terça-feira, 24 de março de 2015

INICIAÇÃO



Templo das Mãos Postas, Loja Rosacruz
Uma iniciação significa iniciar um caminho. Tomar ou receber uma iniciação significa receber o mérito pela conclusão de uma determinada lição e receber um exercício mais avançado. Ou seja, concluída esta lição, recebemos outras lições ainda mais avançadas. Assim se dá o processo de evolução com o ser humano. Ele evolui por meio de estágios e, em cada um desses estágios, ele aprenderá a dominar um conjunto de aspectos que, reunidos, lhe facultam o aprendizado de conhecimentos superiores.
Aleixo e Regina, 2002.
Iniciação é a etapa do processo de evolução espiritual em que o buscador é introduzido ao mundo espiritual, transcendente à realidade tangível pela razão e pelos sentidos. Ao neófito, é aberto o portal do conhecimento e do autoconhecimento, da origem das coisas e das leis que regem o Universo.  Ocorre, ainda, desenvolvimento das qualidades e erupção dos potenciais do iniciado, além dos limites do homem comum. Algumas tradições, como a judaica, afirmavam que ao iniciado era permitido vislumbrar a Face de Deus. Durante o ritual de iniciação
Aleixo e Dona Virgilina
Rosacruz é possível contatar o mestre interior e o sentimento é indescritível... Sinto o mesmo durante as iniciações reikianas!
O processo de evolução espiritual comporta vários níveis de aprofundamento. Assim, existem vários tipos e níveis de iniciação. O iniciado a um nível superior necessariamente é mestre daquele iniciado a um nível inferior. Os iniciados tratam-se como irmãos espirituais e é comum referirem-se uns aos outros por este termo.
Ao longo da história, a iniciação era promovida por
Pirâmide - símbolo rosacruz
escolas esotéricas e grupos ocultistas, que velavam o Arcano também chamado de Mistério, Conhecimento Oculto ou Doutrina Secreta. Atualmente, em virtude da situação evolutiva em que se encontra nosso planeta, o Conhecimento está sendo aberto a todos interessados a se dedicarem com seriedade e respeito a Ele. Algumas iniciações podem ser feitas sozinhas. Outras, mais complexas,  requerem o auxílio de um grupo esotérico e de um mestre legítimo. 
Otavio, eu e Divina, 2014.
Até hoje, algumas seitas e ordens iniciáticas mantêm os ditos ritos de iniciação. São comemorações plenas de simbolismo, nas quais se celebra a iniciação alcançada pelo buscador. É bom lembrar que muitas das festividades que temos na atualidade têm sua origem em ritos de iniciação. 
Ainda, muitos defendem a tese de que a grande maioria, senão todos, dos grandes mestres e vultos históricos que vieram a Terra, seja para promover o desenvolvimento da humanidade, seja para tentar dominá-la, eram iniciados. Alguns usaram seus conhecimentos e atributos para o bem; outros, para o mal.
Símbolo Reiki
Como quesito para a iniciação, a pessoa passa por um processo de construção de sua personalidade e gradualmente vai aumentando sua capacidade de compreender o que realmente veio fazer nesta vida. Nasce, dentro dela, um desejo sincero de ajudar outras pessoas, sem motivos egoístas. A pessoa começa a buscar a sabedoria divina. A partir daí, começa uma
Batismo - minha primeira iniciação, 1949.
busca incessante em direção à espiritualidade. 
Devemos compreender que as iniciações fazem parte de um processo individual de evolução espiritual. Cada iniciação é pessoal, gradual e em seu devido tempo. E, apesar da beleza de qualquer ritual de iniciação, sei que a maiores iniciações acontecem na vida...

quinta-feira, 5 de março de 2015

CULTURA GOIANA E RAÍZES PIONEIRAS




Sobrinha Tarsila e BARIANI ORTÊNCIO
A família Araújo veio para Goiás e protagonizou a história da construção e do desenvolvimento de Goiânia desde os primeiros momentos da transferência da capital do estado. Neste estado, a tradição e o folclore goianos são festejados desde as tochas flamejantes dos farricocos da cidade de Goiás aos mantos brilhantes de mouros e cristãos das Cavalhadas de Pirenópolis.  Aliás, a cultura goiana engloba a escrita literária de Bernardo Élis até a arte primitivista de Antônio Poteiro -, dentre tantas outras manifestações artísticas. Citando apenas alguns nomes - Veiga Valle, Cora Coralina, Goiandira do Couto,
Lei, eu e BRASIGOIS FELÍCIO, 2012.
Carmo Bernardes, Bariani Ortêncio, Siron Franco, Belkiss Spencière, Brasigoís Felício, ... Nossa arte se apresenta de diversas formas, sejam os sabores do Cerrado, as batucadas de Congos ou as violas caipiras, o que resulta em uma diversidade de riquezas culturais que abundam aqui.
Em Goiânia ainda é possível ver algumas raras pessoas repararem nas obras de arte que estão nas fachadas dos prédios antigos que ainda se mantêm de pé. Monumentos arquitetônicos que formam um conjunto importante, que
Familiares no meu batizado, 17.01.1949
recontam a história da capital de Goiás, pois fazem parte de um único projeto e da influência sofrida por seu arquiteto.
Goiânia foi uma cidade planejada para ser a capital. Meu tio Venerando foi o primeiro prefeito da cidade. Costumavam dizer que ele era visionário ao planejar uma cidade para cinquenta mil habitantes. Afinal, a capital anterior nunca passou de um décimo disso! A capital goianiense, logo, reteve uma estruturação
VENERANDO por AMAURY MENESES
influenciada, à época, pelas mais recentes teorias de planejamento urbano. Atílio Correia Lima havia voltado há pouco de Paris, onde estudou urbanismo, quando desenhou a cidade. Advém daí os conceitos usados em grande parte dos edifícios que compõem, hoje, o centro da capital: art-déco. A importância desse estilo que predominou na arquitetura da nova cidade está no fato de o art déco ter sido transitório, isto é, um estilo que fez a passagem do art nouveau para o modernismo. Durou pouco mais que uma década, mas o suficiente para colocar Goiânia em seu mapa de abrangência.
Passear pelo setor central de Goiânia atentando-se para os
Casa Araújo,1942.
detalhes significa ter uma vasta noção de história. Ao sair da chamada Praça Cívica –– cujo nome é Praça Doutor Pedro Ludovico Teixeira — em direção à Avenida Goiás, é possível passar pelo Coreto, com suas formas geométricas e que demonstram uma característica do art déco: a modernidade nos traços somada à composição clássica de base, corpo principal e coroamento. Neste coreto, mamãe costumava nos levar para passeios diários, seus cinco primeiros filhos. Ela levava frutas e comíamos ali depois de brincar pelos
Relógio da Avenida Goiás
gramados da praça. Às vezes ela nos comprava pastéis e caldo de cana que adorávamos!
É o mesmo estilo seguido pelo relógio que está no extremo da avenida... Na estação, ao final da Avenida Goiás, o relógio irá demonstrar ainda mais proeminentemente o principal fator do art déco: o rigor geométrico e a presença de linhas verticais, com o objetivo de tornar, à vista, as construções mais altas. Aliás, os edifícios em que se pode ver com mais facilidade essa técnica são o Teatro Goiânia e a Estação Ferroviária, localizada na Praça do Trabalhador. Duas construções capazes de encantar quem as observa com atenção.
Soube que o teatro é musa para fotógrafos que à luz da manhã de
CINE TEATRO GOIÂNIA
um sábado, por exemplo, deixam suas casas apenas para vê-lo através da lente da câmera. Inicialmente, chamado de Cine Teatro Goiânia, o local não apenas é capaz de desanuviar o pesado cenário proposto pela atual Avenida Anhanguera, marcada pela frenética e afobada pressa do dia a dia, que impregna a sociedade nos dias de hoje. Surge daí um novo conceito de arte. Aquilo capaz de reter a compenetração do obrigatório e levar seus admiradores a um estado mais sensato, que não o estresse habitual do
CORETO DA PRAÇA CÍVICA
sistema socioeconômico atual. Dessa forma, vemos algo antigo, mas atual e por dois motivos: um prédio com suas funções originais, afinal o Teatro Goiânia é um dos principais locais de concentração da vida cultural goianiense; e uma obra de arte que alivia o avanço irrefreável da insanidade humana no século XXI.
Nesse sentido, todas as outras construções
Estação Ferroviária.
artísticas –– e não apenas as de art déco — deveriam servir para esse propósito. Porém, é difícil que as obras sirvam a esse propósito se não se pode vê-las, se estão escondidas pela modernidade. Se a gente conseguir, na correria diária, uma vez que o Setor Central, além de histórico, é também o centro comercial e financeiro da cidade... Quando passo ali e percebo tudo isso, num exercício contínuo de imaginação, volto ao passado e à minha infância quando ainda não tinha consciência de toda esta riqueza histórica. Há alguns meses
José Araújo Júnior, 1958.
quis retornar à casa de nossa infância. Que pena! Foi transformada em garagem juntamente com vários outros imóveis. Fiquei deveras triste! Papai se orgulhava de sua planta e do cuidado com que manteve o imóvel construído muito anos antes de eu nascer...
O zoológico de Goiânia também conhecido como Parque Lago das Rosas é o mais antigo de Goiânia. O local ficou conhecido como Lago das Rosas, pois antes de ser construído o zoológico o espaço era um canteiro de rosas, daí originou o nome Lago das Rosas. Meu irmão Marco Antônio e o primo Luiz Roberto aprenderam a nadar ali, assim como tantos outros meninos da época.
O zoológico foi construído na década de 40, mais precisamente no ano de 1946 e atualmente está com 68 anos de existência, sendo
Clélia e Fábia, Zoo, 1974.
um ótimo lugar para se visitar em Goiânia. A Furreca exposta no local é uma relíquia e até pensamos que pudesse ter pertencido a papai, porque ele possuiu um Ford 29, apelidado a Ximbica de José, na época da casa Araújo.
Em 1961 papai adquiriu uma fazendinha em Nerópolis. Foi uma época maravilhosa. Ele construiu uma casa rústica e espaçosa, mobiliada com camas com estrado de molas e colchões de crina. Havia um fogão caipira em que mamãe cozinhava não apenas para nós, mas também para os caseiros e seus filhos nos domingos.  Nós montávamos a cavalo e saíamos aprontando todas!
Parece que o imóvel foi vendido logo e meu irmão Marco relata que assistiu à contagem do dinheiro da venda desse imóvel em 62. O
Minha prima Nize e amiga, 1950
comprador trouxe uma mala de dinheiro e papai passou todo o dia contando-o, para depois depositá-lo no antigo Banco da Lavoura.
Papai possuiu uma perua Rural Willys, em 62. Nela fizemos inúmeros passeios familiares aos domingos. Em 63, ele comprou um DKV sedan que manteve até a sua mudança de plano, em 67. Meu irmão Marco começou a me ensinar a dirigir nesse veículo.
Muitas destas informações foram repassadas por nosso pai ao meu irmão mais velho Marco Antônio. Em 62 ele acompanhou papai a Sertãozinho, SP.,  para fazer um implante de placenta na perna. Diziam que isso curava a asma que afligia a ambos. Nessa ocasião conversaram muito e nosso pai, o pioneiro - José Araújo - compartilhou várias histórias familiares...

domingo, 22 de fevereiro de 2015

HOSPITAL DA GAMBOA - RIO




Fábia
Construído no alto do pequeno morro da Gamboa, o Hospital Nossa Senhora da Saúde e a Igreja em estilo neogótico, erguida ao seu lado,  destacam-se na paisagem do cais do porto. A história do hospital tem início por volta de 1840, quando o Dr. Antônio José Peixoto alugou a antiga chácara ali existente e instalou uma casa de saúde.

A partir daí, o Dr. Peixoto passou a oferecer atendimento médico e cirúrgico para viajantes e marítimos, mantendo inclusive uma enfermaria para escravos. A epidemia de febre amarela, ocorrida em 1853,  levou a Santa Casa da Misericórdia a comprar a casa de saúde para servir de hospital de emergência.

Hospital da Gamboa
A escolha não foi por acaso. A junta Central de higiene pública levou em conta as vantagens oferecidas pelo local: altitude do sítio, isolamento do resto da cidade, exposição aos ventos da Bahia de Guanabara, vegetação abundante.

Devido à forte incidência de outras epidemias que assolavam a cidade, ainda nos anos cinquenta se expandia com a construção de mais quatro enfermarias. As epidemias continuaram de tal maneira assolando o Rio que, em 1877, a direção do  hospital foi obrigada a construir uma ponte para o embarque dos mortos por via marítima, diretamente ao cemitério do Caju.

Vista do Hospital da Gamboa
Em 1890 foi concluída a construção da capela ao lado do Hospital que passava então por um período de franca expansão em seus serviços. Essa fase empreendedora perdurou até os anos 30, quando começou a decadência, correndo o risco de ser demolido, tamanho era o estado de abandono em que se encontrava.

Felizmente, o Hospital da Gamboa conseguiu reerguer-se e, em 1986, as suas instalações foram tombadas pelo patrimônio histórico.

É bom ressaltar que para que o hospital funcionasse
Hospital da Gamboa
inicialmente com 30 leitos, três quartos e uma pequena farmácia foi fundamental a participação de religiosas da ordem de São Vicente de Paulo, por meio de convênio firmado em Paris pelo então provedor da Santa Casa do RJ, José Clemente Pereira.
Hoje o hospital da Gamboa encontra-se revitalizado, em pleno funcionamento e dentro de um contexto urbanístico que contempla a recuperação da região do porto de nossa cidade.
Região do Hospital
Esse hospital é uma unidade da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, beneficente, sem fins lucrativos, vem sendo submetido a várias reformas estruturais e administrativas, melhorando sua qualidade, a capacidade de atendimento e a abrangência dos Serviços médicos oferecidos à população. A palavra "gamboa" significa tanto "marmelo" quanto um remanso no leito dos rios, dando a impressão de um lago . O segundo sentido do termo se assemelha ao aspecto físico do bairro, que se localiza numa zona de águas mais calmas da Baía de Guanabara. Mensalmente, Fábia faz especialização em Cirurgia Dermatológica Avançada neste hospital e está muito satisfeita com o nível do curso.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

RAÍZES PIONEIRAS II




Marco Antônio e o bebê Regina, 1948.
Como disse anteriormente, meu irmão mais velho – Marco Antônio – conta que o vovô João Araújo resolveu investir no ciclo da borracha e perdeu toda a sua fortuna. Depois disso, a família resolveu vir para Goiás. Parece que meu pai - José Araujo- teria vindo na frente para depois buscar a família...Minha irmã, Clélia, disse que papai lhe contou muitas histórias daquela época, mas ela era muito criança e hoje se arrepende de não ter anotado o que ele lhe contava. Pelo que ela se lembra, ele saiu da fazenda em Tacaratu sozinho, com dois animais e empreendeu a viagem sem destino definido, em busca de
Marco Antonio, 1949.
melhores condições de vida. Um dos animais estava carregado de peles silvestres. Passou toda a sorte de perigos nessa jornada, inclusive se escondendo de bandos de cangaceiros que aterrorizavam aqueles rincões. Chegou à antiga capital do nosso estado, onde fez amigos e resolveu se estabelecer.
Conseguiu exportar a maioria das peles, tendo sido pioneiro no estado nessa atividade. Ela acredita que foi com o dinheiro dessa operação que ele comprou mercadorias para dar início ao seu comércio, posteriormente transferido para Goiânia. Depois de estabelecido é que mandou buscar a família. Clélia não se lembra de nenhuma história do vovô. Papai sempre lhe passou a impressão de que ele era o chefe de toda a família. Naturalmente, isso se devia aos desmandos do senhor
Geraldina Araujo, Didi, 1968.
João Antônio. Enfim, ela gostaria de ter aprendido mais da história dele e agora é tarde porque não sobrou ninguém para satisfazer o nosso interesse tardio.

O ciclo da borracha viveu seu auge entre 1879 a 1912, tendo depois experimentado uma sobrevida entre 1942 e 1945, durante a II Guerra Mundial (1939-1945). Para extração da borracha neste período, acontece uma migração de nordestinos, principalmente do Ceará, pois o estado sofria as consequências das secas do final do século XIX.

Depois da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), as indústrias passaram a adotar uma borracha sintética que poderia ser produzida em ritmo
Clélia Maria, 1954.
mais acelerado. Essa inovação tecnológica acabou retraindo significativamente a exploração da seringueira na Floresta Amazônica. No entanto, até os dias de hoje, a exploração da borracha integra a economia da região norte do Brasil.

Chegando a Goiás, meu avô adquiriu uma fazenda no município de Jussara e também comerciava couro. Ele era acostumado a viajar e não mudou seu hábito em Goiás. Eu o conheci assim, ainda lúcido e teimoso. Sentia-se o patriarca da família e ninguém podia intrometer em sua vida. Os filhos impotentes assistiram aos seus desmandos e acabou perdendo também a fazenda goiana. Mais tarde passou por uma cirurgia e perdeu a lucidez. Costumava fugir de casa com sua mala de couro e minha avó junto com a tia Hermínia precisavam
Marco, Clélia, Sonia, Junior e Regina, 58.
trancar a casa para que ele não fugisse nos últimos anos de vida. Uma lembrança vívida em minha memória era a atenção com que ele lia os jornais no domingo, quando íamos visitá-los. Vovó e tia Hermínia também eram antenadas para a época e discutiam política com papai. Elas adoravam ir ao cinema e não perdiam as novidades cinematográficas exibidas na cidade.

Os dois irmãos mais velhos de papai -Ulisses e Augusto
Taninha, Clélia, M. Helena Café, Iris, 67.
 foram estudar fora e José Araújo tornou-se arrimo de família. Parece que papai soube da descoberta do garimpo em Baliza e teria trabalhado com escafandro naquela região possivelmente a partir de 1925.

José Araújo foi também comerciante em Goiás velho e Goiânia, onde adquiriu imóveis. Humanista, tornou-se espiritualista com a influência de Chico Xavier na década de quarenta e ajudou na construção de várias obras sociais, sendo apoiado pelo cunhado político e seu melhor amigo – Venerando de Freitas Borges.

Regina Lúcia, 1951.
Soube que o povoamento da região de Baliza teve origem com a descoberta de jazidas de diamantes, em 1924, às margens do Ribeirão “João Velho”, pelos garimpeiros: Cosme e Borges. Iniciada a exploração e constatada a riqueza da jazida, a notícia atraiu grande número de famílias que se estabeleceram, nas proximidades do garimpo, iniciando-se o povoado que recebeu o nome de “BALIZA”, nome decorrente da existência de uma pedra, de 5 metros de altura, no meio do Rio Araguaia, que banha a região.
Praça Cívica, Goiânia,1942.
Em 13 de dezembro de 1930, com a evolução do garimpo e o consequente crescimento da população, o povoado foi elevado à categoria de distrito, pelo Decreto nº 4, integrando o Município de Rio Bonito, atual Caiapônia. Pela Lei Estadual nº 91, de 27 de outubro de 1936, o distrito tornou-se município, sendo suas divisas fixadas, em 11 de julho de 1942, pelo Decreto Estadual nº 5911.

Com a emigração dos garimpeiros, pessoal na maioria nômade, para novas minas em Mato Grosso e a evasão de
Sonia Cristina, 1958.
outros atraídos pelas obras da Fundação Brasil Central em Aragarças, onde havia grande demanda de operários, Baliza esvaziou-se, declinando-se paulatinamente, restando apenas manchões abandonados: “Loca da Ponta da Serra”, “João Velho, Pacu, Praia Rica, Deixado, Lua, Carreira Comprida, Pedra do Zé Dias, Pedra da Baliza, Poço dos Alemães e outros, de onde se extraíram mais de 2000 quilates de pedras preciosas”.

Suas ruas ainda conservam o traçado irregular, formando meandros ao longo da margem do rio e suas casas guardam o estilo antigo, algumas abandonadas e em ruínas, permanecendo vivos, entretanto, os hábitos típicos da vida garimpeira.

Papai era asmático e a prática do escafandro piorou a sua saúde.
Políticos da época, idos 1940.
Estava apaixonado por uma moça da região, mas a família proibiu o romance temendo que o possível noivo estivesse tuberculoso. Ele guardou essa mágoa da frustação do primeiro amor. Mas manteve também muitas pedras de água marina com que presenteou as filhas mais tarde, mandando que um ourives de sua confiança fizesse cruzes de ouro e pedras azuis para cada uma.

Soubemos que ele passou também por Aragarças. Em 1933 um aragarcense espalhou um falso boato que havia encontrado um diamante de uma tonelada no Rio Araguaia. A notícia atraiu vários garimpeiros. Muitos permaneceram na região. Mas papai se estabeleceu em Goiás, na antiga capital e transferiu-se para
Gêmeas, Cé e Lu, 67.
Goiânia junto com o grupo dos primeiros pioneiros. Seu maior amigo e cunhado foi o primeiro prefeito da cidade – Venerando de Freitas Borges, casado com nossa tia Maria Araújo.

Quando estivemos conversando com o senhor José Hermano, ele lembrou-se de papai na década de 30. Mencionou todos os membros da família, inclusive dois de nossos tios que faleceram antes de nosso nascimento. Contou como nosso pai - José Araújo - se estabeleceu na Rua 15 de Novembro, perto do Mercado Municipal, em Goiás Velho. Disse que era um armazém grande cheio de peles e ele trabalhava ali ajudado por seus irmãos mais jovens.

Disse-nos que papai foi o introdutor da venda de peles de animais silvestres em Goiás. Relatou, ainda, que conviveu muito com nosso tio
Maria Araujo Freitas.
Tonho que era alfaiate lá e descreveu a beleza de nossa tia Leonilde, sua postura elegante. Confirmou que ela era muito ligada ao irmão Hilário. Eles adoeceram anos mais tarde de TB, foram fazer tratamento em BH, mas não resistiram.

Hermano descreveu um bar que papai possuiu no início de Goiânia. Era uma espécie de bar de sinuca na Anhanguera com a Rua 20. Contou que José Araújo era severo, chamava a atenção dos estudantes da época. José Hermano falou de papai como um pioneiro de destaque, um dos fundadores da associação comercial aqui em Goiânia. Recorda-se da Casa Araújo, na Rua 20. Naquela época existia o que se chamava de armazém de secos e molhados, uma miscelânea de artigos à venda. Contou que o Tio Venerando
José Araujo, 1938.
, foi seu professor na Rua da Estrada, em Goiás. Na época eles costumavam fazer um curso de Admissão que era o preparatório para o ingresso ao Lyceu.

Soubemos com certeza que, em 1935, papai e o tio venerando já estavam aqui na nova capital. Mas apenas em 37 vieram as repartições, as escolas, a Faculdade de Direito e de Enfermagem. Aliás, tudo veio da cidade de Goiás, a antiga capital...