sábado, 29 de setembro de 2012

TEIÚ E REIKI II


Regina com filhotes da Bettina
Aleixo pegou um lagarto grande no galinheiro. O bicho estava apavorado, mas teve sorte porque tínhamos prendido dois cachorros e a Bettina estava ocupada com seus filhotes. O teiú, também chamado tiú, teiuaçu, tejuguaçu, teju, tejo teiú-açu, tiju e tejuaçu, é um lagarto conhecido sobretudo por sua agressividade e voracidade. 
Se molestado, primeiro ele tenta fugir, mas, sendo impossível, defende-se desferindo golpes violentos com a cauda. Vivem em regiões florestadas, campos de vegetação alta e campos cultivados.  Atinge até 2 m de comprimento, o que torna o maior lagarto do Brasil. 
Alimenta-se de pequenos mamíferos, pássaros e seus ovos, répteis, anfíbios, insetos, vermes e crustáceos. Também não rejeita frutas suculentas, folhas e flores. É conhecido como ladrão de galinheiros, pois ataca as galinhas e chupa seus ovos com extrema avidez.
José Augusto, Michele, Dannea,
Amaro, Tê, Thiago, Jéssica,
Ana Maria.
Aleixo disse que ele era filhote, tinha pouco mais de um metro. Ele era muito bonito e quis fotografá-lo, mas logo nós o soltamos. Ele fugiu rapidamente pelo bosque.
Mais uma iniciação de Reiki II. Oito novos Reikianos que se propuseram a estudar os dois novos símbolos e revisar o primeiro, em meio a exercícios de meditação, vida plena, autoconhecimento, prática de cura com as mãos e troca energética. 
Sintonização com a presença dos seres de luz fazendo com que os protagonistas sintam o significado genuíno da consciência Crística em si mesmo!
Aleixo com o teiú.
Percebemos o ambiente iluminado. O espaço por si mesmo propicia um bem estar a todos os nossos corpos e a bênção da oração o torna prazeroso à nossa alma. 
As cigarras colocaram música ao fundo e a Jéssica quis ser registrada em foto com os perus. Ela nos garante que nunca tinha visto essas aves de perto!  

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

SHERAZADE


José Araújo, Didi e Marco, 1944.
Com a chegada das chuvas, as cigarras proliferam, as árvores brotam e a passarada parece mais feliz em meio à vegetação, agora toda verdinha. Hoje, apareceram alguns macacos grandes nas árvores ao fundo da chácara.  Como podamos a ingazeira, eles não ficam mais no pátio. 
Aleixo encontrou filhotes de quero-quero já grandinhos correndo pela relva e os trouxe para me mostrar sob os protestos da mamãe quero-quero. Aproveitei e fotografei o casalzinho que finge timidez, parecem quase mortos, mas, se os soltamos, fogem a toda velocidade. Depois, fomos devolvê-los ao lar campestre para aprovação da brava mãezona.
Lembrei-me de que a arte de contar histórias está sumindo, infelizmente. Mas o contador de histórias sempre ocupou um lugar muito importante em outras épocas. As famílias não têm mais a união de outrora, as conversas entre amigos se tornaram banais. 
Casa Araújo, Goiânia, 1940.
Uma vez, eu usei o pseudônimo de Sherazade. Esse é uma variante do nome da narradora da coleção de contos árabes das Mil e uma noites! É que sempre gostei das histórias. Aliás, contar histórias une as famílias, anima as conversas, torna a aula agradável, reata o diálogo entre familiares, traz sabedoria aos adultos, torna um jantar interessante, aguça a inteligência, ilustra palestras e conferências.  E há sempre uma história adequada à ocasião!
José Araújo, pioneiro
em Goiânia, 1938.
Parece que tenho novo projeto à vista. A sugestão é de minha irmã Clélia. Ela visitou meu blog e lembrou que poderíamos tentar resgatar a história de nosso genitor. Sugeriu que fôssemos à busca da saga do nosso pai, da histórica viagem que ele fez no lombo de um animal, partindo do sertão de Pernambuco até chegar à cidade de Goiás. Papai não gostava de relembrar o passado, sofreu muito naquela viagem, mas Clélia lembrou-se de alguma coisa que ele deixou escapar e pode ter compartilhado com outras pessoas também. 
Ela se lembra de ele descrever os apuros por que passou escondendo-se dos cangaceiros que vagavam pelo sertão nas primeiras décadas do século passado. O bando de Lampião atuou pelo sertão nordestino durante as décadas de 1920 e 1930. Papai nasceu em 1906 e acreditamos que veio para Goiás na década de 20. 
Clélia ouviu o depoimento do irmão de seu antigo chefe - Modestino Hermano -, que papai teria chegado a Goiás com peles raras, e que conseguiu exportá-las naquela ocasião. 
Praça Cívica em Goiânia, 1942.
Naquele tempo, não era proibido, mas ele foi o primeiro cidadão em Goiás a exportar. O senhor José Hermano, que ainda está vivo e lúcido, de acordo com suas deduções, contou-lhe essa história há alguns anos. Não sabemos de mais ninguém contemporâneo de nosso pai que ainda esteja vivo, mas é provável que a gente possa descobrir alguém. 
Papai teve um monte de empregados no antigo armazém de Goiás e também no que abriu aqui em Goiânia. Um deles se tornou um homem com bastante prestígio político e ajudou minha irmã na época em que ela foi aprovada no concurso do BASA.  
José Araújo criava  ema no quintal.
Esse senhor intercedeu para que o Banco da Amazônia lhe oferecesse a vaga em um local no qual ela pudesse dar continuidade ao seu bacharelado em Direito, recém-iniciado.  O antigo amigo de José Araújo fez questão de reiterar que a ajudou em memória de nosso pai, a quem ele devia muito. Seu nome é Múcio Teixeira, mas temos esperança de que possa haver outros ainda...
Residência de José Araújo.
Minha sobrinha Tarsila sonha em fazer um filme, futuramente, em parceria com o primo Leandro, sobre o avô e os pioneiros de Goiânia. Quem sabe a gente não começa uma pesquisa que possa ajudá-la em seu projeto?

terça-feira, 25 de setembro de 2012

VOVÓ BENEDICTA


Dados da Vovó Benedicta Gimenez Moniz na visão de Tia Dolores, assistida por sua filha Fátima Nuss Macedo.
Aparecida Nuss, Regina e Aleixo,
no Tinguá,2012.
A bisavó da Tia Dolores chamava-se Joaquina, avó da Benedicta Florido Gimenez Muniz e deve ter nascido em uma das Ilhas Canárias. Ela ficou viúva cedo, com três filhos, sendo um ainda de berço.  Seus filhos chamavam-se João, Antônio e Conceição, que foi a mãe da avó Benedicta, esposa do patriarca João Nuss.
Conceição era muito linda, foi pedida em casamento por Antônio, sua mãe pensava que ela não queria, mas aceitou imediatamente e se casaram. O local em que ela vivia era difícil, com vulcão sempre fumegante, a água era de poços que ficavam distantes.  
Avós: João Nuss e Benedicta Gimenez
O novo casal resolveu vir para o Brasil com a mãe Joaquina e os irmãos da Conceição - João e Antônio - pai do Tio Bruno. Conceição estava grávida da vovó Benedicta. Eles vieram de navio, foram 10 dias e 10 noites, mas não foi possível desembarcar no Brasil, devido a uma epidemia. Tia Dolores não soube dizer se a epidemia era no Brasil ou se a deixaram na Espanha. Assim, o navio seguiu para outro país que os aceitassem, que foi a Argentina, onde a vovó Benedicta nasceu, mais precisamente, em Buenos Aires.
Pararam na Argentina e lá gostaram do clima e ficaram uns 40 dias, onde os irmãos da Conceição até arrumaram emprego, mas logo veio a permissão para irem para o Brasil e vieram todos. 
Dez dos 14 filhos do casal:
João Nuss e Benedicta. 
Foram parar nas proximidades de Italva, não se sabe se já havia algum parente lá.
Foram empregados de fazenda, alguém falou que podia colher e comer o que quisessem e aí fizeram um festejo com milho assado e outros alimentos. Daí, o patrão soube e mandou prendê-los. Então, as mulheres pegaram as crianças e disseram que iam juntos para a prisão. Chegando lá, todos os trabalhadores começaram a lavar a prisão e logo foram mandados embora. Trancaram a prisão e eles ficaram do lado de fora! Acabaram voltando para o mesmo local, mas Tia Dolores acha que foram trabalhar para outros fazendeiros.
Casal  ancestral da família Muniz.
Depois, resolveram mudar para um local chamado Pau Ferro e aí Benedicta, ainda garota, não acompanhou os pais, quis ficar com a avó Joaquina. Sua mãe mandava o marido ir buscá-la duas vezes por dia. Mas ela se escondia e o pai não conseguia levá-la. Sua mãe tampouco o conseguiu! Quando idosa Benedicta contou que se escondia no barranco de um rio...
Os irmãos Antônio e João resolveram voltar para a Espanha. Joaquina também quis acompanhá-los, daí a Benedita não quis ficar sem a avó e retornaram para a Europa. Vovó Benedicta tinha mais ou menos cinco anos nessa época.
Tio Máximo e Jacinta,
1956.
Na Espanha os tios da Benedicta casaram-se, tiveram filhos, até que chegou um período de guerra com o risco de irem para o campo de batalha de Cuba. João era o mais forte, com maior possibilidade de ser levado para a guerra, então, ele voltou para o Brasil. Segundo tia Dolores, Antônio era franzino, teve pneumonia seis vezes, era muito magro mesmo.
Joaquina, o filho Antônio e a neta Benedicta ficaram na Espanha. João arrumou uma companheira no Brasil - Dona Délia. Juntos, tiveram dois filhos, um chamava-se também João (conhecido como João 2º), depois resolveu deixar Dona Délia e voltou à Espanha, casou-se e teve mais dois filhos lá.
Mais tarde, resolveram todos voltar para o Brasil, quando Benedicta estava com 18 anos. A avó Joaquina que na ida para a Espanha passou muito mal, nesta volta passou bem.
Pedro Nuss, no enlace de
Antônio João e Mª Sandra. 
Dona Délia deixou os filhos conhecerem a avó, mas ela nunca procurou o João. Logo Benedicta, ainda aos 18 anos, conheceu João Nuss, com 32 anos.
O Tio João era casado com Maria Robaina (costureira). Benedicta teve irmãs: Joaquina (casada com Pedro Robaina - irmão da Maria Robaina); Conceição (casada com Domingos Florido). Tia Dolores ficou confusa, se o nome era Domingos mesmo, e Francisca, que noivou com João Florido, primo do Domingos, mas não chegaram a casar, pois a Francisca adoeceu e faleceu. Havia também um irmão Francisco (casou com Antônia da família Mérida, que morreu cedo, tendo deixado uns quatro filhos).
Tia Dolores, uma das
filhas de Benedicta, 2012.
Conceição: mãe da Chiquita (casou com Hilário irmão do nosso Tio Bruno-marido da Tia Maria-filha da vovó Benedicta).
Joaquina teve três filhos: Florípes, Eulália (Lalá) e Sirlei (a caçula).
Pedro Nuss – pai do vovô João, nasceu em Nova Friburgo, quando rapaz saiu da cidade sozinho, foi passando de fazenda em fazenda, ele fazia bengalas com desenho no cabo (desenho de passarinho) e também fazia serviço de alfaiate (ternos), chegou a São João do Paraíso, lá encontrou com Maria Rita e se casaram, tiveram 3 filhos: Pedro, Madalena e por último João Nuss. O irmão Pedro Nuss faleceu, quando o vovô João tinha três anos, que em adulto falava que tinha lembrança só do avô e não do pai. Este avô deve ser por parte de mãe, pois a família ficava em Friburgo. Sabe-se que sua família também tinha ascendência europeia. Teriam vindo da Alemanha e se radicado em Friburgo.
Tia Mercedes, jovem.

Pedro casou-se com Juliana. Madalena casou-se com um rapaz da família Bauer, conhecido como Zeca. Como se sabe, o sobrenome Bauer é de família alemã. Este nome ainda permanece aliado à família Nuss, assim como tantos outros: Teixeira, Macedo, Oliveira, Alves, Ferreira, Ornelas, Muniz, Correia, Gonçalves...

João Nuss casou-se com Benedicta Florido Gimenes Moniz dando origem à nossa família.

domingo, 23 de setembro de 2012

TIO ALFREDO


Aleixo e Regina em Londres, 2010.
Aleixo conta que, na sua infância, buscava a companhia dos primos para brincar. Sua irmã Lourdes tentava acompanhá-lo  nas traquinagens em casa, mas era menina e mais nova. Silvia e Felipe chegaram depois e havia boa diferença de idade entre eles. Assim,  seus maiores amigos eram o Joãozinho do Tio Pedro e o  Gonzaga. Mas gostava muito de estar com os filhos de tio Alfredo Ornelas e tia Mercedes também. Todavia,  esses primos e primas se ocupavam bastante com  a Venda do pai  e não tinham muito tempo livre para brincadeiras. Porém, todos os primos e primas recebiam suas visitas frequentes, ele não esperava que o procurassem.   Isto acontece até hoje!
Antônio Ornelas, esposa, Aleixo
e Dalva, 07.03.12.
Conta que Joãozinho e ele aprontavam muito, disputavam a supremacia física com lutas sem violência, apenas disputa de força. Caçavam nas florestas e pescavam nos córregos que lá eram chamados de valão. Muitas eram as brincadeiras. Naquela época as crianças adoravam explorar os arredores, criando o seu próprio entretenimento junto à natureza. E os meninos brincavam separados das meninas.
Quando fomos visitar o tio Antônio, há algum tempo, Tia Norelina  me contou que ele costumava aparecer para comer um bom prato de canjica. Até hoje Aleixo é um exemplo de magro guloso!
Aleixo e Tia Lourdes, 2012.
Tio Alfredo era um homem muito empreendedor. Cuidava do seu sítio, tinha a venda que administrava com o auxílio da esposa e dos filhos, tinha uma fabriqueta de ferramentas (forja) e foi responsável pela criação da primeira escola da região, na qual os  seus familiares e a comunidade local estudavam. 
Aleixo respeitava e admirava todos os seus tios e tias, mas tinha predileção pelo Tio Máximo e pela tia Lourdes!  E sei que todos  que eu tive o prazer de encontrar em vida, junto com o Aleixo, demonstram verdadeiro afeto por meu marido. Eu sinto isso a cada vez que vamos visitá-los!
Regina, Rodrigo, Marília,
Rafael e Aleixo 
Talvez as últimas gerações não consigam compreender o valor que teve o embasamento familiar iniciado pelo casal João Nuss e Benedita Ximenes. Possivelmente essa energia se cristalizou beneficamente e até hoje pode ser percebida na descendência e nos laços de afeto que ligam essa imensa família, independente de tempo e espaço.

sábado, 22 de setembro de 2012

É PRIMAVERA...


Regina,22.09.
Lembro que durante uma de nossas viagens ao exterior sentíamos falta dos pássaros brasileiros e até me lembrei do escritor romântico Gonçalves Dias que cantou nossas aves e palmeiras. Hoje acordamos com os pássaros que cantam neste bosque da Shamballa, não apenas celebrando a vida, mas também demarcando seu território. São muitos, em bando, em grupos familiares ou isolados e de diversos tipos. 
Praça Cívica em Goiânia.
Minha miopia não me permite identificá-los com precisão ao longe. Percebo mais a cor, o movimento e seu canto alegre. Os sabiás são os que mais marcam com sua presença constante, comem a ração do papagaio e até dos cachorros. As juritis, as rolinhas e os pombos reais também não dão sossego, estão sempre compartilhando a ração das galinhas e dos perus. Passam bandos de periquitos, araras, tucanos, entre outros.
Agora é primavera e as primeiras chuvas trouxeram maior encantamento lúbrico à natureza que manifesta a sua exuberância colorida!
O Coreto da Praça Cívica!
Bettina continua cuidando bem de seus filhotes. Vou vendê-los daqui a dois meses. Todavia, uma das crianças que vai ganhar o seu primeiro animalzinho deve vir aqui hoje para escolher. Eu disse que é muito cedo, só vou entregá-lo após a primeira vacina, mas a impaciência infantil com a expectativa feliz do presente não aguenta esperar. Celina o trouxe aqui. Veio com sua amiga Lúcia, seus filhos, a Vivi e o Rafa.
Agora acontece a feira anual da Holambra em Goiânia! O palco é a Praça Cívica que me traz tão boas lembranças da minha infância. Essa praça é o marco central da cidade de Goiânia. É dali que partem as principais avenidas - Goiás, Tocantins, Araguaia, 83, 84, 85 e 90. 
Monumento às Três Raças.
Nessa praça está localizado o verde Palácio das Esmeraldas, residência oficial do governador de Goiás, o Palácio Pedro Ludovico Teixeira, o centro administrativo, o Museu Zoroastro Artiaga e o Monumento às Três Raças. 
A Praça Cívica abriga a cada ano as festividades de aniversário de Goiânia, comemorado em 24 de Outubro, com a presença de cantores e cantoras nacionais de todos os estilos musicais. 
Palácio das Esmeraldas - GYN.
Nossa praça também é palco para apresentações culturais e religiosas como a cantata de Natal e as festividades de Ano Novo, protestos contra políticos, além das comemorações de Corpus Christi, sempre realizada no início do mês de junho.
E logo mais visitaremos a feira de plantas que abre hoje na Praça Cívica...

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

JILÓ RE- CON- FI- GU- RA- DO


Lei e Re, no aeroporto do Rio.
Ontem nós assistíamos à programação televisiva à noitinha quando comecei a ouvir ruídos semelhantes a miados. Questionei o Aleixo se ele prendera os cachorros e ele me respondeu que apenas a Kei-Ra estava no canil. Lei abaixou o som da TV e foi dar uma volta atrás do som que também ouviu. Voltou minutos depois com o primeiro filhote da Bettina nas mãos. Ela havia entrado em trabalho de parto. Depois foram chegando os outros e assistimos a todo o processo, maravilhados com a perfeição da natureza. 
Bettina amamentando filhotes após o parto. 
Tem uma placenta para cada filhote. Bettina foi parindo um de cada vez, ela mesma cortou o cordão umbilical e fez a higiene necessária com a boca. Lambe cada um deles para que se alimentem ou evacuem no momento certo. Hoje cedo havia seis filhotes. Saímos por algum tempo e ao retornar havia chegado um retardatário. Ela parece estar bem e os filhotes estão mamando normalmente. 
Gosto muito de jiló. E ofereci doce de jiló ao Aleixo. Ele provou e aprovou, mas logo me disse que eu havia  re- con-fi-gu -ra-do - o jiló! Rimos muito de sua criatividade. É que o doce de jiló tem gosto de doce de figo e quem lho ofereceu foi a Re! Aliás, se eu não soubesse de que era feito, juraria que era mesmo de figo, que adoro! 
Jilós emagrecem e purificam o hálito. 
A chuva veio no momento do parto da Bettina. Hoje o clima amanheceu maravilhoso. E já percebemos o início da estação das cigarras neste ano de 2012!  Sabemos que as cigarras são insetos que possuem um longo período de transformação que chamamos de metamorfose. A metamorfose nos insetos é comum, mas as cigarras são os únicos insetos que produzem o som alto e estridente que conhecemos. 
As fêmeas adultas de cigarra são fecundadas pelo macho no período de intensa agitação. É a época em que os machos cantam mais. Depois de fecundadas, as fêmeas põem seus ovos em ramos e folhas de vegetais, e morrem logo após. Quando os ovos das cigarras eclodem, saem ninfas, os insetos jovens, que descem das plantas e se enterram no chão, alimentando-se da seiva das raízes. 
Cigarra na primavera da Shamballa.
Dependendo da espécie de cigarra, a fase em que ela fica enterrada no solo pode durar de quatro a dezessete anos. Depois de passar por esse período ela abandona o solo e sobe nas árvores. Uma vez nas árvores, a cigarra sofre uma transformação, tornando-se adulta e apresentando-se pronta para o acasalamento. 
Nesta época da primavera brasileira, as cigarras ficam em intensa movimentação. Os machos que possuem aparelho estridulatório em seu abdome emitem sons para atrair as fêmeas ou afastar os predadores.  Cada espécie de cigarra tem um canto diferente, sendo que as maiores fazem mais barulho, principalmente nos dias mais quentes. 
Astro, Bettina e Kei-Ra no sítio.
O barulho feito pelas cigarras é alto, por isso tanto os machos quanto as fêmeas possuem um par de membranas que funciona como orelhas, para que o som estridente não provoque danos ao inseto.
Os machos de cigarras cantam não só para atrair as fêmeas, mas também para manter seus predadores bem longe, principalmente as aves. Ao cantar, o som alto e estridente das cigarras machuca o ouvido sensível das aves, além de atrapalhar na comunicação do grupo. 
As cigarras têm importância positiva e negativa no ecossistema. A importância positiva é servir de alimento para predadores, e a negativa é a de ser praga para algumas culturas. Quando as ninfas das cigarras estão no subsolo, sugam a seiva das plantas pelas raízes, provocando ferimentos que servem de porta de entrada para fungos e bactérias causadores de doenças.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

PERALTICES DE ALEIXO MENINO


Aleixo, no Arpoador, Rio, 66.
Aleixo lembra que todos os familiares o consideravam extremamente levado na infância. Sua avó Benedita algumas vezes queria pegá-lo para aplicar-lhe um corretivo, costume educacional da época! Ele, então, se escondia debaixo das mesas e imitava o latido e o rosnar dos cachorros para escapar do castigo. Meu marido acha que devia ter uns três anos  nessas ocasiões e ouviu esse relato de suas tias! 
Lei reconhece que não era uma criança fácil de ser educada. Sua mãe costumava fazer uns camisolões para que ele vestisse na primeira infância, mas ele queria calças. Então, ele arranjava um jeito de eles rasgarem ao subir nas árvores! Acontece que Dona Joaquina resolvia costurá-los... 
Daí, ele descobriu um jeito de ficar livre daquelas indumentárias... Percebeu que sua mãe colocava as roupas infestadas de carrapatos próximas ao fogão para serem sapecadas. 

Seu avô João Nuss e netos: Márcia e
Francisco José.
Passou a imitá-la, colocando seus camisolões também, mas fazia com que eles fossem queimados mesmo. Dona Joaquina acabou capitulando e passou a costurar-lhe calções que Aleixo julgava mais masculinos!
Ao perguntar à mãe Joaquina como chegavam os bebês, ela lhe respondeu que as cegonhas os traziam. Ele perguntou então sobre os filhotes dos diversos animais. Ela lhe disse que havia cegonhas para todo tipo de bicho e ele a desmentiu na hora, afirmando ter visto como os animais eram encomendados e depois paridos.
Ele lembra que quando começou a frequentar a escola rural já detinha algum conhecimento assimilado em casa. Conhecia o alfabeto, parte da tabuada e o B+A = BA.

Tia Francisca, irmã de sua mãe.
Sua escola  ficava a 3 ou 4 quilômetros de distância de sua moradia. Os meninos iam a pé, descalços em sua maioria e cruzavam riachos,  passando por trilhas, trechos de floresta que eles chamavam de capão. Era verdadeira aventura. 
A sala de aula era constituída de crianças de todas as idades e níveis, quase todos primos!  Sua primeira experiência escolar foi em sala improvisada na casa do Tio Pedro e ele se lembra do primeiro mestre – Benedito Cipó. Esse era um negro alto, magro, calmo e andava se contorcendo devido a algum problema físico. 

Aleixo e Regina. Farol da
Pousada do Brasigóis, RN.
Quando fui a Itaperuna, quis conhecer o local da antiga escola de sua infância, na região da Capivara, onde Aleixo nasceu e viveu até os 13 anos de idade. Ele me contou que essa sede foi construída pelo Tio Alfredo e me mostrou uma árvore plantada por sua irmã Lourdes na década de cinquenta.

Minha imaginação de escritora fluiu pensando na riqueza das histórias vividas pela família Nuss e as outras famílias às quais eles entrelaçaram suas vidas...