domingo, 20 de outubro de 2013

NUSS EM PROSA E VERSO



Regina,2013.
Aleixo me disse que na família Nuss ninguém se destacou nas Letras, artes ou esportes. A Educação da época era mais estoica com prioridade para o trabalho rural. Seu pai, o senhor Silvio Oliveira, tinha pendores artísticos, mas isso constituía ocupação para as horas vagas, porque, segundo os valores da época, a lida no campo era a única forma de vida reconhecida no interior. Mas, agora, a prima Sonia vem desenvolvendo a arte literária e compartilhou um de seus poemas em que o ser de enunciação canta a infância em seu convívio com os avós e a natureza. Sônia graduou-se em Serviço Social, é professora e atua na biblioteca de uma escola pública, em Itaperuna, RJ.

INFÂNCIA
Sonia Nuss.
Minha infância trago sempre
Na memória enternecida
Brincando em um imenso pomar
Na casa dos meus avós
Velhinhos, tão queridos...
Que nos davam liberdade
Para correr entre as árvores
Subindo nos pés de goiaba
Brincando de esconder
No velho engenho
Onde encontrávamos
Os mais diferentes bichinhos
Sonia Nuss e familiares
Até uma ninhada de gatinhos
Lembro-me do Louro
Que gritava com força e vontade
Ô Juan ou então: Juanitooo...!
Da vovó não podíamos nos aproximar
Se o Louro por perto estava
Ele vinha nos bicar, com se quisesse falar:
“Não aproxime da vovó, pois, ela,
Só eu posso amar”
Sonia Nuss, filha e neta.
O grande pé de amora
Com uma sombra confortável
Onde as aves se refrescavam
O enorme tanque onde brincávamos
De guerra de água
Os cachos de banana
As cestas de pinhas
Que vovó guardava
Pra quando os netos chegassem
Além das mangas docinhas
Sophia Nuss.
E as broas da dona Maria?
Ah, que delícia!
O famoso pé de carambolas
Doces e cheirosas
Bem na frente da janela da cozinha
Onde um dia, não me esqueço,
Um primo muito querido
Quase perdeu o dedo...
Quantas lembranças lindas 
E emocionantes
Trago sempre comigo
Como se fosse uma oração
De agradecimento a Deus
Por tanta dedicação! 
Sonia Nuss, outubro, 2013.


quinta-feira, 17 de outubro de 2013

ÁRVORES QUE CHORAM?!




Regina, 2013.
"A alegria evita mil males e prolonga a vida." William Shakespeare
Soube que grupo de religiosos se reúne diariamente diante de determinada árvore. Esse fato tem acontecido em vários locais, no Brasil e no exterior. O ser humano precisa de mitos e o que eles buscam muitas vezes não é  a sombra, mas  os milagres. Os fiéis acreditam que a árvore chora "lágrimas de Deus", por causa de um líquido que desce pelo tronco. Mas um botânico especialista em árvores concluiu que há algo saindo do tronco da árvore, mas não é água.
Árvore que chora na Shamballa hoje
É que os afídeos ou insetos sugam a seiva da árvore e liberam excremento.
Aqui na Shamballa temos várias destas árvores no bosque. As cigarrinhas são insetos que sugam continuamente a seiva das plantas, injetando toxinas que causam deformações nas folhas. As árvores severamente atacadas apresentam parte dos galhos cobertos de espuma branca que lembra a neve. No interior da espuma crescem as ninfas que sugam a seiva e excretam enorme quantidade de liquido que escorre pelos galhos e pingam no solo. Esse fenômeno é conhecido popularmente como árvore que chora!

Cigarrinhas nas mãos do Aleixo
Esse líquido nada mais é do que saliva de inseto.  Trata-se de espécies de insetos silvestres que carregam consigo nas patas e nas asas bactérias e fungos. Eles se instalam ali e formam um casulo. Aleixo teve a oportunidade de abrir um e encontrou dentro algumas cigarrinhas bem pequenas, de cor clara. Creio que elas ficam ali até terminar o  seu ciclo de vida!

Ontem abrimos mão da caminhada vespertina porque nos demoramos mais na piscina. É que apareceram vários
Macacos atrás de ingás
macacos grandes na ingazeira mais alta. Os macacos  fizeram grande algazarra e estiveram muito tempo lá. Optamos por não perder o espetáculo. Eram de duas famílias diferentes, escuros e claros. Os escuros eram bem grandes, quase do tamanho de nossa labradora negra! Pulavam de galho em galho, pegavam um cacho de ingás e sentavam para se fartar...

Teíú com Aleixo
E ainda há pouco, Aleixo pegou um Teiú nas proximidades do galinheiro. Lindo demais e o fotografei antes que ele o soltasse na natureza. Eles comem ovos, tomates e tantas outras coisas, pois são onívoros.
Ele é bravo e tenta morder, se não estiver seguro pelo pescoço. Aleixo me chicoteou com o rabo  do lagarto e gritei de susto... Diz Aleixo que alguns costumam nos enfrentar...

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

FATOS DO COTIDIANO



Regina, 2013.
Com o acúmulo dos janeiros, a gente se lembra dos bons tempos e às vezes tem aquela vontade indescritível de reviver tudo outra vez... De provar novamente o doce sabor das aventuras, quando a gente era muito maior que os próprios sonhos! Sentimos aquela vontade de relembrar as cenas mais relevantes, guardar as mais emocionantes numa caixinha de recordações para revê-las toda vez que a saudade bater. Pessoalmente, criei esse espaço no blog e vou armazenando as memórias mais gratas.

Otávio e Fábia, 1974.
A gente se lembra do primeiro olhar no filho recém-nascido, dos primeiros passos, dos sorrisos... Da chegada da filha... De suas primeiras palavras. Eu quis ser mãe e era extremamente prazeroso cuidar de meus filhos! Enfim, lembrar-se de tudo aquilo que a gente espera nunca esquecer.

A gente lembra ainda do primeiro abraço nos nossos avós e do primeiro carinho nos nossos netos. Sente vontade de voltar no tempo e reencontrar aquelas pessoas que foram tão importantes, mas que nos precederam na mudança de plano... Estar junto a outras que ainda fazem os nossos dias muito mais especiais...

Matheus, 2013.
Se a gente pudesse voltar no tempo e reviver toda a nossa vida desenhada nas folhas de um livro, além de leitores, seríamos os personagens principais das tramas que nós mesmos escrevemos ao longo da nossa história. Mas eu sempre posso acessar o blog e reviver nas postagens alguns sentimentos indizíveis...

Lu me ligou anteontem preocupada com alguns exames. Os resultados ainda não são os que ela desejaria. Sua médica solicitou novo exame e mais uma vez foi aquela dificuldade para o plano de saúde autorizá-lo. Otávio acionava o advogado ao telefone e ela teve vontade de chorar. Feriado prolongado e as crianças em casa. Procurou local distante dos quartos em que os filhos brincavam. Juju tem apenas quatro anos!

Juliana e Matheus, na rede aqui.
Porém, meu neto Matheus, de nove anos, ouviu tudo, deixou a montagem do Lego e a procurou com seu cofrinho nas mãos, perguntando se o exame era muito caro. Ela respondeu afirmativamente, mas o tranquilizou, dizendo que seu pai resolveria logo a questão. Então, Matheus lhe estendeu o cofrinho dizendo que ela podia usar o dinheiro todo e nem precisava pagar-lhe depois... Ela apenas o abraçou comovida...


Matheus e Juju, na Shamballa
Matheus recebe uma mesada simbólica de dez reais ao mês. Meu neto junta o dinheiro para comprar algo meses depois. Às vezes, Lu fica se dinheiro para o pão e lhe pede emprestado, mas nunca deixou de devolver-lhe o pequeno empréstimo. 
Mesmo nas situações mais dramáticas da vida, fatos como esse nos emocionam e dão significado à nossa vida!