sábado, 18 de fevereiro de 2012

VIAGEM À LAGOA FORMOSA


Regina e Aleixo, na Shamballa, 17.02.12.
Deixamos tudo pronto na véspera e pudemos sair cedo na sexta-feira. Meu marido tem um GPS no cérebro, pesquisou na net e estudou mapas para que fizéssemos a viagem com facilidade. Não choveu e pudemos observar a paisagem de diferentes tons de verde. Muita plantação de soja, sorgo, eucaliptos, araucária. Imensas fazendas, vista linda.

Almoçamos  entre Iraí e Patrocínio. Ao atingirmos Patos, enviamos mensagem para Fábia. Ela respondeu, dizendo já estar em sua casa na Lagoa. Sua residência é linda, muro de vidro pelo qual se pode avistar a lagoa. A prefeitura da cidade paga o aluguel da casa para os médicos internos, a empregada, internet, as refeições. Eles têm academia ao lado e pista de Cooper ao redor da lagoa.

Aleixo entregando Alfeu a Celina, na
presença de sua cadela. 
Depois de darmos umas voltas  de carro pela cidade com  a Fábia, fomos para Tiros onde Vaíte e Fred nos aguardavam.  Aqui eles recebem visitas dos parentes o dia inteiro. À noite chegaram os sobrinhos do Vaíte – Ademar, sua esposa Ronize e o bebê Bernardo. Vaíte preparou o jantar.

Fábia nos contou que durante seu plantão ontem, seu supervisor - o clínico geral Alex – atendeu um paciente e o proibiu de comer carne gorda. Depois, pediu à minha filha que o substituísse por instantes. Foi a um açougue próximo buscar uma encomenda para seu churrasco neste feriadão. Lá chegando encontrou o mesmo paciente que estranhou vê-lo com tanta carne inadequada à saúde. Ao seu questionamento, ele respondeu que sua indicação era para sobrar mais carne para si próprio. Faça o que digo e não o que faço, não é?

Fábia, Regina, Aleixo, Ronize, Ademar  e
 o Bebé Bernardo.
Hoje estivemos para aqui colocando a coversa em dia em meio a tantas guloseimas da cozinha mineira. Fábia chamou o técnico de informática Renato que em poucos minutos resolveu a questão. Em Natal e em Brasília o programa próprio de meu plantão não havia funcionado. Não acontecerá mais! E hoje poderei fazer meu plantão sem problemas!

À tarde pude curtir a companhia de meu neto Frederico! Ele continua chateado com a mudança de Araguari, mas resolveu terminar o segundo grau pelo supletivo. Uma professora virá estudar as apostilas com ele a partir desta segunda-feira. As aulas de pintura foram interrompidas, mas tentaremos arranjar alguém em São Gotardo na próxima semana.

Carnaval Abaeté folia, 2012.
Soube que o melhor carnaval de Minas é aqui perto, em Abaeté. Dizem ser bastante animado e por coincidência é a terra natal de minha mãe – Dona Didi. Com 5 anos de vida e com uma estrutura nos moldes do carnaval de Salvador, o Carnaval de Abaeté, com título de ABAETÉ FOLIA, atrai foliões de todo o estado de Minas e outras partes do Brasil. Um circuito de rua com trio elétrico, camarotes open-bar e uma mega estrutura de boate, unen a música baiana à música eletrônica.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

BETTINA. MÉDICOS E PACIENTES


Regina, 16.02.12
Por que a gente espera tanto nos consultórios médicos e odontológicos? De certo é por isso que somos chamados de pacientes, não é?
Ontem eu tinha um exame marcado há uma semana para 11h40. Cheguei ao hospital dez minutos antes para passar o cartão do convênio. Mas o médico já havia ido embora. Ele terminou o exame anterior um pouco antes e saiu minutos antes de eu chegar.
Lívia e Thiago, sobrinhos veterinários.
Sua secretária remarcou para o próximo mês, porque vou viajar. Eles estão tão acostumados a terem pacientes esperando por horas, mas não aguardam um momento sequer! Mesmo quando o paciente não se atrasa, apenas o angiologista se adiantou um pouco.
Resolvemos entregar o galo Alfeu para a Celina antes de viajarmos. Cedo, Lívia veio com o Tiago para examinar a Bettina. Levaram-na para fazer o ultrassom. É a terceira vez que Bettina fica prenha e nas duas vezes anteriores estávamos viajando e ela perdeu os filhotes.
Regina, Aleixo, Thiago e Lívia, na Shamballa.
Agora nós decidimos ver o que está acontecendo e os sobrinhos veterinários vão nos ajudar. Lívia e Tiago se casam no dia 12 de maio e estão entusiasmados e felizes cuidando dos preparativos para o enlace. Estamos contentes de sermos padrinhos mais uma vez!
Casa de Marimbondo Chapéu na Shamballa.
Aleixo descobriu uma casa de marimbondos chapéu em um arbusto pertinho do escritório. O marimbondo-chapéu é uma espécie de inseto himenóptero da família dos vespídeos.  Soube que eles possuem coloração amarela e ocelos notavelmente desenvolvidos, derivados de seu hábito noturno. Seu nome popular se deve ao fato de construírem ninhos com formato de chapéus.
Bettina, aos 41 dias!
Lívia e Thiago logo retornaram com a Bettina. Ela está prenhe e ótima. Pode dar à luz ao menos a seis filhotes, conforme ultrassom. Eles concluíram que ela pode estar comendo os filhotes e desta vez permanecerá assistida. Receitaram apenas um vermífugo que ela começará a tomar hoje ainda. Ficamos muito gratos com a gentileza, dedicação e competência de nossos afilhados veterinários!

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

MUDANÇA DE CENÁRIO NO CARNAVAL


Aleixo e Regina, em Lamego, Pt, 11.09.2011.
Alguém disse que nem só de confete e serpentina é feito o carnaval. Já gostei muito da folia e na adolescência minhas irmãs e eu esperávamos ansiosas por esta festa.  Atualmente, prefiro uma boa leitura ou mesmo uma mudança de cenário. E, para muitas pessoas, o carnaval se transformou em um tempo propício para fugir do tumulto e investir na reorganização pessoal e espiritual.

O carnaval também pode ser tempo de aprender. Fiz alguns cursos na área holística nessa época, durante alguns anos. Essas atividades acontecem em retiros organizados por grupos diversos em cenários variados: na praia, no campo, em escolas urbanas. Estive no Campo da Paz, em Faina, perto de Goiás; na Serra da Portaria, em Paraúna; em Extrema, MG. e em outros espaços holísticos, tanto em Goiânia, como em Sampa.
Regina, Juliana, Matheus e Bettina, na
Shamballa, 15.11.2011.
Em São Paulo, eu integrava o grupo Unitrilhas e costumávamos caminhar pelas reservas ecológicas nacionais. O prazer de estar na companhia de amigos, sentir o delicioso aroma da mata ou o frescor de uma fruta silvestre, são sensações que perduram por anos e marcam a nossa alma prazerosamente. Isto deve ter me influenciado na escolha da Shamballa para viver.
Eles chamam a modalidade de ecoturismo de bem-estar e dizem que a meta principal é promover a interação com a natureza. Os exercícios vão sendo feitos de acordo com as paisagens do local no alto de uma montanha ou numa cachoeira, por exemplo. Era muito bom!
Picapau fotografado na arvore da Shamballa.
Na ocasião eu não tinha tanta possibilidade de realizar conexões com a natureza e usava esses dias para desacelerar, diluir a ansiedade e o estresse e tornar esse contato com o ambiente mais harmônico. Isso pode ser feito sem a gente deixar a cidade também.
Essas opções propiciam o desenvolvimento do bem-estar físico, emocional e mental.Todavia, este ano, Aleixo e eu optamos por viajar para Minas e visitar genro, filha e neto. Convidei alguns irmãos para nos acompanhar. Após o carnaval prosseguiremos a viagem  de carro rumo ao Rio  de Janeiro. Já sinto saudade do mar!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

CAFÉ NA EDITORA DA PUC

Keila Matos, Regina, Gabi, Éris, Alcides,
no lançamento da Coletânea,  em GYN. 

Ontem fomos caminhar pelos arredores da chácara e comprovamos a intensidade desta estação de chuva em Goiás. Os riachos estão cheios. As lagoas transbordam. Vivemos neste sítio desde janeiro de 2006 e nunca vimos tanta água. Soube que alguns bairros da capital goiana estão com problemas sérios. 

Aleixo resolveu fazer alguns exames médicos de rotina e em seguida fomos à Editora da PUC para participar de um café da manhã em homenagem ao querido Professor Gil. Ele pode deixar a coordenação da Editora porque teve de pedir seu desligamento voluntário em virtude de sua idade. 

Pró- Reitora Sandra, reitor, Gil e Nair.
Mas pode ser convidado para ocupar outras funções e aguarda as determinações superiores.

Gil foi padre redentorista por muitos anos. Depois conheceu uma linda freira – Alda - e se apaixonaram. Deixaram o celibato, casaram, tiveram dois filhos, hoje, encaminhados. Ele é Mestre em Comunicação e docente na PUC há cerca de vinte de cinco anos.

Nosso coordenador trabalhou muitos anos na chancelaria e já dirigia as revistas há algum tempo, quando assumiu também a editora, em 2002. Fui sua assessora por cerca de sete anos e aprendi muito com sua convivência que agradeço até hoje. 

Gil Barreto Ribeiro, em 11.12.2011, na
Shamballa. 
Nosso amigo editor convive com uma enfermidade degenerativa dos membros, mas jamais reclama de nada, está sempre de bom humor. Seu alto astral contagia as pessoas que o rodeiam. Tem sempre uma palavra de estímulo para quem precisa.

Gil está sempre pronto a prestar apoio emocional a quem o procura. Ele exerce sua liderança com amor e todos gostam de trabalhar ao seu lado. Em quase dez anos, conseguiu uma produção editorial inestimável.  Sua cabeça funciona melhor que a de muita gente bem mais jovem. É trabalhador incansável e desempenha as suas funções com entusiasmo, boa vontade, dedicação e competência. É gratificante conviver com ele tanto no trabalho, como socialmente.

Gil Barreto com sua equipe da Editora, 2011.
A homenagem de hoje foi apenas o fechamento de um ciclo. Ele certamente atuará em nova função plasmada no alto. Afinal, somos imortais e temos todo o tempo de que necessitamos para nosso crescimento. 
E me coloquei à sua disposição para organizar novo evento comemorativo à nova etapa que ele iniciará, mas ainda desconhecemos.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

EDUCAÇÃO AMBIENTAL


Regina, 13.02.2012.
Acredito na educação e sei que pequenas atitudes podem contribuir para a melhoria da triste realidade de nosso planeta. Não devemos pecar pela omissão. Tampouco ser prepotentes ao ponto de decidir o futuro de todos que habitam a terra. Devemos refletir sobre o que pretendemos deixar para os nossos descendentes.

Cada um de nós pode fazer o que tem que ser feito: respeitar o próximo: animais, vegetais, minerais, em especial, a água e o ser humano. Pois, temos conhecimento de que a terra vive sem nós, mas não podemos viver sem a mãe natureza.

Luis César contribui semanalmente para a
 limpeza do espaço com atitudes sustentáveis
Por isso, precisamos começar a mudança desde já, priorizando os recicláveis, evitando desperdícios. Aquilo que chamamos de recursos naturais são parte de nós. Mas esse arsenal está acabando. Vamos repensar as nossas atitudes e buscar agir com amor e consciência.

Hoje existem vários projetos de educação ambiental. Todos eles visam ao melhor aprendizado na interação com a natureza e pretendem transmitir às crianças conceitos e valores sobre o meio ambiente, a biodiversidade e a importância de conviver em harmonia com o ecossistema.

Matheus e Juju, 24.12.2011.
Alguns também capacitam e aperfeiçoam professores da rede pública de ensino em Educação Ambiental. Todavia, isso deve começar em casa, no dia a dia de cada um!

É importante educar nossas crianças de todas as idades para serem úteis e conscientes de seu papel junto ao meio ambiente. E a cultura do trabalho ainda é a melhor terapia em minha concepção. Ideias mal interpretadas sobre a exploração infantil têm contribuído para a criação de uma geração de inúteis. O trabalho faz bem em qualquer idade!
Em relação ao trabalho, sei que cumpro bem a parte que me cabe! Todavia, em questão de sustentabilidade, ainda tenho muito a aprender!

Que haja luz em nossas almas e harmonia em nossa consciência!


MATHEUS E JULIANA SÃO AQUARIANOS

Neta Juliana, Regina e grupo de professoras
 do Colégio Perpétuo, 12.02.2012.
O aniversário de meus netos foi perfeito. Muitos amigos e vizinhos, familiares e padrinhos, inúmeras crianças encantadas com os brinquedos alugados, o parquinho do prédio, as mesas cuidadosamente decoradas, doces, salgados, bebidas, guloseimas, enfeites, muito amor e alegria no ar.
Não é fácil fazer uma dupla festa infantil num domingo pela manhã e Luciana, Otavio, Salucha, Pedro, Aleixo e eu corremos muito com os preparativos que não puderam ser antecipados.  Mas transcorreu tudo harmoniosamente. As crianças são muito queridas pelos vizinhos e professores e todos compareceram para prestigiá-las.
Mesa da Minie - Juliana, 3 anos.
Luciana contou com o auxílio inestimável de sua amiga Salucha, mãe do Kenzo, amiguinho do Matheus. Fiquei deveras encantada com o astral, a boa vontade, o bom gosto e a capacidade de doação de sua amiga que encontrei pela primeira vez.
Aleixo fez questão de encontrar o caminho sem auxílio, pesquisando a rota e atualizando o GPS. Assim, a viagem foi um sucesso em todos os sentidos.  Fomos para Brasília na véspera e pude curtir meus netos um pouco mais. E acertei na escolha dos presentes que eles receberam e puderam fazer uso lúdico antes da festa.
Mesa do Matheus com seus dinossauros.
Na volta, viemos conversando sobre a escolha dos nomes. Pedro Henrique contou que seu pai queria batizá-lo como Wesley, mas sua avó brigou por vários dias até que o pai concordou em chamá-lo como ela desejava.

Lembrei-me de que meus pais contavam que minhas avós também discutiram por causa de meu nome. Uma delas queria que eu fosse Minerva e a outra Vitória Régia. Graças a Deus meu pai me registrou como Regina Lúcia, nome que ele havia escolhido muitos anos antes de eu nascer.

Regina, Otávio e Salucha, na festa em BSB.
 Tanto a Juju quanto o Matheus têm amigos inseparáveis! Quanto mais convivo com meu neto Matheus, mais me encanta a sua maturidade espiritual! Ele detém sabedoria milenar em seus verdes oitos anos!

sábado, 11 de fevereiro de 2012

LEXIN MALUQUIN


Aleixo Nuss de Oliveira, 1964.
Pedi a Aleixo que falasse um pouco de si mesmo e ele me entregou este texto que é um olhar resumido de seus primeiros anos de vida. Essa história começou com o nascimento do menino Lexin Maluquin no mês de julho de 1941, enquanto a Europa fervilhava, levando a termo uma das mais horrendas histórias da humanidade. Ele nasceu numa casinha de pau-a-pique coberta de sapê, à beira de um córrego chamado Valão da Capivara, pois até hoje ainda existem alguns desses animais na região. A denominação “valão” nada tem a ver com vala, é apenas o termo usado para indicar pequenos córregos ou riachos da região. Nesse riacho, que deságua no Rio Muriaé, ele logo iniciou sua preparação para fazer suas notórias estripulias futuras, antes de se aventurar no próprio rio que fica a uns dois km de onde ele nasceu e viveu de pés no chão, parte de sua infância.

Avós maternos do Aleixo: João Nuss
e Benedecta Ximenes.
O berço de Lexin era rústico, feito de lascas de bambu trançado, forrado com uma pequena esteira de taboa, pendurado por quatro cordas amarradas numa das travessas da casa, também construída dentro dos parâmetros ecológicos, como se classificaria hoje em dia. Ele ficou pouco tempo no berço, logo que aprendeu a engatinhar já fugia pelo campo afora, não importava com as surras que levava das formigas, marimbondos, abelhas e outros bichos. Sua gana pela liberdade era surpreendente, ele precisava ir, ir, ir, não importava para onde, segundo contam seus tios, tias e velhos conhecidos. Quando Lexin tinha uns dois ou três anos de idade era difícil achá-lo dentro de casa, sumia pelas matas virgens e campos. Sua mãe já nem se preocupava muito, tal era sua determinação em tomar suas próprias decisões. Não se sabe como sobreviveu.

Aleixo com colega, em Sidney, Austrália, 71.
Lexin não tinha brinquedos comprados, quando muito uma bola de borracha, mas tinha todos os brinquedos que a natureza lhe oferecia ou eram tomados por ele como tal, nem vale a pena listar, pois eram muitos. Por exemplo, cachorros, gatos (em especial o gato Simão, que era valente, enfrentava toda a cachorrada e saia vencendo e, além disso, ajudava Lexin a pescar). Estava sempre acompanhado de seu cachorrinho branco e preto com uma mancha sobre um dos olhos, que atendia pelo nome de Tomix, caçavam juntos, literalmente. Tinha o cavalo Pombinho (se Lexin caia dele, pois sempre andavam aos galopes, parava e voltava para esperar ser montado novamente) e daí por diante, eram coniventes e não ligavam para os parentes que criticavam as galopadas.

Aleixo no navio saindo de Sidney
para a África do Sul, 1971.
Sua energia para fazer coisas era quase que inesgotável e, assim, começava a participar um pouco dos afazeres: ajudava a colher café, arroz, tocava os bois no engenho etc, mas nada era muito sistemático, suas atividades próprias não podiam ficar esquecidas e ele simplesmente desaparecia da visão dos adultos e aprontava todas... Lexim não sabia viver sem uma parte do corpo ferida, principalmente joelhos, tornozelos, canelas, dedos das mãos e dos pés. Suas experiências eram amplas e irrestritas, mesmo as jararacas, caninanas e outras cobras jamais conseguiram pegá-lo, ele as via antes ou no ato do ataque e pulava fora, matando-as quando lhe davam chance. Que saudade daquilo que eu tão pouco valorizava na época...

Aleixo consertando linha telefônica
Quase nada era comprado em lojas, ou melhor, vendas, com exceção do sal e alguns temperos, tecidos de brim rústico (cáqui e azul para calças e um tecido xadrezinho mais fino de algodão para camisas). As roupas eram cortadas e costuradas pelas donas de casa, à mão, ou com máquinas de costura Singer ou Pfaff daquelas que tinham a felicidade de receber dos pais, como presente de casamento. Sua mãe fora uma das poucas que recebeu uma Singer nova, a qual existe até hoje em poder de sua irmã mais nova. Era um costume das famílias mais bem estruturadas. Mesmo na “rua”, como chamavam o pequeno povoado onde havia muitas casas de comércio, existia pouca variedade de artigos que pudessem interessar às crianças.

Aleixo e Regina, no Rio, 02.11.2011.
Lexin tinha na casa de seus avós maternos um mundo de conforto: como banho quente numa banheira em que ele tinha medo de ficar, pois a mesma era assentada sobre duas cabeças de urso de bronze; frutas das mais variadas do pomar; comidas diferentes; entre uma série de outras coisas que para ele eram especiais. Isto sem falar no movimento intenso de gente, tios, tias, trabalhadores, uma avó espanhola que não soltava de seus pés e ele tudo fazia para deixá-la tiririca da vida enquanto suas tias o adulavam e lhe aplicavam boas palmadas sempre que necessário, para o deleite de sua avó. Quando essa avó tentava pegá-lo, ele se enfiava debaixo de uma mesa gigante e começava a latir como um cachorro, aí a perseguição terminava, é claro, todos caiam na gargalhada.

Aleixo, Arthur, Regina, Lu e Otávio,
em BSB, 2003.
Quando Lexin era criança, a Capivara - região onde cortaram seu umbigo - era bem movimentada pela produção de café, milho, feijão, arroz, entre outros. Como de costume na época, quando muito pouca coisa era industrializada, sua primeira casa foi de pau-a-pique, chão batido e cobertura de sapê, a segunda, uns dois ou três anos depois, foi com baldrames de madeira, assoalho de tábuas de aroeira, cobertura de tabuinhas sobrepostas. A cozinha e a dispensa não podiam ter assoalho de madeira, pois o fogão era a lenha. Sua terceira e última casa, alguns anos depois, foi mais bem construída, seu pai contratou um carpinteiro e fez algo melhor, dentro dos padrões locais, mas de madeira com e paredes de pau-a-pique e rebocadas e caiadas é claro. Tinha até um alpendre com madeiras trabalhadas, o que era um luxo para a região, até seu avô elogiou (e isto tinha um peso muito especial, afinal ninguém tinha, em toda a região, água corrente e quente na cozinha, na banheira e no chuveiro, para não falar em vaso sanitário, dentro de casa).

Aleixo, na Austrália, em 1969.
Não havia opções, assim a natureza oferecia as condições para que todos pudessem dela tirar tudo, ou quase tudo, de que precisavam para viver e progredir e todos viviam alegres e felizes. O trabalho rural era a atividade mais comum entre todos e o bom trabalhador era admirado e respeitado. Seu pai casou-se com a filha de um pequeno fazendeiro pelas suas habilidades como trabalhador rural, já que seu avô confiou a ele e a um dos seus irmãos alguns alqueires de mata virgem para desmatar e começar o plantio de café, cultivo que na época era o mais cobiçado pelos fazendeiros, tendo em vista o preço das exportações.

Tudo era cultivado e pode-se dizer que as famílias viviam de maneira autossustentável. Lexin era de porte franzino, mas de uma capacidade muito grande para inventar suas próprias diversões. Os brinquedos que inventava eram dos mais variados, carrinhos puxados a besouros, arco e flecha, balanços de cipó, gangorras, entre outros. Seus limites, nos primeiros anos de vida, era a floresta, em forma de ferradura, ao redor do sítio no qual seus pais plantavam café, milho, feijão, entre muitas outras culturas de subsistência. Sua vida diária era movimentada, apesar de ser a única criança no sítio, seu pai trabalhava com muitos camaradas (trabalhadores) na lavoura e ele aproveitava para aprender coisas de adulto, sem descuidar de suas peraltices infantis. Seus irmãos e primos chegaram mais tarde!

Aleixo e Regina, na Shamballa, 2011.
Cada pássaro, formiguinha, animalzinho silvestre e doméstico não escapavam da sua atenção, pois ele não tinha cerimônias, cada um tinha sua serventia: fosse como brinquedo, para suas experiências “científicas”, ou lá o que fosse... Suas observações eram bastante interativas, para ele gente e animais eram apenas diferentes fisicamente, ele achava que o homem sabia falar, se comunicava e se entendiam e que o cachorro latia e se entendia também, e assim por diante. Sua mãe nunca o convenceu de que eram as cegonhas que traziam os bebês... Lexin sabia muito bem como os bichos traziam os filhotes ao mundo...