sábado, 11 de agosto de 2012

VIAGEM A ITAGUAÍ


Aleixo e seu primo Saulo Merlim.
Aleixo fez contato com um primo paterno   e ele nos convidou para visitá-lo em Itaguaí. Nunca havia ouvido sobre esta cidade situada a cerca de 70 km da capital, logo após o município de Santa Cruz. Assim, quis pesquisar sobre o local.
O território no qual está instalada a cidade de Itaguaí foi desbravado no século XVII, pelos índios Jaguaremenon. A tribo dos Y-tingas se desenvolveu, prosperou e passou a rechaçar a presença dos jesuítas, gerando vários conflitos. Num deles, um pequeno índio de dez anos foi ferido e preso por futuros brasileiros, sendo batizado com o nome de José Pires Tavares.
Aleixo, Arthur, Regina, Analy, Saulo
e Leda.
Tavares cresceu entre os futuros brasileiros, mas sempre pensou em defender seu povo. Quando fez trinta anos, já casado com uma índia, embarcou rumo a Portugal buscando uma carta de proteção para aldeia Y-tinga, junto à Coroa Portuguesa. Foi recebido no Paço Real pela rainha Dona Maria I.
Os futuros brasileiros que sabiam da alta chance de o indígena conseguir a proteção régia não perderam tempo. Atacaram a aldeia durante sua viagem, não distinguindo sexo ou idade. Os sobreviventes foram amarrados a barcos com furos e lançados ao mar, morrendo todos afogados.
Vista de Itaguaí.
José Tavares retornou de Portugal juntamente com o Conde de Resende tendo como ordem da Rainha dona Maria I que fossem restituídas as terras dos indígenas. José Pires ainda reivindicou a posse efetiva das terras indígenas em 1804, tendo em vista a possível arrematação do Engenho de Taguay localizado dentro destas. Morreu em 1805. O Engenho de Taguay foi arrematado por proprietários, entre eles Antônio Gomes Barroso, primeiro alcaide-mor de Itaguaí. Mesmo com esse fato, os nativos ainda permaneceram ali por algum tempo.
Itaguaí nos anos 50.
Após a barbárie, foi fundada pelos colonos a Vila de Itaguaí, que passou a ser uma rota de viagem padrão para os viajantes para São Paulo e para as Minas Gerais, o chamado Caminho do Ouro, devido ao terreno pouco acidentado e transitável durante todo o ano, com poucos alagadiços e com bastante água para os animais.
Por volta de 1725, iniciou-se a construção desse caminho que ligava o Rio de Janeiro a São Paulo com o objetivo de encurtar a viagem exaustiva e perigosa que era feita por mar, de Paraty ao porto do Rio, pois habitavam na Ilha Grande uma enorme quantidade de corsários que assaltavam as embarcações que por ali passavam. Isto quase sempre representava prejuízos à Coroa Portuguesa.
Imagens de Itaguaí - Cidade Porto
No século XIX, na famosa viagem na qual seria proferido o Grito de Independência do Brasil, Dom Pedro I parou na vila para pernoitar, alimentar e saciar seus cavalos. O local hoje se chama Praça Dom Luís Guanela e situa-se próximo à Igreja Matriz de São Francisco Xavier.
Em 1844, foi fundado o distrito de Seropédica, cujo nome deriva da sericultura - criação do bicho da seda. Foi o início da primeira Fábrica de Tecidos de Seda do Brasil.
Depois da Independência do Brasil, Itaguaí desenvolveu a sua agricultura, sendo, em tempos diversos, o maior produtor de milho, quiabo, goiaba, laranja e banana, no Brasil. Recebeu inicialmente o uso de trabalho escravo de negros, que foi gradualmente substituído por mão de obra estrangeira, mais especificamente de japoneses, em 1838 e, em menor número, de alemães. Ainda hoje, é uma das maiores colônias japonesas do estado do Rio de Janeiro.
Regina e a prima Analy,
 também professora.
Em 1938, começou a ser construída a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, no distrito de Seropédica, utilizando as instalações de uma antiga fábrica de seda.
Até a década de 1950, a má admistração pública gerou diversos problemas sociais, resultando em surtos recorrentes de malária, cólera e outras doenças erradicadas das cidades vizinhas. Tal fato trouxe má fama à cidade, que ganhou o apelido de Município Abandonado.
Saulo Merlim.
A partir da década de 1960, a cidade começou a se industrializar com a construção de fábricas como a Ingá Mercantil (zinco), a Nuclep (material termonuclear) e de outras empresas no Distrito Industrial de Santa Cruz. Em 1960, o distrito de Paracambi foi emancipado da cidade e, em 1995, o distrito de Seropédica também se separou. Muitas partes do município também foram perdidas para Mangaratiba e para a cidade do Rio de Janeiro.
Na década de 1970, a cidade passou a ter ligação mais fácil com o litoral com a construção da Rodovia Rio-Santos.
Itaguaí, hoje, é um município em grande crescimento. A Companhia Siderúrgica do Atlântico, que fica em Santa Cruz, bairro do Rio vizinho à cidade, promete dinamizar a economia local, além dos investimentos no Porto de Itaguaí. Novos portos privados, como o Porto Sudeste com investimentos de mais de R$ 2 bi estão por se instalar na cidade, além de estaleiros civil e militar. A marinha brasileira pretende construir submarinos em Itaguaí, inclusive atômico, em parceria com o governo francês e estabelecer ali uma base naval.
Aleixo e Regina no lar goiano.
Na história recente, são destaques os problemas advindos da falida fábrica de zinco Ingá Mercantil, cujos dejetos químicos abandonados causam graves problemas ecológicos. A compra do terreno da Ingá Mercantil pela siderúrgica Usiminas promete dar fim a esse passivo ambiental.
O primo do Aleixo é o Saulo Merlin, filho da irmã  do Seu Sílvio – Laurinda - que Aleixo nem conheceu pessoalmente. Meu marido conviveu bastante com Saulo quando veio morar no Rio, na adolescência. Depois, tomaram rumos diversos e se reaproximaram graças aos  recursos das redes sociais. 
Meus netos brasilienses.
Hoje, eles lembraram acontecimentos da juventude e riram muito das peças que pregavam em um vizinho português. Segundo o Saulo, Aleixo era o mentor intelectual das diabruras que aprontavam! Disse-me, ainda, que Aleixo adorava sair bem vestido e costumava engraxar os próprios sapatos antes de sair de casa. 
Como meu enteado Arthur passou pelo Rio antes de ir encontrar a mulher e filha em Natal, nós aproveitamos para visitar Itaguaí e conhecer os parentes, aceitando o amável convite para o almoço do sábado.  Fomos brindados com um delicioso churrasco com direito a pão de alho. Também, banana assada, suco de cajá e doce de laranja, das frutas colhidas no quintal. Leda e Analy, esposa e filha do Saulo,  são uma simpatia e gostamos muito  da refeição familiar com boa prosa.
Na ida fomos  de carro pela Avenida Brasil, mas, no retorno, optamos passar pela Barra e curtir a bela paisagem marinha. Erramos o trajeto a princípio e tivemos oportunidade de chegar à famosa siderúrgica local.


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