segunda-feira, 20 de agosto de 2012

SERRA NEGRA E COPACABANA


Regina na antiga residência de Jorge Amado
Havia uma foto que instigava a imaginação curiosa de todos os irmãos Araújo na infância. Ela foi tirada em Serra Negra, SP, antes de nosso nascimento. Meu pai a mostrava a todos dizendo que ele mesmo havia tirado a foto no jardim da pousada onde nossa mãe e ele se hospedaram durante uma estação de águas. 
Com as araras na Lagoa.
Papai  não entendia por que ao revelar os negativos aparecia uma perna humana avulsa e em posição invertida que não estava no cenário que ele registrou. Agora, conversando com minha irmã Clélia, ela garante que se lembra apenas da bota que aparecia visível. Talvez, minha memória acrescentasse a perna por conta própria devido à imaginação da aspirante à escritora. Mas, no retorno do Rio, quero passar para conhecer essa cidade.
Cristo de Serra Negra, SP.
Soube que o turismo é o alicerce da economia local e se subdivide em três partes: o comercial, ligado a compras na região; o rural, que explora o cotidiano das fazendas e o ecológico, com enfoque nos passeios programados pela cidade. O ecoturismo surge como forma de aproveitar os recursos hidrominerais da cidade para o desenvolvimento sustentável do meio ambiente e da economia local.
Localizada no interior paulista a 153 km de São Paulo, 72 de Campinas e a 59 de Mogi-Mirim, a região é também conhecida como Cidade da Saúde e, além de suas águas minerais com poderes terapêuticos, conta com o clima de montanha. Imaginem que em homenagem ao Cristo carioca, o município inaugurou, em 1952, o monumento ao Cristo Redentor. A obra está localizada a 1.080 m de altura e tem 18 m, sendo 06 de pedestal e 12 de estátua.
Praia de Copacabana, no Rio.
Fábia me encomendou uma lanterna pediátrica e aproveitamos para ir às compras pelo bairro de Copacabana. Passamos pela Rua Rodolfo Dantas e pudemos observar o edifício Sumaré no qual residiu Jorge Amado, juntamente com sua esposa Zélia Gatai e a filha Paloma. O novo proprietário mantém, no apartamento 704, a antiga decoração e, no dia 10 de agosto deste, centenário do autor, colocaram uma placa em sua homenagem na portaria do prédio. Prometi ao Heleno Godoy que um dia haverá uma placa neste Condomínio Dom Miguel registrando a sua passagem! E de outros autores que aqui vierem...

domingo, 19 de agosto de 2012

BACON & EGGS DO ALEIXO


Regina à beira da Lagoa Rodrigo Freitas
Acordei com o cheirinho de ovos com bacon preparados por meu marido. Esta é a sua especialidade! Delicioso! Ninguém consegue fazer melhor que ele! Detalhe: os ovos são do tipo caipira, trazidos lá de nossa Shamballa!
Depois fomos dar uma volta pela feirinha de Ipanema. Ela existe há mais de quarenta anos e é uma das maiores do país. Os turistas nacionais e estrangeiros ficam encantados. Como goianoca, de espírito cigano, gosto de feiras e sempre faço questão de conferir as novidades criativas. 
Aleixo e Regina, 18.08.2012.
Íamos almoçar no Flamengo que ainda não visitamos nesta temporada, mas desistimos por hoje. Saudade do arroz com brócolis, das pescadinhas e coradas! Preferimos curtir um cineminha carioca aqui no Roxy, após a caminhada pelo calçadão com direito ao conserto de Chorinho, no Forte de Copacabana. 
O  Roxy é um cinema localizado no bairro de Copacabana, no Rio de Janeiro, fundado em 3 de setembro de 1938. Hoje, é o único cinema em funcionamento no bairro e reconhecido pela prefeitura como "marco referencial na cultura cinematográfica da cidade".
Cristo Redentor fotografado pelo Aleixo
Ele foi inaugurado quando estreava o filme Bloqueio, protagonizado por Henry Fonda. Na época existiam vários outros cinemas no bairro.
Desde sua  estreia, o Roxy vem se mantendo como uma das principais salas de exibição de filmes do bairro e, entre os muitos outros cinemas que já existiram aqui,  ele foi o único que restou.
Meryl Streep
No início dos anos 90, o Roxy passou por uma grande reforma e passou a comportar 3 salas menores: Roxy 1, 2 e 3. Nos anos 2000, após nova intervenção, passou a contar com poltronas numeradas, além de pequenas mudanças e intervenções em sua fachada. Ele tem público cativo e tem sido importante no lazer de gerações de moradores. 
Vamos assistir Divã para Dois, com a Meryl Streep, de quem gostamos tanto! O sol brilha, mas venta bastante.  Senti frio e reduzimos a caminhada vespertina...

sábado, 18 de agosto de 2012

CAMINHADA NA LAGOA


Aleixo e Regina, na Lagoa.
Saímos para uma caminhada ao redor da Lagoa Rodrigo de Freitas nesta manhã. Sei que no início da ocupação da cidade do Rio de Janeiro, esta área era chamada de Jardim da Gávea e englobava os atuais bairros da Gávea, Jardim Botânico e Lagoa. Aqui havia propriedades rurais, latifúndios em que se cultivava a cana-de-açúcar.
Após a chegada da Família Real na colônia, em 1808, houve a necessidade de se construir uma fábrica de pólvora para proteger a cidade de prováveis invasões francesas. Essa foi edificada nos arredores da Lagoa Rodrigo de Freitas. 
Aleixo e Regina perto da Fonte da Saudade.
Em virtude da decadência do ciclo da cana, na metade do século XIX, as antigas fazendas tornaram-se chácaras. Na época, a cidade era dividida em freguesias e a ocupação residencial se intensificou quando a Rua São Clemente foi aberta e quando os bondes de burro alcançaram a Freguesia da Gávea, a futura Zona Sul carioca. 
Aleixo com as araras na Lagoa.
Uma das histórias peculiares do bairro é a da Fonte da Saudade. Essa fonte ficava localizada no fim da primitiva praia da Lagoa por onde Aleixo e eu caminhamos hoje. Na passagem do século XIX para o século XX, as lavadeiras portuguesas que atendiam às famílias abastadas de Botafogo se reuniam em torno da fonte lavando as roupas e compartilhando as saudades de sua terra natal. E esta professora de literatura não poderia esquecer que a personagem João Romão de O Cortiço, de Aluísio de Azevedo, morava ali perto! 
Lagoa Rodrigo de Freitas, agosto, 2012
As reformas urbanísticas realizadas trouxeram o saneamento básico à região e a sua urbanização. Na década de 1920, o local nobre ganhou a Avenida Epitácio Pessoa, que circunda a orla da lagoa. Nela, foram construídas mansões da elite carioca, além do Jóquei Clube Brasileiro. 
Nos anos 1970, algumas construtoras aterraram ilegalmente a Lagoa que perdeu grande parte de sua área original. Posteriormente, houve a proibição de outras modificações na linha do espelho d’água do reservatório, além da restrição de construções na área. 
Outra imagem da Lagoa.
Após muitas tentativas, a Lagoa foi parcialmente despoluída e, ao mesmo tempo, o bairro começou a ser um dos redutos da vida noturna da cidade. Agora se percebe a revitalização da Lagoa, cuidada com preocupação ecológica. 
Paramos à sombra por instantes para admirar araras em um bar rústico, ao ar livre, com o chão forrado de serragem. Defronte, o imenso espelho d´agua da lagoa com a visão do Cristo Redentor ao alto! Beleza de cartão postal ao vivo!

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

NA REGIÃO DOS LAGOS


Aleixo e Regina, em Saquarema, 15.8.12.
A gente percebe a magia da região dos lagos e da Costa do Sol quando vê os primeiros moinhos de vento que constituem a marca registrada da localidade. Então, podemos vislumbrar dezenas de praias e lagoas belíssimas, uma após a outra. Um roteiro perfeito para quem gosta de sol, vento, mar, esportes aquáticos como o skite surf, wind surf, encontrar gente bonita e boa comida. A beleza da paisagem justifica o fato de o Rio de Janeiro ser o único cenário tombado como patrimônio da humanidade!
Casal na Pousada da Tia Tatá, em Búzios
Vimos restaurantes de qualidade internacional e uma intensa vida noturna, apesar de não ser este o nosso interesse primordial. Também observamos uma das mais belas regiões da costa brasileira. Totalmente ensolarada durante mais de 300 dias do ano e com praias extensas e indescritivelmente belas.
Atravessamos a ponte Rio Niterói em direção a Itaipu que é um bairro da cidade e praia famosa. Passamos por um local maravilhoso que nem constava do mapa, mas com condomínios de luxo à beira mar e aparente qualidade de vida chamado Caboinhas. 
Aleixo e Regina, em Rio das Ostras.
A seguir, nós nos dirigimos para Maricá, Jacomé e  almoçamos em Saquarema. Lá visitamos a mesma igreja de Nossa Senhora de Nazaré onde Aleixo e eu estivemos há mais de dez anos.
Rumo a Búzios, passamos por Bicuíba e Araruama. Ali vimos enormes lagoas que se confundem com o mar.
Resolvemos ficar em Búzios e selecionamos uma pousada agradável perto da Praia da Tartaruga e no Portal da Praia da Ferradura. Jantamos nunca cantina italiana próxima. Estivemos também na Orla  Bardot que nada fica a dever à Riviera italiana. O lugar ficou famoso depois da passagem da atriz Brigite Bardot que residiu no lugar, na década de sessenta.
Na volta resolvemos passar por Rio das Ostras e São Pedro da Aldeia. Visitamos a famosa Casa da Flor. A casa da Flor foi construída espontaneamente por Gabriel Joaquim dos Santos, entre 1912 e 1985, com materiais recolhidos de lixos domésticos e refugo de construções do local.
Aleixo e Regina, na Casa da Flor.
Em 1987, com o objetivo de preservar e divulgar a casa e o trabalho de Seu Gabriel, foi  criada a Sociedade de Amigos da Casa da Flor, hoje Instituto Cultural Casa da Flor, uma entidade civil sem fins lucrativos.
A construção da casa iniciou em 1912. Após um sonho do artista,  a partir de 1923, ela passou a ser acrescida, aos poucos, com objetos encontrados no lixo, cacos de cerâmica, de louça, de vidro, de ladrilhos e de outros objetos considerados imprestáveis para o uso, tais como: lâmpadas queimadas, conchas, pedrinhas, correntes, tampas de metal, manilhas, faróis de automóveis. Todo esse conjunto foi combinado de maneira a compor flores, folhas, mosaicos, cachos de uvas, colunas e esculturas fantásticas, fixados dentro e fora da casa.
Regina e o Senhor Valdevi, em São Pedro
da Aldeia, 16.08.2012.
A Casa da Flor já foi documentada e filmada por meio de iniciativas no sentido de enaltecimento e conservação de seu valor cultural. A obra constitui arquitetura orgânica e surreal.
A professora e pesquisadora Amélia Zaluar, que conviveu com o artista durante oito anos (1978 - 1985), escreveu uma monografia sobre a Casa da Flor, intitulada “A Casa da Flor – Tudo caquinho transformado em beleza”.
Ali conversamos com Valdevi, sobrinho do artista, que cuidou dele até sua morte e hoje ajuda na manutenção dessa obra de arte.
Ficamos apaixonados por Rio das Ostras e pretendemos voltar aqui outras vezes. 

domingo, 12 de agosto de 2012

CHEIRO DA FELICIDADE SONHADA


Regina, no Rio,
em 12.08.2012.
Neste dia dos Pais, Aleixo e eu almoçamos no Aipo Aipim e saímos satisfeitos com a refeição e a receptividade local. Ao atravessar a rua do cinema Roxy, eu divisei a bela imagem azul do mar de Copacabana, ao fim do quarteirão à minha esquerda.
Parei por um instante infinito. Comecei a sentir o mesmo cheiro de felicidade que experimentei no mês de março, em 69, quando estivemos hospedadas, por uns dias, na casa da Dezinha e do Zezinho, em Ipanema. 
Divina, na década de 60.
Éramos três jovens sonhadoras – Divina, Lazita e eu. Na época, a gente não sabia, mas o filme do resto de nossas vidas estava apenas começando neste palco da Cidade Maravilhosa.
Que sensação de felicidade misteriosamente romântica, eu senti, então!  Nós, a exemplo dos adolescentes de qualquer idade, acreditávamo-nos especiais e preparadas para conquistar nossos sonhos!
Tampouco, sabíamos, mas eu me casaria daí a poucos meses. Divina, no ano seguinte, quando esta sua amiga irmã já morava em São Paulo.
É que o operador divino tinha acelerado a projeção do filme de nossas vidas e a gente mal havia se dado conta... Tantos outros filmes se desenrolavam paralelamente e de modo célere, mudando valores, costumes, crenças, projetos e tantas outras coisas no planeta...
Regina, Divina e o neto Luis Gabriel, 2004.
Ida à lua... Descoberta da pílula... Inúmeras quebras de tabus...
E, diferente dos contos de fada, em que os envolvidos casam-se e são felizes para sempre, a partir de então, começamos a desfolhar as páginas da história desta nossa existência terrena... Com alegrias e tristezas, acertos e desacertos, batalhas em todos os sentidos, tantas buscas, perdas e ganhos, experiências múltiplas, muitas realizações mescladas à fé e à esperança, sempre renovadas em nossas vidas reinventadas a cada dia!

sábado, 11 de agosto de 2012

VIAGEM A ITAGUAÍ


Aleixo e seu primo Saulo Merlim.
Aleixo fez contato com um primo paterno   e ele nos convidou para visitá-lo em Itaguaí. Nunca havia ouvido sobre esta cidade situada a cerca de 70 km da capital, logo após o município de Santa Cruz. Assim, quis pesquisar sobre o local.
O território no qual está instalada a cidade de Itaguaí foi desbravado no século XVII, pelos índios Jaguaremenon. A tribo dos Y-tingas se desenvolveu, prosperou e passou a rechaçar a presença dos jesuítas, gerando vários conflitos. Num deles, um pequeno índio de dez anos foi ferido e preso por futuros brasileiros, sendo batizado com o nome de José Pires Tavares.
Aleixo, Arthur, Regina, Analy, Saulo
e Leda.
Tavares cresceu entre os futuros brasileiros, mas sempre pensou em defender seu povo. Quando fez trinta anos, já casado com uma índia, embarcou rumo a Portugal buscando uma carta de proteção para aldeia Y-tinga, junto à Coroa Portuguesa. Foi recebido no Paço Real pela rainha Dona Maria I.
Os futuros brasileiros que sabiam da alta chance de o indígena conseguir a proteção régia não perderam tempo. Atacaram a aldeia durante sua viagem, não distinguindo sexo ou idade. Os sobreviventes foram amarrados a barcos com furos e lançados ao mar, morrendo todos afogados.
Vista de Itaguaí.
José Tavares retornou de Portugal juntamente com o Conde de Resende tendo como ordem da Rainha dona Maria I que fossem restituídas as terras dos indígenas. José Pires ainda reivindicou a posse efetiva das terras indígenas em 1804, tendo em vista a possível arrematação do Engenho de Taguay localizado dentro destas. Morreu em 1805. O Engenho de Taguay foi arrematado por proprietários, entre eles Antônio Gomes Barroso, primeiro alcaide-mor de Itaguaí. Mesmo com esse fato, os nativos ainda permaneceram ali por algum tempo.
Itaguaí nos anos 50.
Após a barbárie, foi fundada pelos colonos a Vila de Itaguaí, que passou a ser uma rota de viagem padrão para os viajantes para São Paulo e para as Minas Gerais, o chamado Caminho do Ouro, devido ao terreno pouco acidentado e transitável durante todo o ano, com poucos alagadiços e com bastante água para os animais.
Por volta de 1725, iniciou-se a construção desse caminho que ligava o Rio de Janeiro a São Paulo com o objetivo de encurtar a viagem exaustiva e perigosa que era feita por mar, de Paraty ao porto do Rio, pois habitavam na Ilha Grande uma enorme quantidade de corsários que assaltavam as embarcações que por ali passavam. Isto quase sempre representava prejuízos à Coroa Portuguesa.
Imagens de Itaguaí - Cidade Porto
No século XIX, na famosa viagem na qual seria proferido o Grito de Independência do Brasil, Dom Pedro I parou na vila para pernoitar, alimentar e saciar seus cavalos. O local hoje se chama Praça Dom Luís Guanela e situa-se próximo à Igreja Matriz de São Francisco Xavier.
Em 1844, foi fundado o distrito de Seropédica, cujo nome deriva da sericultura - criação do bicho da seda. Foi o início da primeira Fábrica de Tecidos de Seda do Brasil.
Depois da Independência do Brasil, Itaguaí desenvolveu a sua agricultura, sendo, em tempos diversos, o maior produtor de milho, quiabo, goiaba, laranja e banana, no Brasil. Recebeu inicialmente o uso de trabalho escravo de negros, que foi gradualmente substituído por mão de obra estrangeira, mais especificamente de japoneses, em 1838 e, em menor número, de alemães. Ainda hoje, é uma das maiores colônias japonesas do estado do Rio de Janeiro.
Regina e a prima Analy,
 também professora.
Em 1938, começou a ser construída a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, no distrito de Seropédica, utilizando as instalações de uma antiga fábrica de seda.
Até a década de 1950, a má admistração pública gerou diversos problemas sociais, resultando em surtos recorrentes de malária, cólera e outras doenças erradicadas das cidades vizinhas. Tal fato trouxe má fama à cidade, que ganhou o apelido de Município Abandonado.
Saulo Merlim.
A partir da década de 1960, a cidade começou a se industrializar com a construção de fábricas como a Ingá Mercantil (zinco), a Nuclep (material termonuclear) e de outras empresas no Distrito Industrial de Santa Cruz. Em 1960, o distrito de Paracambi foi emancipado da cidade e, em 1995, o distrito de Seropédica também se separou. Muitas partes do município também foram perdidas para Mangaratiba e para a cidade do Rio de Janeiro.
Na década de 1970, a cidade passou a ter ligação mais fácil com o litoral com a construção da Rodovia Rio-Santos.
Itaguaí, hoje, é um município em grande crescimento. A Companhia Siderúrgica do Atlântico, que fica em Santa Cruz, bairro do Rio vizinho à cidade, promete dinamizar a economia local, além dos investimentos no Porto de Itaguaí. Novos portos privados, como o Porto Sudeste com investimentos de mais de R$ 2 bi estão por se instalar na cidade, além de estaleiros civil e militar. A marinha brasileira pretende construir submarinos em Itaguaí, inclusive atômico, em parceria com o governo francês e estabelecer ali uma base naval.
Aleixo e Regina no lar goiano.
Na história recente, são destaques os problemas advindos da falida fábrica de zinco Ingá Mercantil, cujos dejetos químicos abandonados causam graves problemas ecológicos. A compra do terreno da Ingá Mercantil pela siderúrgica Usiminas promete dar fim a esse passivo ambiental.
O primo do Aleixo é o Saulo Merlin, filho da irmã  do Seu Sílvio – Laurinda - que Aleixo nem conheceu pessoalmente. Meu marido conviveu bastante com Saulo quando veio morar no Rio, na adolescência. Depois, tomaram rumos diversos e se reaproximaram graças aos  recursos das redes sociais. 
Meus netos brasilienses.
Hoje, eles lembraram acontecimentos da juventude e riram muito das peças que pregavam em um vizinho português. Segundo o Saulo, Aleixo era o mentor intelectual das diabruras que aprontavam! Disse-me, ainda, que Aleixo adorava sair bem vestido e costumava engraxar os próprios sapatos antes de sair de casa. 
Como meu enteado Arthur passou pelo Rio antes de ir encontrar a mulher e filha em Natal, nós aproveitamos para visitar Itaguaí e conhecer os parentes, aceitando o amável convite para o almoço do sábado.  Fomos brindados com um delicioso churrasco com direito a pão de alho. Também, banana assada, suco de cajá e doce de laranja, das frutas colhidas no quintal. Leda e Analy, esposa e filha do Saulo,  são uma simpatia e gostamos muito  da refeição familiar com boa prosa.
Na ida fomos  de carro pela Avenida Brasil, mas, no retorno, optamos passar pela Barra e curtir a bela paisagem marinha. Erramos o trajeto a princípio e tivemos oportunidade de chegar à famosa siderúrgica local.


quarta-feira, 8 de agosto de 2012

CRIANÇAS E SUAS LEITURAS DE MUNDO


Juliana e Matheus na chácara da avó
Ontem lembramos algumas colocações das crianças precoces da atualidade e do passado, conforme o ambiente em que vivem. Minha neta Juliana de três anos foi colocada na cadeira de pensar, sob a ameaça da mãe, depois de longo discurso recheado de bons conselhos maternos.  
– Juliana, não saia desta cadeira até que eu o permita!
Geraldo, Regina, Aleixo, Cida, Giuliana
e Tia Dolores em Nova Uguacu.
Ela ficou lá em silêncio por algum tempo. Depois, levantou-se junto com a cadeira e começou a circular pelo ambiente sob o olhar atento do irmão de oito anos. Luciana ouviu o barulho e veio repreendê-la, questionando a sua desobediência.
Ela respondeu prontamente.  - Você me disse para não sair da cadeira e eu não saí, estou andando com ela!
Leitões antes da castração.
Matheus disse à mãe que a irmã não mentiu. Ela não saiu da cadeira, saiu com ela! Luciana ficou sem ação, rindo mentalmente do raciocínio lógico da filha.
Aleixo lembrou-se de sua infância. De vez em quando seu Agostinho ia ao sitio de seu pai para castrar os porcos. Era muito bem recebido. Passava o dia inteiro lá e sua mãe caprichava nos lanches, nas refeições.
Casa fotografada na fazenda dos primos
 do Aleixo.
Todos o acolhiam muito bem aproveitando a chance de trocarem as novidades, uma vez que ele fazia esse trabalho em várias fazendas e sempre trazia novidades, informações que constituíam o lúdico na rotina rural.
Naquele dia, ele castrou muitos porcos. Tinha direito de escolher um leitão ao final da lida, além do tratamento vip por parte de seus pais e dos moradores da propriedade.
Casa da Família Nuss , 1960.
Lexin devia ter uns quatro anos, acompanhava todo o movimento sem perder nenhum detalhe. Falava pouco, mas observava tudo. Aprendia a ser útil desde muito cedo, borrava-se todo para agarrar os porcos dentro do chiqueiro enlameado, era parte da brincadeira, era feliz...
Ao término do trabalho, seu Agostinho perguntou se havia mais algum porco a ser castrado. 
Minha sobrinha neta Aurora, 01!
Um peão apontou em direção ao menino e disse que faltava aquele. Aleixo também foi rápido, respondendo:
- Vou ficar para Cachaço!
Cachaço é o porco não castrado, que fica como reprodutor da espécie!