheus disse à mãe que a irmã não mentiu. Ela não saiu da cadeira, saiu com ela! Luciana ficou sem ação, rindo mentalmente do raciocínio lógico da filha.
Aleixo lembrou-se de sua infância. De vez em quando seu Agostinho ia ao sitio de seu pai para castrar os porcos. Era muito bem recebido. Passava o dia inteiro lá e sua mãe caprichava nos lanches, nas refeições.
Casa fotografada na fazenda dos primos
 do Aleixo.
Todos o acolhiam muito bem aproveitando a chance de trocarem as novidades, uma vez que ele fazia esse trabalho em várias fazendas e sempre trazia novidades, informações que constituíam o lúdico na rotina rural.
Naquele dia, ele castrou muitos porcos. Tinha direito de escolher um leitão ao final da lida, além do tratamento vip por parte de seus pais e dos moradores da propriedade.
Casa da Família Nuss , 1960.
Lexin devia ter uns quatro anos, acompanhava todo o movimento sem perder nenhum detalhe. Falava pouco, mas observava tudo. Aprendia a ser útil desde muito cedo, borrava-se todo para agarrar os porcos dentro do chiqueiro enlameado, era parte da brincadeira, era feliz...
Ao término do trabalho, seu Agostinho perguntou se havia mais algum porco a ser castrado. 
Minha sobrinha neta Aurora, 01!
Um peão apontou em direção ao menino e disse que faltava aquele. Aleixo também foi rápido, respondendo:
- Vou ficar para Cachaço!
Cachaço é o porco não castrado, que fica como reprodutor da espécie!

terça-feira, 7 de agosto de 2012

MEDITAÇÃO NAS RODOVIAS


Aleixo e Regina, no Arpoador.
Adoro viajar. Para mim, isso constitui verdadeira meditação! Aleixo dirigiu sozinho desta vez, mas não abro mão de copilotar o veículo. Ele não se importa quando chamo a sua atenção em relação à velocidade ou o lembro de algo óbvio. Bom companheiro, cúmplice de tantas aventuras!
Juju, Lane, Rita, Helen e eu, jul,12. 
Saímos da chácara no domingo, passamos por Caldas, Araguari, Uberlândia, pegamos a Anhanguera, a Dom Pedro, a Dutra, parando para dormir em Pirassununga, São Paulo. 
Lá se hospedava também a dupla João Neto e Frederico que voltava de gravação no Projac! 
Nesta época os ipês estão floridos em cores várias - rosa, amarelo e roxo.  
Fábia, Vaíte e Regina.
É linda a paisagem que ainda está verde por causa das chuvas que se prolongaram neste ano. E como há plantações de cana de açúcar em São Paulo! Gosto do tom verde e do cheiro que aromatiza o caminho que percorremos!
Paramos algumas vezes. A Graal é a melhor e mais completa rede de postos de serviço nas estradas brasileiras e a gente encontra muitas unidades em Minas, São Paulo e Rio. 
Juju, vovó Regina e Teteu.
Quem viaja sabe a importância de encontrar tudo o que precisa e fazer um breve descanso em lugar agradável e seguro.
As taxas de pedágio são muitas. Quatorze. Somamos mais de cem reais ao longo dos quilômetros percorridos. Mas é possível vir por Minas e gastar menos, com fizemos em viagens anteriores.
Todavia, gosto muito do estado de São Paulo, região com que me identifico bastante. Pirassununga é uma cidade muito simpática e o hotel Othon Suítes é novinho e bem agradável.
Lu, Otávio e Regina.
Encontramos nosso apartamento, no Rio, limpo e organizado. Heleno Godoy, a esposa Luci e a filha Mariana estiveram aqui antes de nós e lhes agradecemos o carinho cuidadoso com o nosso lar carioca.
Ao longo do caminho, mantive contato com a Keila Matos que gentilmente revisa meu novo livro - Confidências de uma Blogueira. Minha irmã Clélia me manteve informada sobre a recuperação do irmão Júnior, em Goiânia.
Vera, Annunziata, Regina e Luzeni.
Agora lembro-me com saudade dos netos que não encontrarei nesta temporada na praia. A convivência frequente do mês das férias escolares me deixou mal acostumada.
Como viemos de carro, pensamos realizar passeios pelos arredores. Aleixo quer encontrar primos em Itaguaí e Saquarema e, talvez, a gente volte por Barretos, passando pela festa do peão, no final de agosto. Aqui  também queremos reencontrar alguns amigos... 

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

TIO VENERANDO


Regina, 2012.
Tio Venerando teve papel relevante na minha família. Era casado com minha tia paterna e amigo inseparável de meu pai muito antes de eu nascer. Sei que foi ele quem pediu a mão de minha mãe em casamento, costume da época.
Minha mãe afirmava que as festas do início de Goiânia não tinham graça se ele não comparecia. 
Tio Venerando Freitas Borges
Tinha um humor incrível, boa aparência e dançava divinamente. Mamãe dizia que as mulheres suspiravam por ele disfarçadamente. Mas ele era verdadeiramente apaixonado por minha tia e, para ele, ela sempre constituiu modelo de virtudes e beleza!
Era raro o dia que ele não nos visitava em casa e eu tinha uns cinco anos quando ele começou a ensinar-me a dançar! Tio Venerando dançava valsas e tangos como poucos!
Sempre trabalhou muito e defendia a educação e a honestidade com afinco! Uma vez soube que um neto não seguia seu exemplo de idoneidade. Quando foi testado, respondeu que o tratassem com a lei e esquecessem seu parentesco.
Maria Araujo Freitas Borges
Venerando teve uma vida interessantíssima. Foi prefeito por 14 anos no primeiro mandato, não foi um político ladrão. Nunca teve amante. Perdeu cinco dos seis filhos. Passou por duas ditaduras, em 1930 e 1964. Foi secretário da Fazenda, contador geral, deputado estadual, presidente do Tribunal de Contas, diretor da Assembleia Legislativa, prefeito novamente em 1950. Tinha mais de 30 carteiras funcionais. Sobreviveu a acidentes de avião, mas perdeu o filho caçula e um genro em desastres aéreos.
Minha prima Nizinha, sua única filha que o sobreviveu, foi minha professora de piano. Ela sempre se destacou na sociedade goianiense por sua elegância e educação, sendo muito conhecida e respeitada por sua escola Yufon.
Cunhada Hermínia Araujo
Nize me levou amavelmente aos primeiros bailes da adolescência. Quando me casei, em 69, seu marido Agenor me conduziu ao altar representando meu pai.
Eu poderia escrever um livro resumindo todas as histórias familiares nas quais meu Tio Venerando atuou junto com meus pais, irmãos, tios, avós, primos... Sempre admirei a sua força, gostava tanto dele! Era muito prazeroso conversar com ele, ouvir as suas histórias nos últimos anos de sua existência terrena!
Na infância, lembro-me de seu sítio na estrada de Hidrolândia em que me encarregaram de colher as jabuticabas mais altas e subi com uma lata de 20 litros. Comi tanta jabuticaba que passei mal o dia todo e durante anos não consegui nem provar a nossa frutinha...
Didi, Marco e José Araujo, cunhado e
amigo de Venerando.
Lembro-me de quando ele ia a nossa casa se aconselhar com papai ou buscar seu ombro na série de conflitos que enfrentava a cada vez... De um de meus primos envolvido com galos briga ou em sua lambreta, a exemplo do mito James Dean, da juventude da época... Da doença de minha prima Éclair que partiu aos 32 anos deixando cinco filhos pequenos... Do acidente do primo Luiz Roberto que desapareceu com mais dois colegas em viagem de avião em 63...Da morte precoce de filhos, genro e neto entre tantos outros dramas vividos por meu tio.
Minha mãe, tia Maria e tio Venerando.
Depois que papai morreu, ele nunca mais conseguiu frequentar a nossa casa. Um dia mamãe lhe cobrou a ausência e ele chorou ao explicar que ainda não conseguira superar a partida do amigo!
Uma das últimas festas familiares a que compareceu foi o casamento de minha filha Fábia em julho de 93. A gente não sabia, mas ele partiria meses depois, na véspera de meu aniversário, quando eu corrigia provas do vestibular da Federal.
Vovó Maria, sogra de Venerando
Quando eu terminei o segundo grau, eu já falava inglês e francês, seguindo o exemplo de meu primo e ídolo Luiz Roberto que faleceu no mesmo ano em que dançou comigo a valsa dos meus quinze anos.
Eu gostava muito de ler, escrever, mas tinha dúvidas sobre a escolha da graduação. Ele foi taxativo! Possivelmente logo eu me casaria e teria filhos. O magistério me daria maior flexibilidade para conciliar a vida profissional e familiar... Segui seu conselho!
Vovô João Araújo, seu sogro.
Um dia eu lhe contei que queria escrever a história de minha família, destacando a vida de meu pai que muitos perderam a chance de conhecer fisicamente. Ele aconselhou-me a fazê-lo logo. 
Confessou-me que também havia tido essa ideia, mas foi adiando e, quando o percebeu, o tempo havia passado. Prometi que o faria, mas também fui adiando...