terça-feira, 18 de setembro de 2012

SABIÁ NARCISO


Um ano atrás estivemos em Nazaré, Pt.
O sabiá narciso desistiu da janela fechada por semanas desde nossa última viagem. Então, ele resolveu mirar-se no vidro do carro. Todo dia tanto o vidro frontal quanto o traseiro ficavam sujos de caca. Aleixo decidiu cobri-los com plástico preto... Ontem, ao sairmos, percebemos que eram os espelhos retrovisores que estavam sujos... E foi preciso cobri-los também! 
Um casal de sabiás fez um ninho na coluna da varanda. É gratificante ouvir os sons que emitem quando alimentam os filhotes. Para não fugir à regra, os pássaros pretos deixaram lá um ovo e eles alimentam também o filho adotivo. Aleixo comentou que até entre os bichos há os exploradores que aproveitam da boa vontade ou ignorância do próximo... Coisas da natureza divina!
Cigarra na árvore do bosque da Shamballa.
As cigarras ainda não chegaram este ano. O calor continua intenso. Mas a chuva parece próxima. Soube notícia de algumas chuvas em bairros goianos e aguardamos a nossa cota! Dizem que quando os ipês amarelos 
florescem completamente, é prenúncio de chuva! Essas árvores nunca estiveram tão exuberantes como agora!
Aconteceu mais uma sintonização de Reiki no fim de semana. Nem preciso repetir a especialidade da energia que compartilhamos agradecidos. Mais tarde seria a festinha de aniversário das netas de minha irmã Celina, mas dormi e perdi a hora. No dia seguinte, fomos levar os presentes da Melissa e da Carolina! 
Ipé florido perto da  PUC - Goiás!
No domingo cedo fizemos um passeio pela Feira do Cerrado que adoro. Lá encontramos os sobrinhos Lívia e Thiago. Ela está exibindo a barriguinha com o herdeiro que já foi encomendado e é esperado ansiosamente pelos familiares. Soube que minha sobrinha Aline também espera bebê e fiquei muito feliz! Sei que a irmãzinha Amanda e o papai Fábio devem estar comemorando! Mais crianças na família!
Bettina está prestes a ter filhotes e nós queremos estar presentes desta vez. Só depois pretendemos visitar os netos brasilienses! 
Afilhado Lucas e minha comadre Helen!
Sei que a musicoterapia é salutar à nossa harmonia física, mental, emocional e espiritual! E como nosso espaço é propício, eu procuro entrar em contato com os sons da natureza, como o barulho da água e do vento, o canto dos pássaros ao natural.  Evito sempre que possível frequentar lugares em que prevaleçam os sons de motores e buzinas. Se isso não for possível, apenas fico em silêncio e costumo ouvir o universo tocando a mais linda música da qual a gente faz parte e, talvez, tenha esquecido o arranjo: a melodia da nossa própria essência divina!

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

FERROVIA GOIANA


Juliana equipada para o sol goiano
Nosso final de semana prolongado foi bastante alegre com a presença de filhos e netos. Em algum momento, conversávamos sobre a falta de ferrovias no país e eu me lembrei da estação ferroviária de Goiânia e de sua importância na minha meninice.
Quando eu era criança, minha mãe costumava passear com seus filhos pela Avenida Goiás, bem no centro de Goiânia e próxima à nossa casa. Geralmente, íamos ao Coreto da Praça Cívica. Outras, visitávamos o escritório do papai na avenida Anhanguera com direito de parar na sorveteria do senhor Alberto Costa - A Fonte Expressa!.
Matheus na Shamballa. Acima
retrato pintado por Ione Araujo
Mas, algumas vezes,  mamãe nos conduziu até a estação ferroviária e acompanhávamos o movimento de chegada e saída do trem que ela chamava de Maria Fumaça. Minha memória registra que pode ter sido logo depois de uma inauguração oficial da estação, em meado da década de 50.
Só mais tarde viajei naquele trem. Primeiramente, um pequeno trecho em excursão promovida pela escola. Mais tarde, talvez em 67, em companhia da minha amiga Gilzelda  Gregorim, de seus irmãos Filhinha e Nenê, mais outros dois  amigos. Viajamos felizes até Pires do Rio para visitar conhecidos. O trajeto era de 220 km e levamos cerca de sete horas para chegarmos ao nosso destino! Mas minha cunhada Ione viajou de trem com meu irmão Marco e os filhos para Ribeirão Preto na década de oitenta! Ela tinha medo de viagens de carro ou avião na época! Agora, apenas um  dos vagões jaz exposto no prédio da estação para contemplação turística.
Estação Ferroviária de Goiânia, 1957.
Esta estação tem uma história de décadas de construção. Havia certa disputa entre os goianos e os habitantes do Triângulo Mineiro que outrora também foram goianos...
Depois de mais de uma década desde o início da instalação dos trilhos, em janeiro de 1920, o governo federal assumiu a administração da Estrada de Ferro Goiás, que foi autorizada a explorar o transporte ferroviário na região do Triângulo Mineiro e em Goiás. 
Então, a linha Araguari-Roncador, com 234 quilômetros de extensão, foi incorporada à nova Estrada de Ferro Goiás. Nos primeiros anos da década de cinquenta do século XX, a Estrada de Ferro Goiás já percorria todos os seus 480 quilômetros de extensão.
Outra imagem de nossa estação.
A chegada dos trilhos da ferrovia, em solo goiano, teve uma importância fundamental para o desenvolvimento da economia da região, dominada, até então, por comerciantes das cidades do Triângulo.
Desde a construção, em 1907, do ramal ferroviário que ligava a cidade mineira de Araguari à cidade goiana de Catalão, a cidade de Goiandira era o ponto de encontro das estradas e os comerciantes mineiros vinham sofrendo prejuízos em seus negócios.  Pois, a partir de 1915, as cidades do sudeste de Goiás acabaram assumindo o controle do comércio regional, antes dominado pelas cidades do Triângulo Mineiro.
Foto mais atual do prédio da  estação.
A cidade mineira de Araguari, no entanto, continuou tendo significativa participação no comércio de Goiás, servindo de ponto de integração com as regiões sul e sudeste do País.
A disputa entre mineiros e goianos na região servida pela Estrada de Ferro Goiás acabou comprometendo o futuro da Companhia. A empresa entrou em séria crise financeira e administrativa, o que dificultou e impediu a aplicação dos programas de reaparelhamento de suas linhas. A construção da nova capital federal provocou a expansão das rodovias e consequentemente as ferrovias passaram a ter um papel de menor importância na época.
Perus separados por brigarem pela perua
Mas em 1957,  todas as empresas ferroviárias federais foram englobadas em uma sociedade por ações, inclusive a nossa  Estrada de Ferro Goiás.
Atualmente, o território goiano é servido por 685 quilômetros de trilhos, pertencentes à Ferrovia Centro Atlântica, subsidiária da Companhia Vale do Rio Doce e sucessora da antiga Estrada de Ferro Goiás e da Rede Ferroviária Federal. Essa empresa ferroviária percorre com seus trilhos a região sudeste do Estado, passando por Catalão, Ipameri, Leopoldo de Bulhões, chegando até Anápolis, Senador Canedo e indo até a capital federal. Por enquanto, a Centro-Atlântica promove o escoamento de boa parte da produção econômica goiana, embora tenha sua capacidade de transporte limitada à sua pouca extensão.
Matheus, Luciana, Otávio e Juju, 08..09.12
Essa Centro-Atlântica transporta produtos industrializados e insumos, tais como: derivados de petróleo, contêineres, fertilizantes, produtos agrícolas, minérios, produtos siderúrgicos, cimento, produtos químicos, entre outros.
A origem da FCA está no processo que privatizou a Rede Ferroviária Federal S.A. Isto levou a leilão a Malha Centro - Leste em 14 de junho de 1996, integrando o Programa Nacional de Desestatização. O início da operação se deu em 1º de setembro do mesmo ano. 
Na estação de Goiânia há uma placa com a data de 11 de novembro de 1952 marcando a chegada do primeiro trem noturno ali.  Suas instalações exibem o estilo art-déco. O edifício possui na área interna principal alguns murais de frei Nazareno Confaloni, introdutor do modernismo em Goiás, pintados em 1953. 
Nossa Avenida Goiás, neste 06 de setembro.
Durante mais de vinte anos serviu como estação ferroviária de Goiânia sendo desativada na década de 1970. Com a extinção da Estrada de Ferro de Goiás, a locomotiva n.º 11, símbolo da estação, mais conhecida como Maria Fumaça, foi colocada como exposição na parte externa da antiga Estação. 
O prédio passou por várias reformas; em 1985, por exemplo, foi adaptado para atender às necessidades do Restaurante do Centro de Cultura e Tradições Goianas, hoje extinto. Em 1987, foi criado o Centro Estadual de Artesanato de Goiás, que passou a funcionar desde então, no prédio da estação. O edifício abriga hoje a cooperativa dos artesões de Goiás e a Banda Marcial da Prefeitura de Goiânia - Projeto Musicalidade. A última reforma aconteceu em 1999. 
Ainda  a nossa Avenida Goiás.
O prédio é tombado pelo Governo do Estado desde 1998. Por volta de 1984 foi noticiado que a RFFSA e a prefeitura de Goiânia haviam fechado um acordo, em que a prefeitura ficaria com o terreno do pátio ferroviário, de localização central, no qual foi construída uma nova estação rodoviária; e em troca a ferrovia receberia um terreno bem maior, fora da cidade, para instalar um pátio maior e mais espaçoso. 
O pátio, realmente, foi transferido para a estação de Senador Canedo, a cerca de 20 km da cidade de Goiânia e a oito quilômetros de nossa Shamballa. Trens de passageiros não chegam ao prédio de Goiânia desde os anos 1980. Agora a nossa Presidenta Dilma Roussef anuncia grande investimento nas Ferrovias Brasileiras... Vamos torcer para que isso aconteça mesmo!

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

PARAÍSO PARTICULAR


Aleixo, Regina, Patty e os gêmeos:
Breno Gustavo e Ana Júlia.
Como eu gosto de viver neste espaço que ocupamos – a chácara Shamballa! Sou grata ao cósmico pelo privilégio! É interessante acompanhar as estações junto à natureza... Não são aquelas estações que estudamos na geografia escolar... Algo mais peculiar, subjetivo. Por exemplo: acompanhar o caminhar do sol durante o ano... A época da seca e das chuvas... Do calor e do frio... Época do vento e das folhas secas... Dos caramujos, das cigarras... Dos pássaros buscando sua nutrição nas frutinhas, nos insetos, nas sementes das árvores e até na comida do papagaio ou dos cachorros... 
É muito gostoso caminhar pelo sítio acompanhada dos labradores, observando todo o verde ao redor, sentindo as folhinhas de angico caindo em meus cabelos como há pouco me acontecia... 
Foto de nossa casa, 25.07.2011.
Colher cachos de banana, mamão, laranja, limões, mexerica, pitanga, jabuticaba, carambola... Catar frutos do jatobá no chão e parti-los para os cachorros... Nosso amigo Ricardo Abrahão esteve aqui em visita e me disse que eu chamo Lei o dia inteiro, mas temos dois sinos, um é a campainha que anuncia as visitas, o outro é aqui dentro para eu chamar meu marido que some o dia inteiro da vista de meu zelo carinhoso... rsrsrs
Adoro ler na rede enquanto os mosquitos não chegam. Mas houve época em que desejei ser mulçumana e obrigada a  usar uma burca que só tem buraquinhos para os olhos, tão incomodada fico com o ataque dos pernilongos e maruins, sobretudo no verão... 
Aleixo está sempre consertando algo
Nem sabia que era alérgica às picadas dos insetos, talvez, isso seja mesmo uma característica da idade do condor... 
Mas aprendi a conviver com cada situação e não trocaria nosso espaço por nenhum outro. Claro que isso tem a ver com a minha opção pela simplicidade voluntária, por estar livre dos compromissos acadêmicos de outrora e por determos a possibilidade de estar junto ao mar algumas vezes ao ano... 
Neste espaço já recebi visitas diversas... Aqui ocorreram eventos especiais... E tem sido o ponto de encontro de amigos e familiares tantas vezes... Aprendemos muito nessa interação diária com a natureza!
Teteu e Juju na Shamballa...
A gente trabalha muito, prazerosamente. Nossos ajudantes são apenas diaristas que vêm uma ou duas vezes na semana e o espaço é grande para nós cuidarmos. Adoro plantas e criação de animais! Seu zelo e contemplação tomam grande parte de nosso tempo... Aleixo está sempre consertando alguma coisa e quando estamos no Rio, por muito tempo, logo ele sente falta dessa ocupação!
Agora ando envolvida com a leitura das Cartas de Cristo... Sou estudante Rosacruz, tenho minhas práticas reikianas, minha oração diária de que me alimento... Agradeço à saúde física, mental, emocional e espiritual que já detenho! Sou feliz!
Lucas, Gil, Helen e Nair, na Shamballa.


Mas como sou cidadã do mundo, posso morar em qualquer lugar sem maiores problemas de adaptação. 
Tenho consciência de que muita gente não gostaria de viver no campo por muito tempo, mas também sei que os seres humanos são ímpares, há gosto para tudo e cada um tem seu próprio degrau evolutivo...

terça-feira, 4 de setembro de 2012

NOVIDADES

Regina, 04.09.12.

Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento. Clarice Lispector
Régis, Jéssica, Regina, Thiago,
Michele e Ana Maria, 02.09.12.
No domingo último aconteceu mais uma sintonização de Reiki aqui na chácara que tive o privilégio de conduzir junto com o Régis Manata. Repetindo as palavras dos iniciados, a emoção que experienciamos é algo indescritível e de tempo psicológico imensurável! A energia é tão especial que cada um se sente em estado de graça... 
O grupo era pequeno, mas a gente aprendeu que acaba comparecendo quem devia vir, como sempre. O ser humano ainda sabe tão pouco! 
Há muito eu ouvia falar das cartas de Cristo com alguma curiosidade pelo texto. 
Apolo participou do processo de iniciação
emitindo sons o tempo todo!
Ontem eu fiz download da primeira carta que compartilhei com afins e comecei a ler. Achei deveras interessante e quero ler as outras disponíveis. Avaliar o seu conteúdo é difícil, mas sua recepção foi deveras agradável ao meu espírito.
Ontem meu blog foi muito visitado. Minha nora Luciana é professora em duas instituições em Brasília. Lu tinha que ministrar uma aula sobre blogs e escolheu o blogdareginalucia.blogspot.com para visitar com seus alunos! 
Luciana, Otávio, Fábia e Vaíte.
Senti-me gratificada e agora aguardo o retorno das observações do grupo para tentar aprimorar esta experiência de iniciante.
O próximo final de semana promete. Receberemos a visita dos filhos e netos e já me sinto feliz com a expectativa alegre. 
Ando sonhando com uma casa de madeira construída em árvore e pretendo aproveitar a madeira do antigo santuário para edificá-la. Penso que me remeterei à infância e será um local de encontro lúdico com os netos! 

Regina em casa de madeira
do primo Antonio João Nuss!
Juliana e Matheus brincando na rede.


sábado, 1 de setembro de 2012

LONTRA NA LUA AZUL


Regina e Aleixo, na Shamballa, 01.09.12.
Aleixo estava arrumando a bomba hidráulica do riacho ao final da chácara e reparou em um vulto que logo mergulhou. Era uma lontra! Ele me chamou para ver, mas ela não reapareceu. 
Pesquisei e descobri que a lontra é um animal mamífero, pertencente à ordem carnívora e à família dos mustelídeos. Seu habitat é no rio onde busca alimentos como peixes, crustáceos, répteis e menos frequentemente aves e pequenos mamíferos.
Geralmente a lontra tem hábitos noturnos, dormindo de dia na margem do rio e acordando de noite para buscar alimento. Os grupos sociais são formados pelas fêmeas e seus filhotes, os machos não vivem em grupos e só se juntam a uma fêmea na época de acasalamento. O período de gestação da lontra é de cerca de dois meses, produzindo de um a cinco filhotes.
Lua azul - segunda lua cheia de agosto.
A lontra adulta mede de 55 a 120 centímetros de comprimento, incluindo a cauda, e pesa até 35 quilos. Embora sua carne não seja comercializada em larga escala a lontra faz parte da lista de animais ameaçados de extinção principalmente pelo alto valor da sua pele e pela depredação dos ecossistemas aos quais a lontra está adaptada.
Esse animal possui uma pelagem com duas camadas, uma externa e impermeável e outra interna usada para o isolamento térmico. O corpo por sua vez é hidrodinâmico, preparado para nadar em alta velocidade. A lontra é capaz de assobiar, chiar e guinchar. Pode ficar submersa durante 6 minutos e ao nadar pode alcançar a velocidade de 12 km/h.
Lontra no riacho da Shamballa, 31.08.12.
Ontem foi dia de lua cheia, a segunda neste mês de agosto! A expressão lua azul se refere comumente à segunda lua cheia que ocorre dentro do mesmo mês. A frequência com que isto ocorre é de uma vez a cada dois ou três anos. Aqui na Shamballa esta lua cheia apareceu linda e brilhante, mesmo sem ter a cor azulada! Nossa lua azul me olhava do alto das árvores tão maravilhosamente encantada que fiquei embevecida por instantes!
As últimas luas azuis ocorreram em 31 de maio de 2007, 31 de dezembro de 2009 e 31 de agosto de 2012. As próximas deverão ser em julho de 2015, janeiro e março de 2018, outubro de 2020, agosto de 2023, maio de 2026 e dezembro de 2028, se estiver aqui para conferir.
Isso se deve à duração do ciclo lunar, que é de 29,5 dias - o que torna perfeitamente possível que em um mesmo mês o astro se apresente em sua fase cheia por duas vezes. Fevereiro é o único mês que não pode ter a lua azul, mesmo em anos bissextos. 
Sobrinhos netos: Sofia e Lucas!
Aliás, é possível até que um ano não tenha nenhuma lua cheia em fevereiro. Nesses anos, acontece uma lua cheia no final de janeiro e a outra no início de março - ou seja, duas luas azuis no mesmo ano, em janeiro e março. Isto ocorre, em média, a cada 35 anos.
E estamos nos preparando para a sintonização de mais um grupo de novos reikianos...

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

ADEVALDES PEREIRA


Regina  lembra-se com saudade do Val
Há um pássaro na Shamballa que não vemos durante o dia. Todavia, assim que anoitece ele começa o seu canto noturno diário. Ontem eu consegui vislumbrá-lo no nosso bosque com o auxílio do Aleixo suprindo a minha miopia. Nossas noites passaram a ser orquestradas com a música deste bacurau! Ele é um pássaro rasteiro, desajeitado e de voo baixo. A gente fica na expectativa alegre de seu desempenho à medida que nos acomodamos no sofá à noitinha, percebendo as árvores próximas da sala.
Estou contente com as boas notícias de meu amigo terapeuta Luís Alfredo! Eu simplesmente o adoro! 
Adevaldes, Clélia e seus filhos, 1988.
Ele compartilhou que está reinventando a sua vida em uma cidadezinha do sul, escolhida com cuidado. Luís continuará com o consultório de psicologia, os cursos, o estudo constante, os grupos de sonhadores, em maioria, em meio a muito afeto e chocolate. Voltas românticas que a vida dá!
Minha sobrinha Tarsila postou uma foto no facebook e lembrei-me com carinho de seu pai – Adevaldes Pereira. 
Eu o conheci em 73 quando minha filha Fábia nasceu e fiquei alguns dias na casa de minha mãe porque já era mãe de outro bebê de 13 meses – Otávio. O pai deles havia viajado para visitar uma fazenda no Maranhão que comprara só por meio de informações.
Clélia com Otávio e Fábia, 1975.
Fábia chorava muito e Val costumava visitar a minha irmã Clélia com quem estava namorando. 
Eram colegas de trabalho, companheiros de futebol e de outras formas de lazer. Ele era simpático, responsável, bonito e logo ganhou a simpatia irrestrita de toda a família. Val não falava muito, mas aos poucos fomos conhecendo-o e admirando as suas qualidades!
Difícil encontrar alguém com seu caráter tão íntegro e cristão.  Estava sempre disposto a ajudar o próximo sem alarde. Ele e Clélia costumavam levar meus filhos pequenos para passeio aos domingos. Ele era excelente fotógrafo e até hoje guardo as inúmeras fotos que ele tirou das crianças. 
Logo eu o convidei para batizar a Fábia junto com Clélia e dois anos mais tarde eles se casaram. Esta união foi abençoada com a chegada de três filhos maravilhosos: Gustavo, Priscila e Tarsila.
Adevaldes, Sônia, Didi e Ziquinho, 93.
Nós convivemos muito em família por duas décadas. Estávamos sempre juntos nos finais de semana e fizemos algumas viagens de férias em sua companhia. A gente costumava alugar uma casa na praia e dividíamos as despesas. Ele cuidava da contabilidade de maneira que tudo acontecesse de maneira justa e organizada. 
Lembro-me de eu gostava de cuidar da administração da casa e fazíamos as compras de supermercado, juntos. Val foi esposo, filho, irmão, cunhado, genro, amigo perfeito.  Era o mais velho dos irmãos do sexo masculino e cuidou de sua mãe e irmãos responsabilizando-se pela educação de todos. Quando seu pai adoeceu, ele também o acolheu e costumava cuidar pessoalmente de seu banho diário! Gostava de viajar e era um ótimo companheiro nestas ocasiões. Clélia e ele viajaram bastante. Nunca o vi de mau humor! Ele se destacava por sua bondade onde quer que atuasse!
Renata, Leandro, Regina, Fábia
 e Tarsila, na praia, 1986.
Meu marido estava sempre fora e, algumas vezes, Val me levou ao hospital com suspeita de crise de angina. Muito tempo depois, descobriu-se que era apenas uma grande pedra na vesícula e fui operada, com a intersecção de minha amiga Helga, no Hospital das Clínicas. 
Lembro-me de que ele foi me visitar e me presenteou com uma maravilhosa corbeille de flores silvestres, as minhas favoritas.  No meio da cesta, havia antúrios brancos, famosos na época devido a uma novela global, cuja personagem - Jorge Tadeu -, vivida por Fábio Júnior, pretensamente fazia brotar em uma árvore de fictícia cidadezinha! Isto alegrou a pobreza do hospital público à beira de uma greve e alvoraçou as enfermeiras. Tive que presentear algumas delas com os antúrios e mais uma vez o Val contribuiu para a harmonia do ambiente!
Nosso pássaro Bacurau da Shamballa.
Adevaldes lutou bravamente contra um câncer durante três anos, mas os seres como ele não precisam ficar muito na terra e nosso tenista partiu aos 44 anos.  Eu poderia escrever muito mais sobre o Val... Difícil descrever como me emociona a lembrança de sua convivência querida. Mas acredito que ele deva estar muito bem onde se encontra e, na certa, intervém por seus amigos e por sua descendência. Sinto que ele faz parte de minha família espiritual e sou grata por este privilégio!

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

MAL DO SÉCULO XXI


Na juventude aprendemos, com a idade compreendemos. Marie Von Ebner Eschenbach
Regina refletindo sobre a ansiedade
A ansiedade é o mal do século. Em nossos ancestrais, o mecanismo da ansiedade-estresse foi destinado à sobrevivência da espécie diante dos perigos próprios da luta pela vida, como acontece com qualquer animal. Era útil no caso das ameaças de animais ferozes, das guerras tribais, das intempéries climáticas, da busca pelo alimento, da luta pelo espaço geográfico, entre outros.
Com a civilidade do ser humano, outros perigos apareceram e ocuparam o lugar daqueles que estressavam nossos ancestrais arqueológicos. Hoje em dia tememos a competitividade social, a segurança, a competência profissional, a sobrevivência econômica, as perspectivas futuras e mais uma infinidade de ameaças abstratas e reais. Enfim, tudo isso passou a ter o mesmo significado de ameaça e de perigo que as questões de pura sobrevivência que assombravam nossos ancestrais.
Grupo de reikianos na Shamballa.
Na antiguidade tais ameaças eram concretas e a pessoa tinha determinado objeto real a combater, precisava fugir ou atacar para sobreviver! Agora, esse objeto de perigo vive dentro de nós. As ameaças vivem, dormem e acordam conosco.
Se, em épocas primitivas, o coração palpitava, a respiração ofegava e a pele transpirava diante de um animal feroz a nos atacar, se ficávamos estressados diante da invasão de uma tribo inimiga, hoje em dia nosso coração bate mais forte diante do desemprego, dos preços altos, das dificuldades para educação dos filhos, das perspectivas de um futuro sombrio, da luta pela concretização de nossos sonhos, dos muitos compromissos econômicos cotidianos e assim por diante. 
Aleixo e Regina, no Algarve, Portugal.
Como se percebe, hoje, nossa ansiedade é contínua e crônica. Se a adrenalina antes aumentava só de vez em quando, hoje ela está aumentada quase diariamente. Se a gente não consegue controlar tudo isso, pode-se desenvolver a temida síndrome do pânico frequente na atualidade!
A ansiedade aparece em nossa vida como um sentimento de apreensão, uma sensação de que algo está para acontecer, ela representa um contínuo estado de alerta e uma constante pressa em terminar as coisas que ainda nem começamos. É a corrida para não deixar nada para trás, além de nossos concorrentes. É um estado de alarme contínuo e uma prontidão para o que der e vier!
Escritor Brasigóis Felício, Aleixo e eu.
No ser humano, o conflito parece ser essencial ao desenvolvimento da ansiedade. Em nosso cotidiano, sem termos plena consciência, experimentamos um sem-número de pequenos conflitos, interpessoais ou intrapsíquicos; as tensões entre ir e não ir, fazer e não fazer, querer e não poder, dever e não querer, poder e não dever, assim por diante. Portanto, motivação fisiológica para o aparecimento da ansiedade existe de sobra. 
Acredito que cultivar a espiritualidade, em seu sentido mais amplo, independentemente de religiões ou crenças, ajuda a enfrentar com mais serenidade, sabedoria e equilíbrio a vida pessoal com seus desafios. 
 Professora Maluba e amigos na Shamballa
Com rotinas cada vez mais estressantes, pressão crescente por resultados e competitividade, quem consegue olhar além do mundo material, com certeza, pode sofrer menos e aceitar mais.
Concordo com alguém que disse que o segredo da vida é aceitar que tudo vem em ciclos, que tudo que começa, mas termina. Acredito na reencarnação e no resgate de vidas passadas. Talvez, isso tenha me dado maior suporte nos momentos de crise. Mesmo porque, a prática da espiritualidade genuína agrega valores como a ética, além do significado das ações e dos objetivos estabelecidos e a cooperação.
Situações de dificuldade, angústia e tensão são momentos nos quais se conectar com a própria espiritualidade e força interior é ainda mais importante para recuperar o equilíbrio. Eu, pessoalmente, busco na oração o alimento de que necessito para determinados conflitos de muita ansiedade.
Kuthumi ou São Francisco de Assis.
Segundo os especialistas, as práticas espirituais modificam positivamente a maneira como o sistema nervoso reage às pressões, permitindo que o ser humano enfrente os desafios mais complexos com sucesso e satisfação.
Elas permitem aumentar a resistência ao estresse,  aumentando a clareza mental, a capacidade de tomar decisões,  diminuindo a ansiedade e, consequentemente, melhorando o nosso desempenho integral e os relacionamentos interpessoais.
O aspecto espiritual tem-me auxiliado a encontrar a força interior, a energia vital para o controle do estresse e das incertezas, proporcionando-me um significado mais profundo às ações do dia a dia. Mas sei que cada indivíduo é impar e deve buscar o seu próprio caminho para vencer as suas ansiedades!