sábado, 18 de agosto de 2012

CAMINHADA NA LAGOA


Aleixo e Regina, na Lagoa.
Saímos para uma caminhada ao redor da Lagoa Rodrigo de Freitas nesta manhã. Sei que no início da ocupação da cidade do Rio de Janeiro, esta área era chamada de Jardim da Gávea e englobava os atuais bairros da Gávea, Jardim Botânico e Lagoa. Aqui havia propriedades rurais, latifúndios em que se cultivava a cana-de-açúcar.
Após a chegada da Família Real na colônia, em 1808, houve a necessidade de se construir uma fábrica de pólvora para proteger a cidade de prováveis invasões francesas. Essa foi edificada nos arredores da Lagoa Rodrigo de Freitas. 
Aleixo e Regina perto da Fonte da Saudade.
Em virtude da decadência do ciclo da cana, na metade do século XIX, as antigas fazendas tornaram-se chácaras. Na época, a cidade era dividida em freguesias e a ocupação residencial se intensificou quando a Rua São Clemente foi aberta e quando os bondes de burro alcançaram a Freguesia da Gávea, a futura Zona Sul carioca. 
Aleixo com as araras na Lagoa.
Uma das histórias peculiares do bairro é a da Fonte da Saudade. Essa fonte ficava localizada no fim da primitiva praia da Lagoa por onde Aleixo e eu caminhamos hoje. Na passagem do século XIX para o século XX, as lavadeiras portuguesas que atendiam às famílias abastadas de Botafogo se reuniam em torno da fonte lavando as roupas e compartilhando as saudades de sua terra natal. E esta professora de literatura não poderia esquecer que a personagem João Romão de O Cortiço, de Aluísio de Azevedo, morava ali perto! 
Lagoa Rodrigo de Freitas, agosto, 2012
As reformas urbanísticas realizadas trouxeram o saneamento básico à região e a sua urbanização. Na década de 1920, o local nobre ganhou a Avenida Epitácio Pessoa, que circunda a orla da lagoa. Nela, foram construídas mansões da elite carioca, além do Jóquei Clube Brasileiro. 
Nos anos 1970, algumas construtoras aterraram ilegalmente a Lagoa que perdeu grande parte de sua área original. Posteriormente, houve a proibição de outras modificações na linha do espelho d’água do reservatório, além da restrição de construções na área. 
Outra imagem da Lagoa.
Após muitas tentativas, a Lagoa foi parcialmente despoluída e, ao mesmo tempo, o bairro começou a ser um dos redutos da vida noturna da cidade. Agora se percebe a revitalização da Lagoa, cuidada com preocupação ecológica. 
Paramos à sombra por instantes para admirar araras em um bar rústico, ao ar livre, com o chão forrado de serragem. Defronte, o imenso espelho d´agua da lagoa com a visão do Cristo Redentor ao alto! Beleza de cartão postal ao vivo!

Nenhum comentário:

Postar um comentário